Este tempo dá-me nervos

Nervos, nervos, nervos e mais nervos. E quando eu fico nervosa, a não ser que decida hibernar e aí não há nada que me chateie, o único remédio é programar as minhas próximas compras. Dá-me a neura e foge-me o espírito para a futilidade (irrita-me que as pessoas passem a vida a usar a palavra com uma conotação pejorativa; que a tem, tem, mas porquê sempre?). Quase nunca acabo por levar a compra avante. É a crise, lá está. A crise, as indecisões e as paixões repentinas de quem se deixa fascinar com o primeiro par de sapatos bonitos que apanha pela frente. É deixar o tempo passar e ver se se transforma em amor. Nesse caso, namoro, namoro e namoro e na altura do casamento já o noivo esgotou. É a história da minha vida. Isto tudo para dizer que já devia saber no que a semana ia dar. Esta chuva horrorosa não é novidade para mim, que tenho um coração que funciona como um boletim meteorológico. Segunda-feira acordei com umas palpitações que só visto e as malditas só cessaram quando comecei a passar os olhos pelos sites de roupa e acessórios. Desde aí que não me deito sem uma ronda intensa, tudo pela minha saúde:








































E Salsa, Morgan, Stradivarius, H&M, Forever21, Mango, etc., etc., etc. Pois que podia ficar por aqui a noite toda a recortar sapatinhos no paint, mas se não me agarro agora a White Collar, daqui a pouco já não sou capaz de um episódio inteiro sem babar a almofada pelo meio.

É de mim ou o Verão está um tanto ou quanto atrasado este ano?

                                                                            Candice Swanepoel

Dizia-me o rapaz que me atendia na H&M que em Novembro é que vinha o calor, que hoje tinha escapado por um triz à chuva e que o carro já estava dentro da garagem, para fugir à ferrugem. Contava que, no ano passado, quando foi de férias já quase a chegar a Dezembro, apanhou dias de sol felizes que esperava poder repetir. Falou da ponte que o Verão fez este ano e explicou que, como todos nós, também as estações estão em cortes. É a crise, a crise é sempre resposta para tudo e ai dela que desapareça ou instaura-se uma senhora crise maior que a crise. Cá por mim, se é para estar tempo que não molha mas também não deixa ir à praia, então que chegue o Inverno em força. Esta coisa do meio-termo e dos tempos incertos não é para a minha cabeça. Verão que é Verão mete areia, e se este já não vai lá, então que se vá.

Das pessoas ainda mais especiais


Há uns tempos vi um filme sobre uma adolescente que descobria que o rapaz estranho da escola, o introvertido inteligente por quem se apaixonara, estava a morrer de cancro. O final não é típico, sequer feliz, e a história, sendo mais uma do género, não deixa o espectador indiferente. Ela acaba por largar tudo, tudo aquilo a que se apegara ao longo da  vida, todas as certezas que sempre teve e todos os caminhos que outrora escolheu. Percebe que ninguém pode controlar nada, e que a única forma admissível de viver passa pela obrigatoriedade da tentativa constante e desajeitada de se ser feliz. Cliché? E quando o salto é para a vida real?

Conheço a C. há uns pares de anos. Foi preciso encontrarmo-nos duas vezes para passarmos a partilhar os sorrisos genuínos e a cumplicidade de quem viveu as mesmas situações. A vida nem sempre tem sido fácil para ela, e escrevê-lo assim é um eufemismo. Não é preciso conviver-se durante muito tempo com a personagem para nos apercebermos do feitio desconfiado, de quem já aprendeu a não dar o braço quando se pede a mão. Diz o que pensa e pensa sobre o que diz, sobre o que dizem e sobre o que vai dizer. Pondera, reflecte e analisa tudo, sempre. Quem lhe cai nas boas graças é sortudo com S maiúsculo. Leva dali para a vida uma das mais genuínas pessoas com quem se pode conviver. E depois, como se não bastassem todas as frases tortas que a ouvimos dizer em frente a este ou àquele, que nos pregam um sorriso nos lábios daqueles que só quem sabe que não faz por mal consegue manter, sai-se sempre com uma coragem extraordinária ninguém sabe bem de onde ou como. E de um corpo pequenino, que outros acreditariam ser frágil, sai uma guerreira nata, sempre disposta contornar os obstáculos que vão surgindo.

