Coisas que me ocorrem às 00:39
Já não tenho espaço para ser mordida nas pernas.
Vou ter de dormir no sofá, por causa de um bando de melgas chatas que se apoderou do sótão.
Melgas chatas é uma expressão parva.
ADORO
A coisa que eu mais gosto de fazer no verão, quando está uma brasa lá fora e toda a gente que eu conheço está numa praia ou piscina, é apreciar o espaçamento das margens do word, as especificidades do tipo de letra calibri ou o conteúdo de um capítulo da minha tese que parece não acabar.
Iei!
BOHO: Do boémio. Da despreocupação e do gozo que se retira do simples.
Sempre gostei de fazer compras. De comparar tecidos, de ser atraídas pelas cores; de vaguear pelas lojas só para ver coisas bonitas. Se me chateio, a minha primeira tendência é pegar no carro e ir apanhar ar. A segunda é ir até ao Chiado ou até qualquer outra zona com lojas (geralmente, um centro comercial). Não me lembro de alguma vez ter comprado algo num desses momentos, mas cumprem a sua função: distraem-me e prendem-me num mundo sem preocupações. Faço muito disso, confesso. Talvez por esse motivo, quando realmente preciso (ou quero) comprar algo, sei exatamente onde está, quanto custa e que é a melhor opção. Porque já vi, espreitei e voltei a ver todos os seus semelhantes. A mesma razão explica a minha paixoneta por saldos. É muito raro ir lá descobrir algo novo: entro e compro algo que já experimentei vezes e vezes sem conta, só por graça, só por brincadeira, e que agora está a metade do preço. Não me incomoda minimamente revirar tudo até ao último centímetro do espaço, pelo contrário. É da busca que eu gosto, quase como que se de uma caça ao tesouro se tratasse. Isso não significa que aprecie a loucura ou as enchentes próprias desses dias. A verdade, contudo, é que, exceto quando vou a pedido, não entro num centro comercial após o meio dia. Gosto de ver as coisas arrumadas e de não ter de esperar para gastar dinheiro.
Dizer que a BOHO é uma marca não irá propriamente corresponder à verdade. É apenas uma concretização de tudo o que escrevi anteriormente. É a minha forma de estar, espairecer e comprar fechada num círculo, a azul, com um coração, porque é assim que as coisas fazem sentido. Não poderia aqui contar como tudo surgiu, como se houvesse uma data para me ter tornado a pessoa que sou. Não que gostar de roupa me defina, mas faz com certeza parte de mim. Sou aquela pessoa que levam às compras para lhes descobrir o último tamanho daquele modelo que têm na cabeça e que nem sabiam bem que existia. E divirto-me à brava com isso! Lembrar-me de o fazer numa escala ligeiramente maior foi um passo natural.
A BOHO nasceu a 21 de junho, com o verão e com o meu aniversário de 24 anos e um mês. Está alojada por aqui e à espera da vossa visita. As fotografias giras contaram com a ajuda da Mia, que foi um amor e que nem se queixou quando estava de vestido curto sob um vento terrível, e com o olhar profissional do Diogo. Deles, venho falar-vos mais tarde.
Ainda sobre futebol
O meu primo abriu um bar.
Quinta-feira o jogo vê-se por lá. Há caracolada e chouriço assado! Estamos combinados?
http://www.facebook.com/DSpotKfe
Quinta-feira o jogo vê-se por lá. Há caracolada e chouriço assado! Estamos combinados?
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Pronto, ganhámos
E ainda bem, que o namorado estava a ficar nervoso e só gritava com a televisão. Depois foi vê-lo sorrir, cantar e erguer os braços. Até está a ver os Ídolos comigo, sem reclamar!
Summer stuff
Ou como eu gosto de lhes chamar: pechinchas.
Sabrinas - New Yorker (2,95€)
Chapéus - Primark (2€ cada)
Mala - Mango (6,99€ - saldos)
Outra vez a tese...e outros mais. Um autêntico filme.
Hanna Marin e Lucy Hale
Com o tempo fui percebendo que uma das coisas mais importantes da vida é ter a consciência no sítio, tranquila e sem muitas interrogações. É precisamente por isso que o assunto da tese me custa tanto; não estou em paz comigo e com o que tenho feito. Porque sei que na maioria dos dias deveria chegar a casa e agarrar diretamente no computador, em vez de ficar à conversa com os pais, os irmãos ou o periquito. Em vez de ligar a TV ou de ver um episódio de uma série em atraso. Em vez de ir namorar, jantar fora, ir ao cinema, passar no ginásio (mesmo que seja uma vez por mês). Em vez de tudo isso. E embora saiba que na maior parte de todas essas vezes preciso de me abstrair ou de seguir o caminho até à cama, porque não vim de um jardim, mas de um dia de trabalho nem sempre fácil (quase nunca), acho sempre que podia ter feito mais. E acabo por ficar à conversa com os pais, os irmãos ou o periquito, ligar a TV ou ver um episódio de uma série em atraso, namorar, jantar fora, ir ao cinema ou passar no ginásio e sentir remorsos por isso. O que é chato. Não desfruto, nem trabalho, e fico frustrada. Por isso, há dias em que realmente chego a casa e faço o esforço de agarrar diretamente no computador. E depois, bem, depois sou capaz de ficar uma hora a olhar para o ecrã e a adormecer com a máquina em cima das pernas, ou de escrever algo que no dia seguinte leio e penso se terei estado bêbada enquanto escrevia. É um impasse e um ciclo vicioso que só tem tendência a desbloquear com uma boa dose de uma qualquer bebida energética que proporcione a concentração e ajude a despertar.
Tenho tentado encontrar um ponto de equilíbrio no meio disto tudo, o meu ponto de equilíbrio. Fiz as pazes comigo e percebi (pelo menos em teoria) que não é o fim do mundo se for entregue em setembro, e não em julho. Mas cada dia que passa aproxima a data final - acreditem, os meses passam a correr, e nada de novo aconteceu desde a última decisão. Portanto, está mesmo na hora de me dedicar em força (mais ainda) e não parar enquanto isto não acabar. É isso ou receber mais e-mails do meu orientador (com tanta razão!) a perguntar-me se desisti do mestrado.
O único pequeno, colorido e emocionante detalhe no meio de tudo isto é um projeto, de nome BOHO, que avança já este sábado. Pensado, coordenado e sonhado por mim, com ajuda de muitos outros pelo caminho, é "só" mais um rouba-tempo a juntar à festa. Mas é um de que gosto tanto! Fosse a EMEL tão divertida e estava a tese escrita, entregue e defendida.
O único pequeno, colorido e emocionante detalhe no meio de tudo isto é um projeto, de nome BOHO, que avança já este sábado. Pensado, coordenado e sonhado por mim, com ajuda de muitos outros pelo caminho, é "só" mais um rouba-tempo a juntar à festa. Mas é um de que gosto tanto! Fosse a EMEL tão divertida e estava a tese escrita, entregue e defendida.
Os meus Santos Populares
O meu pai faz anos a 12 de junho. Em pequena, não dava por perder nada, e à medida que fui crescendo, não senti que estivesse a perder. Lembro-me de um ou dois anos em que saí sorrateiramente depois do jantar de comemoração e me escapei para Lisboa, pronta para a festa. É giro, divertido e uma alegria pegada, e se vivesse lá pelo meio, seria perfeito. Mas não é nada que me tire o sono e que me deixe em modo de contagem decrescente até chegar. Não estou a desvalorizar a animação, mas os meus Santos Populares vivem-se com outra tradição, uma bem familiar, como eu mais gosto. E se há alturas em que estou disposta, e com energia suficiente, para sair e aguentar a noite em claro, esta não é, claramente, uma delas. Porque pegar no carro à meia-noite, rumar a Lisboa, estar uma hora à procura de lugar e outra a andar a pé para encontrar alguém, e começar a noite lá para as 3, quando já estou mais morta do que viva, não é coisa que me apraz.
Assim como assim, tivemos por cá o pão saloio e as sardinhas feitas na brasa, com batatinha a murro e um belo de um bolo de anos para a sobremesa. À mistura, um vídeo feito pelo irmão, que eram 50 anos caramba (!), e muitas gargalhadas no ar. Eu gosto muito de confusão e de noites agitadas, mas para mim o 12 de junho tem outro significado.
Pensamento positivo (sim, eu sei que é segunda)
Mas quem sabe não será uma segunda recheada de surpresas. A minha tem algum potencial para isso, resta saber se se concretiza, ou se o resto do dia será para manter esta sensação horrível de quero voltar para a cama.