Ontem, quando a tentava fazer saber que estava por cá para o que fosse preciso, respondeu-me em tom de desabafo, com uma lição de vida daquelas que julgamos apenas existir para preencher as páginas dos livros de auto-ajuda de bolso. E naquele momento, sem o conseguir explicar, passei de confortar a confortada, calma, em paz e de olhos brilhantes. Disse-me ela que não queria ser uma vítima da própria vida. Que seria sempre mais dura com os problemas do que eles com ela. E isso é de louvar, de admirar e de nos fazer sentir Sortudos por a conhecer.

Há pessoas capazes de nos arrancar os pés do chão num segundo, de atirar com as nossas convicções para o lado e de nos mostrar que há outra forma de encarar o mesmo mundo. São as pessoas ainda mais especiais, pessoas como ela.

Tive um pesadelo horrível e agora não consigo dormir

Sonhei com detalhes e pormenores de ontem que autenticaram os acontecimentos seguintes de uma forma irreal.

Lembrei-me da chegada a casa do Algarve, já de noite, já depois de o ter deixado em casa. Mas vinha a pé - ok, esta parte talvez seja disparatada, dados os 70 quilómetros que nos separam. Cheguei à minha cidade e passei por aquela rotunda familiar, aquela que toda a gente que por cá passa reconhece. Avistei um louco ao longe, pequeno e vestido de branco, com uma espada tão brilhante que só de perto me apercebi ser real. Era enorme e ele erguia-a no ar, abanado-a com força de um lado para o outro, enquanto gritava para as pessoas: "tens portátil?". Quem, como eu, respondia que não, ele deixava seguir o seu rumo. Para as outras (eram só mulheres), ou para quem mentisse, talvez a situação fosse outra, porque uns passos à frente havia no chão uma poça de sangue não tão pequena assim. O pior estava para vir.

Surgiu um jipe, daqueles que fazem lembrar os de recruta militar dos filmes. De lá saíram vários "loucos", todos com as mesmas espadas. Tudo o que era mulher foi enfiada dentro, sob pena de se transformar na próxima mancha de chão. Levaram-nos para um restaurante. Aqui os detalhes estão mais vagos e a passagem incompleta. Lembro-me de alguém que pediu para estar quieta e para me habituar, porque, a partir de agora, a minha vida iria ser sempre assim. Quase toda a gente lá dentro sabia já bem de que se tratava o rapto e, inexplicavelmente, tendo em conta os acontecimentos seguintes, estavam calmas.

Falaram-me dos "chefes". Ali, só a Joana Simões ou o Ricardo Carriço (não era o actor, mas um colega meu da primária a servir-se-lhe do nome). A maioria preferia a Joana que, sendo igualmente um monstro, era também mulher. Não que me parecesse que isso tivesse alguma relevância, dado o cargo que encetava. Para elas, porém, a urgência de acreditar numa qualquer empatia era o que as fazia resistir. Eu escolhi o Ricardo. Não de ânimo leve, ou com muita vontade, mas porque assim que lhe pus os olhos em cima ele acenou e fez sinal para me juntar ao seu grupo, colocando-me atrás das costas. Tal e qual como tínhamos feito anos antes, ao brincar à linda-falua. Achei que um rosto conhecido me iria confortar. Em vez disso, a maldade que lhe sentia só me deixou mais apreensiva. Ora ali estava alguém que eu nunca na vida acharia poder transformar-se no ser abominável que se transformou.

Então era assim: uma vez "apanhadas" na rua, a nossa única liberdade era escolher o "chefe". Toda a minha vida, com os contornos que a preenchiam, passava agora a estar sobre o seu comando. Perguntei às raparigas que me acompanhavam quantas vezes eles iriam aparecer inesperadamente e como me poderiam obrigar a juntar-me a eles, se estavam a dizer que depois do jantar me deixavam em casa. Riram-se e perguntaram-me como é que eu achava que eles me iam deixar em casa. "Já têm a tua morada, não sejas ingénua. Eles aparecem a qualquer hora, a qualquer altura do dia. Vai haver momentos em que terás que mentir e inventar as desculpas mais idiotas para ires com eles. Mas irás fazê-lo. Terás também de roubar os teus próprios pais. Eles estão sempre acompanhados dos homens das espadas e tu, tu agora és a sua mais nova marioneta. E  não te enganes: qualquer pessoa na rua a quem tentes pedir ajuda pode ser mais um de nós".