Não custa tentar convencer-me
Zooey Deschanel
Uma semana é mais do que tempo para pôr as ideias em ordem. Se, por um lado, sinto que passou a correr, por outro o que ficou para trás parece estar a anos-luz da vida que tenho feito nos últimos dias. E é bom que assim seja, porque o meu antes estava caótico, perdido e exausto. É altura de pensar no que realmente importa e no que me faz realmente feliz. Há rotinas que fazem sentido e, mais do que isso, que me fazem falta. Como acordar cedo para ir ao ginásio antes de um dia de trabalho, escrever no blogue ou deixar-me levar por uma tarde de sol e passear sem rumo. Ter tempo para me dedicar às saladas que apetecem, em vez de aquecer qualquer coisa pesada do dia anterior para o almoço, ou poder ir uma vez por outra ao cinema sem sentir remorsos. Escapar-me até à praia ou avançar com um projeto há muito na gaveta. Amanhã o dia começa com outro sentido, com outro rumo, e com uma outra vontade também. Porque dar azo à loucura que nos rodeia é apenas permitir que ela nos rodeie. Porque não fazer nada para mudar quando estamos descontentes é apenas permitir que o estejamos. E sobretudo, porque viver na sombra de uma tese e na ansiedade que os seus micro avanços provocam não é minimamente saudável. Nem que seja por só mais um esforço porque sou jovem, é um esforço que eu deixei de estar disposta a fazer na quantidade em que mo andava a exigir. Ninguém me obrigou a isto. Paguei o meu Mestrado e lutei por ele. Quis avançar com uma dissertação e vou levá-la até ao fim. Só não vou pôr os meus dias em espera por isso. Uma coisa é saber que os tenho que organizar de modo a existir espaço para trabalho extra, outra é viver em função desse espaço.
Eu bem sei que mais uns dias e o stresse da tese volta a tomar conta de mim. Mas para já, é isto. Para já, estou em paz comigo.
Um último Brunch
Sophia Bush
Os domingos tendem a fazer-me pensar em tudo o que não fiz. São tudo menos um dia de descanso, tanto que se fossem uma pessoa, seriam a personificação das listas de afazeres. Este domingo amanheceu duplamente doloroso, com o pensamento vivo de ser também o último dia de férias. E o tempo passou, como sempre, e nada do que estava programado se fez. Bem, nada se excluir uma ida ao Rock in Rio, uma tarde de cinema com a família, a viagem a Barcelona, o planeamento e concretização de uma festa de anos, a participação na abertura do bar do primo e todo um conjunto de pequenos detalhes postos em dia. Todos, claro, exceto os que dizem respeito à tese, esse calcanhar de Aquiles que dói em todo o corpo. Portanto, hoje é dia de recuperar essa parte e deitar mãos à obra antes que todo o stresse e correria dos dias de trabalho volte. Mas antes, antes pareceu-me adequado encerrar a parte boa do domingo em grande - aquela em que ainda se finge ser um dia de preguiça. Peguei nos irmãos e arrastei o namorado para o Cais de Roma e fomos deliciar-nos (comemos demais!) com um Brunch. Ovos mexidos, empadas, pretzels com salmão fumado e queijo creme, salada com queijo feta, tomate com mozzarella, panquecas, sumo de ananás e hortelã, de melão com cenoura ou só de laranja, foi de tudo um pouco. Tenho pena de ter deixado a sopa para outro dia, mas estava incapaz de voltar a abrir a boca. No meio de muita risada e de um ambiente tranquilo, com um atendimento simpático e extra prestável (fartámo-nos de pedir sumos e águas!), o meu domingo teve um fim absolutamente espectacular. Que comece a pré-segunda, venha ela.
2 em 1: Não é domingo, mas apeteceu-me
Shay Mitchell
Desde que a minha irmã avariou a torradeira cá de casa, tenho usado o forno para fazer torradas. É claro que a ideia não agrada, de forma nenhuma e em nenhum planeta, o meu pai. Gastas muito para dois pedaços de pão. Hoje decidi dar-lhe a volta. Antes do habitual ralhete, já eu estava de batedeira empunhada e de ovos prontos a partir. Mãos à obra! Usei a mesma massa de base (de queijada), mas dividi-a em duas partes: uma para as formas pequenas, e outra para a forma redonda e grande. Às primeiras juntei compota de morango e açúcar normal no topo, reforçou a baunilha da mistura. O restante foi polvilhado com canela e açúcar em pó, deixando o sabor do leite vir ao de cimo. A própria forma alterou-lhes a textura e até o sabor: as primeiras estão crocantes nas pontas e fofas no meio; enquanto a segunda parte foi ao frigorífico e está uniforme, compacta e fresca como uma boa queijada. Ficam as fotos das pequenas e respetiva receita. A grande ainda está a arrefecer, mas podem vê-la aqui.