Acabámos de comer - eles e elas, porque eu não consegui - e num gesto de uma condescendência mórbida levantámo-nos para ficar paradas, em frente aos nossos "chefes". Seguia-as e imitei-as, sempre de cabeça baixa, como faziam. Aguardámos vários minutos em pé, até que por fim olhassem para nós. Riram-se um para o outro e fizeram pouco da situação. "Querem ir para casa, as meninas? Ora vão lá", começou a Joana. Via-as sair apressadas e deixei o meu olhar cair sobre o Ricardo. "Tu também podes, vai lá antes que estranhem a tua ausência. Vemo-nos por aí". "Vemo-nos por aí", aquela deliciosa mistura de palavras deu-me o alento infantil de quem vê nascer um raio de esperança nas mais pequena das frases. Elas, que esperaram por mim à porta, garantiram-me que não seria tão aleatório ou distante como a expressão fizera crer.

Corri para casa e quis chorar enquanto o fazia. Não consegui. Fiquei presa no debate mental entre contar ou não aos meus pais: prepará-los, protegê-los e, a seguir, ir à polícia. Exactamente o que me disseram para não fazer. Mas cheguei a casa e corri para o meu pai, que estava à conversa com o meu tio. Não quis saber da visita e contei-lhes tudo no momento, com as palavras a atropelarem-se e sem conseguir verter uma lágrima. "Vamos já à polícia", ordenou o meu pai. "Tenho medo que faça parte do mesmo grupo, e que depois se vinguem em vocês", contrapus. "Cá em casa, eu vou estar atento. Lá fora é que me assusta, sempre que saíres".

Não houve nenhum momento de clímax para acordar. Recordo-me de andarmos de um lado para o outro e de eu, de repente, abrir os olhos e puxar mais o cobertor para mim, como se isso pudesse proteger-me. Não encontrei logo o telemóvel e entrei em pânico. Ainda não me mexi do mesmo sítio, excepto para me inclinar ligeiramente para o portátil. É uma parvoíce, eu sei, mas ainda sinto um friozinho nas costas e uma réstia do medo de um sonho. Não sei bem se estava em sono profundo ou semi-acordada e era a minha cabeça, e propensão para as histórias, que continuava a elaborar o episódio que surgiu no meu inconsciente. Na realidade, não importa, porque preferia que isto nunca tivesse acontecido. Ainda tenho o coração rápido e o sentimento de impotência aliado ao medo. A sensação de beco sem saída e da vida que muda em dois segundos, sem sabermos bem como. Faço sempre uma coisa muito estúpida quando perco um metro: pergunto-me o que fiz para isso acontecer e revejo mentalmente os meus passos. "Se não tivesses procurado a pastilha....", "se não tivesses atendido a chamada", "se não tivesses apertado o atacador". Hoje, e porque a viagem de ontem acabou por durar uma eternidade, foi cheia de curvas e contracurvas, caminhos e voltas extra, só pensava: "e se tivesses saído uns minutos mais tarde? se não o tivesses deixado em casa e o tivesses trazido contigo? se não tivesses feito o desvio?".

Daqui a menos de duas horas é altura de despertar e eu ainda não me vejo a dormir. Vai ser bonito,vai. Ainda por cima, já sinto a cabeça pesada.