Só com açúcar, estilo bola de berlim
2 ovos, 300gr de açúcar (uso amarelo), 100gr de farinha normal, 30gr maizena, 1/2 litro de leite, raspa e sumo de 1/2 laranja ou limão (usei limão desta vez), 2 colheres de sopa de extrato de baunilha. É só misturar tudo e levar ao forno! Fácil, fácil. Estes daqui levaram ainda o açúcar e a compota de morango da avó, mas desde canela a nutella, cacau ou amêndoa em pó, todas as opções são válidas e quem manda é a imaginação.
Barcelona parte II: Casa Dover
Comecei a planear esta viagem ainda em março. Não só porque a oferta era para abril, mas também porque queria garantir as melhores estadias, os melhores horários de voo e os melhores preços, evitando a tomada de decisões de última hora e o contentamento com o que sobra. É claro que, fazendo este programa parte da minha vida, algum percalço teria que ocorrer (sobre esta minha sina irei falar mais tarde). Armada em chica-esperta, já de hotel reservado e de namorado satisfeito com o presente, espreitei um desconto num popular site do género, e toca de cancelar o primeiro e fazer a troca: o segundo espaço era mais perto, tinha piscina e sauna incluída e ainda ficava uns euros mais barato. Perfeito. Já sabendo o que a casa gasta e conhecendo as reclamações feitas nestas plataformas, antes da compra contactei o hotel. Certifiquei-me de que teriam vagas para os dias pretendidos (mudar o avião saía-me ao preço de dois hotéis, dos bons), e lá fiz o pagamento. Os três dias seguintes foram passados a enviar e-mails e a tentar fazer telefonemas para garantir aquelas noites para mim. Nada. Nada de resposta de um ou de outro lado. Atenderam-me uma vez e pediram para ligar mais tarde porque ninguém falava inglês (?) e eu, confesso, sou uma nódoa a espanhol. Mais umas quantas tentativas e nada de novo. Fui espreitando o site do hotel e ainda o do booking, para ter a certeza de que os quartos continuavam disponíveis, embora ficasse cada vez mais preocupada. Ao fim de 15 dias lá recebi uma resposta: Lamentamos, mas não temos nenhuma opção de ocupação para as datas que pretende. Perguntei como era possível, já que via mais de 70% dos quartos vagos online. E responderam-me, com uma cordialidade daquelas que irrita, que o que eu dizia apenas provava (assim, exatamente assim, como se estivéssemos em julgamento), que tinham quartos disponíveis no hotel, e não que tinham quartos disponíveis para mim, que "comprei" um voucher, mas que caso quisesse pagar o preço total não haveria qualquer problema. Claro que não achei a resposta minimamente satisfatória. Lembro-me de ter ficado com vontade de espetar palitos nos dedos do senhor. Cheia de boa fé, perguntei então se poderia pagar a diferença, se o voucher poderia ser convertido em serviços, se abdicando do SPA era possível, eu sei lá. Nada. E um nada com uma arrogância crescente, do lado de lá, mesmo eu tendo explicado a situação, mesmo tendo dito que falei com eles antes de fazer a compra porque só queria mesmo para aquelas datas. Às tantas, recebi um e-mail que me aconselhava, numa próxima, a ler as condições de compra antes de me aventurar. Como se soubessem ou deixassem de saber o que eu tinha ou não lido. Quase explodi.