Tiny tiny step... | Do amor ao ódio


Há dias em que me lembro muito daquela história dos telhados de vidro e das pedras que não devem ser atiradas, que é como quem diz que temos tantos ou mais defeitos do que aqueles que nos rodeiam. Negá-lo é mais do que um erro, é uma ilusão imperfeita que nos faz viver de nariz empinado, exactamente como o daquele e daquela de que tanto desgostamos. É por isso que, nem sempre, mas sempre que faço o exercício mental de parar e pensar, tento dar o benefício da dúvida ao outro lado. Confesso que raramente o faço antes de um período de profunda irritação. (Vêem como reconheço defeito? Não sou o caso perdido que pensei). Um dia serei daquelas pessoas que sabemos altruístas, ponderadas e racionais num grau superior ao do comum dos mortais. Para já, deixo o sangue ferver no corpo com frequência, e nem é coisa que me incomode particularmente. Mas se a temperatura esfria, se eu me dou ao trabalho e ao respeito por outra pessoa, então...bem, então o mínimo que posso esperar é que ela faça [pelo menos] o mesmo. Especialmente quando [sei] acho que tenho razão - o que acontece com mais frequência ainda.

A questão é que ir com a mão à boca do leão só pode ser uma de duas: ou se é muito estúpido ou se é demasiado bom - o que, na sociedade em que vivemos, cada vez mais é visto como uma mesma coisa. E se se é estúpido, bem, habituem-se porque não há rigorosamente nada a fazer. Mas se, por outro lado, se vai pela via da bondade, corremos o risco de ser confundidos com ingénuos perdidos e em vias de extinção. É aquela história que no fim frustra porque se percebe que há à volta mais leões que mãos, e acabamos mais revoltados que bons, mais endiabrados que para anjos. É um welcome to darkside imediato que todos aqueles dos corações sinceros já experimentaram.

Somos sempre o oposto do que não somos, e só assim sabemos agir em conformidade com o que sentimos, só assim tendo vivido o inverso. É que, reparem: posso dizer que não volto a deixar a mão roçar-lhe nos dentes, posso guardar as marcas da boca do bicho na minha pele, mas sei que vou ser sempre a pessoa que tenta confiar no leão, aconteça o que acontecer. Não significa que não se aprenda, apenas que se aprende a fazê-lo de outras formas. Nem sequer que se seja estúpido sem saber, porque estúpido que é estúpido não sente a revolta da desilusão, não liga ao ódio de quem ama e não tem como voltar a pôr a mão, porque nunca a recupera.

Bem sei que ao fim de uns dias sem cá pôr os pés devia voltar e escrever algo de jeito...

...mas não consegui resistir a partilhar convosco o concurso mais assustador de todo o sempre. Há participações igualmente perturbantes, mas fico-me por esta, que eu cá não sou de manias:




Não consegui foi ainda perceber porque há 179 pessoas que não gostam do vídeo no Youtube. Há gente esquisitinha para caramba. Não se entende.

Folhados de camarão com bróculos


- Camarão
- Bróculos
- Tomate cherry
- Delícias do mar
- Orégãos
- Maionese
- Queijo mozarella
- Azeite, sal, caril, alho e noz-moscada
- Massa folhada

Cozer os bróculos durante cerca de 5 minutos em lume alto. Passar um garfo por cima dos bróculos já bem cozidos e tentar cortá-los em partes mais pequenas, desfazendo um pouco. Saltear o camarão, a “papa” de bróculos, as delícias do mar e o tomate cherry em azeite, sal e caril.

Comprei massa folhada fresca para ser mais rápido (as das marcas dos supermercados costumam ser óptimas). Adiante… cortar a massa em quadrados – costuma dar para quatro e com as sobras fazer mais um e meio – e dobrar as suas pontas de forma a criar uma “muralha” baixinha. Esta massa cresce bem, pelo que não há necessidade de criar uma parte lateral muito espessa. Pincelar a massa com uma mistura de azeite, alho e noz-moscada. Deitar o preparado salteado por cima.

Por fim, pegar numa colher de sobremesa de maionese e verter sobre cada um dos folhados. É só para dar a sua graça, não é preciso muita. Eu desfiz um bocadinho de uma bola de mozarella e deitei por cima dos folhados antes de irem ao forno, mas aconselho a fazê-lo assim que saem quentes, irá pronlongar o sabor que não se mistura tanto. Povilhar com orégãos.
Bom apetite!

* Para uma refeição perfeita, levar os folhados para uma varanda e saborear ao jantar, com um pôr-do-sol de fundo.