Virei-me para o site de descontos, sem qualquer esperança. Dali já sabia que ouviria um não nos responsabilizamos pela disponibilidade do hotel. Exatamente por isso é que eu achava tê-lo feito. Li tudo, tudo para a frente e para trás, todos os regulamentos, todas as pequenas linhas. Tudo o que tinha lido antes, mas com três vezes mais atenção. E eis que a loucura compensa: até 14 dias era possível pedir uma devolução. Ora bolas, este era o 15.ª. Nova contagem, com mais calma. A compra foi feita já de noite, esse dia não pode contar como primeiro, certo? Se eu pago às 21, só nas 21 seguintes se fazem as primeiras 24 horas. E a teoria funcionou. Pedido feito e dinheiro devolvido ao fim de quase duas semanas, diretamente para o cartão e sem nenhum aviso ou explicação. Foi da maneira que saiu reforçada a minha ideia de não voltar a fazer lá compras. Faço por tantos outros, suposta concorrência, mais pequenos e menos conhecidos, e sempre correu tudo bem. Vou aos grandes e é isto. É lógico que até hoje ninguém me tira da cabeça a coincidência que foi a resposta do hotel no suposto 15.º dia, quando alegadamente eu já não poderia reaver o dinheiro, e especialmente depois de me terem atendido na hora e sem problemas no dia da compra, e de repente terem desaparecido do mapa.
Aventuras à parte, acabei por me encontrar, à última da hora e já com preços exorbitantes, a vasculhar no que sobra. E tal como os melhores planos são os não planeados, também os melhores achados nascem dos estados mais caóticos. Foi assim que descobri a Casa Dover. Com um conceito de Bed and Breakfast e um rapaz que nos recebe, no primeiro dia, e lá volta todas as manhãs caso precisemos de algo; com toda a comodidade ao nosso dispor, wi-fi gratuita e uma sala de convívio que nos faz sentir em casa, acabou por sair melhor a emenda que o soneto. Os quartos eram limpos e arrumados todas as manhãs, o anfitrião era dos que nos explicava tudo, desde o funcionamento do ar condicionado aos caminhos e locais a visitar, o pequeno-almoço um mimo, numa mesa partilhada para fomentar o convívio e a decoração impecável. Chocolate, café e chá sempre à nossa disposição, um frigorífico para os mantimentos, micro-ondas e torradeira. Gostei, e é para voltar.
Aventuras à parte, acabei por me encontrar, à última da hora e já com preços exorbitantes, a vasculhar no que sobra. E tal como os melhores planos são os não planeados, também os melhores achados nascem dos estados mais caóticos. Foi assim que descobri a Casa Dover. Com um conceito de Bed and Breakfast e um rapaz que nos recebe, no primeiro dia, e lá volta todas as manhãs caso precisemos de algo; com toda a comodidade ao nosso dispor, wi-fi gratuita e uma sala de convívio que nos faz sentir em casa, acabou por sair melhor a emenda que o soneto. Os quartos eram limpos e arrumados todas as manhãs, o anfitrião era dos que nos explicava tudo, desde o funcionamento do ar condicionado aos caminhos e locais a visitar, o pequeno-almoço um mimo, numa mesa partilhada para fomentar o convívio e a decoração impecável. Chocolate, café e chá sempre à nossa disposição, um frigorífico para os mantimentos, micro-ondas e torradeira. Gostei, e é para voltar.
Antes de qualquer outra coisa: Barcelona
Vicky Cristina Barcelona, 2008
Barcelona foi uma prenda interesseira. Dei-lha, no dia em que fez 24, com passagem e dormida a contar comigo. Queria viajar, já sentia a falta do cheiro do aeroporto - que, a propósito, era maioritariamente a suor no início desta semana. Os lugares novos, as línguas diferentes, os sabores exóticos e um sol para o qual olhamos sempre de outra forma. Os dias parecem maiores, mais bem aproveitados, e as noites tornam-se mágicas, mesmo com programas que também cá teriam o seu lugar. A Barcelona nunca tinha ido. Ainda que prevendo todos os anteriores pequenos grandes detalhes, e mais do que avisada de que iria gostar, não estava à espera do que fui encontrar. Dei comigo a sair de casa todos os dias, completamente perdida nas ruas, sem saber para que lado olhar e que ângulo fotografar em primeiro lugar. Dizia-lhe e ouvia-o com a mesma conversa: olha aí...e para ali...olha que giro! Deixámos muita coisa por ver e uma promessa de volta no ar. É que até a chata da chuva deu outro encanto à primeira noite. Senti-me parte de um filme do Woody Allen que eu não sabia que estava a ser rodado, passeando num cenário com traços perfeitos, tão desenhado que não poderia, de certeza, ser real.
Passeig de Gràcia
