But...shoe*


E depois há dias em que sentimos o coração tão pequenino, tão apertado e tão angustiado que sabemos que tudo o resto está noutro espectro da questão, lá longe, num universo paralelo onde, por milagre, seria a cabeça a comandar.

*Só para quem vê How I Met Your Mother e apanhou o episódio em que a Lily e o Marshall tentam decidir se estão ou não preparados para ter um filho, e acaba por ser uma bota de bebé o argumento mais forte, contra toda a lógica.

Sweet summer sales IV (by Freeport)

Loving Morgan SS 11


Uma selecção gigante de livros a 4.99€, na Leya. Tive que ser arrastada da loja, que por mim teria trazido companhia para este e para os próximos 50 Verões. 

Dos livros trágicos e perturbantes que eu insisto em ler. Será?


"Sabe que num casamento nunca é mesmo a meias. É sempre setenta-trinta, ou sessenta-quarenta. Há sempre alguém que se apaixona primeiro. Alguém que coloca a outra pessoa num pedestal. Alguém que se esforça muito para que as coisas corram bem; a outra pessoa limita-se a deixar-se levar".

Compaixão, Jodi Picoult

Sweet summer sales III


Mala: Stradivarius
Sandálias missangas: Claire's (2€ numa promoção de "5 artigos à escolha por 10€")
Sandálias brilhantes (?): Seaside
Anel e pulseira: Bershka
Fio: Morgan (secção de defeitos - faltava-lhe uma peça por baixo do pendente - na minha opinão, é mais bonito assim)
Cinto: A mesma promoção da Claire's

É tudo uma questão de muita paciência e repetição às mesmas lojas. Os saldos não são todos iguais, para além dos preços que baixam durante o período anunciado, os próprios artigos em exposição são revesados. É por isso que não me importo de uma ronda semanal que inclua milhares de outras coisas que já vi. A poupança vale o esforço. Bem como a alegria de vir cheia de sacos para casa.

Não há nada a fazer comigo.

Coisas das pessoas especiais

                                                                                                 Julia Roberts

Os nuncas tendem a desaparecer na presença das pessoas especiais. Nunca perdoaria, nunca deixaria o orgulho para trás, nunca esqueceria. Nunca, claro, com quaisquer outras. As pessoas especiais fazem-nos deixar de parte todas essas pequenas coisas que tendem a encher uma sala, tal como um grupo de vinte elefantes. Vemo-las assim, e não em tamanho XL, porque nos deixam de parecer tão graves, tão fortes ou tão más. E esse é um dos principais (d)efeitos das pessoas especiais: deturpam-nos as convicções. Para o bem, para o mal e para o assim-assim. Abalam-nos as certezas inabaláveis e os pensamos seguros, que nunca tiveram pilares. Os argumentos que só foram estruturados na ponta da língua não funcionam em campo e toda a lógica, todas as razões e bateres de pé que nos viram crescer, sabem que está na altura de dar um passo atrás porque conheceram uma dessas pessoas, uma dessas pessoas especiais. Dessas que estão na família, nos amores e amizades e que, até prova em contrário, valem as tentativas honestas e genuínas de ver a vida pelos seus olhos.

Pois que sim que sei que é Verão (até porque vou de férias HOJE)

...mas entretanto já descobri as minhas melhores amigas para o Inverno. E nem são nada num estilo que me atraia descaradamente, pelo menos, não normalmente. Desta vez, contudo, foi amor à primeira vista: inexplicável e sentido.

E o melhor amigo anel, vá. O que é justo, é justo: se se vai ao pé, vai-se à mão.


a ilusão perfeita do que não se sabe


Não posso dizer que não acredite em relações à distância, seria hipócrita da minha parte. O meu mais duradouro romance viveu-se a 385 quilómetros. É certo que começou na adolescência, com os dramas e desastres a que tem direito. Com um coração de miúda, daqueles que sentia a 200%. Não tenho a certeza que esse aspecto tenha alguma vez mudado. Foram três anos (?) de idas, vindas, separações e reuniões. No fim, não sabia como lhe dizer que tinha acabado. Havia demasiado de nós na minha vida, na vida dele, demasiado dos dois nos anos em que nos vimos crescer e mudar, tomar decisões que afectariam o nosso rumo futuro. Era difícil olhar para a frente sem ouvir a voz dele todas as noites, sem marcar os dias no calendário que faltavam para nos voltarmos a ver. Era rotina simples, mas era a nossa rotina e era assim que a minha vida fazia sentido, com todos esses pequenos passos e momentos a que me habituara. Percebi, muito antes de o ter admitido, que era só isso que restava daquele grande primeiro amor. E custou-me horrores abandoná-la, mais do que a ele, com quem ainda hoje falo, por quem ainda hoje tenho um grande carinho. Queria muito poder dizer que acabámos porque estávamos longe e já não sabíamos lidar com isso. Não foi o que se passou, deixei apenas de sentir o que sentia. É claro que nunca vou saber se as coisas se teriam desenvolvido de outra forma se estivéssemos juntos, tal como um casal que se vê todos os dias não sabe como poderia ter sido a sua relação se tivessem passado um tempo separados.

Aprendi (ou habituei-me, nunca saberei realmente) a estar sozinha, a fazer a minha vida e a ser independente. A gerir o meu tempo, a estar com os meus amigos e a conjugar a relação no meio disso tudo. Não poderia ter sido de outra forma, dada a distância física. Todavia, descobri que só assim poderia ter resultado, com ele ou com qualquer outro. Preciso do meu espaço e dos meus momentos, preciso mais de mim, quase sempre. Talvez por isso, quando precise de alguém não o saiba dizer. Baralho-me e deixo sair frase confusa, uma atrás da outra. Discuto, grito e sofro como se não houvesse amanhã. Porque no fundo eu sei, tenho plena consciência de que não gosto de estar sem ninguém. Juntos, mas dois e nunca um. Ainda com o meu mundo, e respeitando o seu, porém, com ele numa esfera maior.

Acontece que, ao longo dos tempos e muito pelos 385km, aprendi também que levar uma vida a nível individual, mesmo quando se está numa relação, tem de obedecer a um estado de equilíbrio puro que exige sobretudo muito trabalho e muita vontade de fazer resultar. Hoje são menos 300 e estamos para lá dos vinte anos, vidas diferentes e fora dos muros protectores do liceu. Na realidade, tudo teria para ser mais fácil: carro, carta e trabalho inclusive. Mas não é, e não me parece que alguma vez vá passar a ser, não enquanto estivermos longe. E queria muito dizer novamente que é por causa disso mesmo, da distância que sendo pouca é enorme. Mas não posso, porque há somente problema no trabalho e na vontade que se habituaram a não chegar, alternando entre o que eu faço e o que ele faz, e entre tudo aquilo que deixámos de fazer. Não porque não se goste, não porque não se queira, mas porque, ao fim de quase dois anos, continuamos a viver vidas separadas. Queria muito poder dizer que estamos longe e já não sabemos lidar com isso. Mas é exactamente o contrário: sabemos mais do que devíamos.

Eu queria muito vir para aqui escrever....muito, muito


Toda eu sou saldos e aquisições fantásticas. Visitas à margem sul e um quase-bronze de praia. Conversas e pensamentos que apetecem debater e partilhar. Filmes que me ficaram na cabeça e momentos de que já tenho saudades. Comentários a que quero realmente responder e umas coisas que aqui quero escrever sobre a ...ju..., que eu não conheço de lado nenhum excepto das andanças deste blogue, e dos textos maravilhosos que habitam e me divertem no dela. Ela que vem aqui comentar tantas e tantas vezes, sempre com boa disposição e pensamentos motivadores, mesmo eu nunca deixando um obrigada, mesmo eu nunca dizendo que isso me deixa com um sorriso nos lábios. Mas não consigo. Honestamente, não sou capaz. É que entre o vaivém diário do metro e as voltas no estômago com que fico ao andar na linha amarela, as horas de sono que me têm escapado e as mil e uma coisas que quero fazer antes de ir de férias, atingi um nível de loucura esgotante.

Portanto é isso. Queria vir para aqui escrever, mas vou deixar-me de mimos e manias e dar a cara à almofada.

Tenho momentos assim, do mais infeliz que por aí há...

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