Deixem a minha miopia em paz!

                                Ian Somerhalder & dispenso aquele anel azul

(Uma hora antes)
Conduz ai tu, que eu estou mesmo cansada e não me apetece de maneira nenhuma.
Ok. (Apenas "ok", sem qualquer outro comentário, expressão ou respiração estranha).

00h00: Ao entrar na rotunda, a 2km de casa, com 2 carros da polícia e uma operação STOP.

Estamos tramados.
Porquê? (levanto a cabeça de um quase estado de sono)
Estão a mandar-nos parar e eu não tenho documentos.
Como não tens documentos??????!
Não tenho, nunca ando com eles, não sabes?

Boa noite senhor condutor. Os seus documentos, por favor.
Pois, os meus é que eu não tenho.
Não tem?
(Estendo os do carro. Polícia confirma o seguro no papel e no vidro)
Não tenho não, só estou a conduzir porque ela tem problemas de vista. (Eu o quê????)
Então e como é que faria se eu o prendesse agora? Quem é que ficava a conduzir?
Eu conduzo! Não tenho problemas de vista nenhuns! Estava só cansada...
Tem carta?
Sim, temos todos carta neste carro (aponto para a irmã no banco de trás)
Então tudo bem, conduzam com prudência e não se esqueçam dos documentos.

Escusavas era de lhe ter dito que eu era deficiente.
Não disse nada disso, só que tinhas a vista cansada.
Chamaste-lhes problemas, sabes? Não tenho problemas nenhuns. Sempre fui perfeitamente capaz de conduzir! Qual é a tua? Tu é que tens problemas. Só te pedi porque não me apetecia, sabes bem disso. Era só o que me faltava..."problemas de vista". Eu uso os óculos a conduzir, sim? Não podias apenas ter dito que eu estava cansada e te pedi? Chama-se verdade. "Problemas de vista", "PROBLEMAS DE VISTA"....!
(entre risos) Olha, pronto, o que é que tu queres? Foi o que me lembrei.

É que, ainda por cima, se há pessoa que conduz com óculos giros sou eu.
Hoje já lhe estive a explicar que, se for preciso, vejo melhor eu de lentes do que ele sem nada.
Senti-me profundamente discriminada. E o polícia era novo, sorridente, simpático e giro. Está bem que ao meu volante ia o namorado, mas eu também não o faço passar por incapacitado cada vez que há uma cara laroca pelo caminho. É preciso ter lata. Ou experienciar uma multa iminente e dizer o primeiro disparate que se lhe vem à cabeça.

É bem capaz de ter sido esta última.

Coisas em que eu penso e que não interessam a ninguém

                                                                                                   Lucy Hale

Que se diz que uma mulher fica sempre mais elegante de saltos altos, é certo e sabido. Estamos mais altas, em geral, mais confiantes (excepto se tivermos tanto medo do tacão que cada vez que o usemos seja para cair) e, como é normal, com as pernas mais definidas. O músculo espreita e fica tudo muito mais realçado.

Ora, eu, que sou metro e meio de profunda sabedoria, fã de centímetros na sola até dizer chega, prefiro ver-me de saia e rasos do que o oposto. Isto porque me parece que nada de bom advém do realce dos gémeos. Eles, que tão bem ali estão, encolhidos nas sabrinas, saltam e exibem-se como se não houvesse amanhã, em proporção com a altura do sapato. E eu pergunto-me: Porque é que mulher alguma, no seu perfeito juízo, iria querer “inchar” a perna propositadamente? Pois que não sei, é uma das perguntas existenciais que assolam a minha existência. Isto, claro, assumindo que essa mulher não é uma das Heidi Klums deste mundo, que aí tudo o que inche só traz valor acrescentado. Creio que temos sido enganadas ao longo de décadas e décadas da “elegância do salto”. Eu gosto muito deles, pois que adoro e não me vejo sem. E aprecio a sensação de me sentir mais alta, com pernas longas e aparentemente mais esguias. Mas se me lembro de ficar parada, assim coisa de 10 minutos, a olhar para a parte de trás, por baixo dos joelhos, começo a ver defeitos em tudo o que nos torna crescidas.

Hoje vim de saltos altos, tão altos que, se o pé tivesse acompanhado o meu crescimento em altura, teria passado do meu modesto 36 para um 42 num abrir e fechar de olhos. Já não andava assim tipo arranha-céus há um bom par de meses. Calçava uns agulha, volta na volta, 7 cm máximo, nada de exageros. Estes devem andar pelos 15cm. E porque me lembrei de filosofar sobre a altura dos sapatos? Bom, não é que tenha que existir propriamente uma razão para falar disso, é sempre tema de top 10 na cabeça de qualquer exemplar do sexo feminino. Comecei, aliás, com pensamentos destes logo cedo, ainda no metro, enquanto tentava não desligar e adormecer, admirando o novo verniz dos pés. E quanto mais pensava, mais me convencia, mais tinha a certeza de que estaria muito, muito certa da cabala que por aí se formou e que faz a mulher crer numa melhoria sem limites (é isso e a história das calças pretas).

Mas a verdade verdadinha é que hoje, assim vestida do mais simples que há – calça básica e top liso, passo na rua e é piropo atrás de piropo – quase sempre daqueles que não se quer ouvir, e vindos de espécimes com ar suspeito. E eu até posso andar com a cabeça baixa, a falar o telemóvel e com tanto cabelo na cara que se por traz da franja estivesse um rinoceronte deformado eles não dariam conta. E até ando, falo e estou assim; e ouço, na mesma. Posto isto, resta-me assumir que as alturas têm, de facto, um encanto que eu desconheço.

A não ser que seja do calor.

Verão, sexta-feira a meio da semana, saldos e 'the glades'


Sounds perfect to me...
É claro que o último trabalho do semestre ficou pelo caminho.
Ainda falta para 30 e eu estou numa de procrastinação completa. É isso e sol. Quando deixar de me assemelhar a uma posta de pescada iglo vou ser uma pessoa feliz.

O meu canto de paz


Um dos meus sítios preferidos. Praia da Galé, Albufeira. 

Ai é domingo? ou de como eu sou uma verdadeira fada do lar IV

Pizza de tomate, bacon e manjericão

Guacamole com batatas fritas (para quem, como eu, não gosta de tiras de milho)

Salada de queijo feta e maçã

Carcaça de lenha tostada no forno

Cá por casa, jantou-se assim.

"Make love, not war"


Foto real. História aqui.

Levezinho, com boas vozes, bom para a tarde

                                                                                

Sonho meu

                                                                                                    Kristen Bell



Esta noite acordei a rir-me às gargalhadas.
Isto porque estava a sonhar com um semáforo que estava vermelho e passou a amarelho, em vez de verde.
Tem toda a lógica do mundo, eu sei.

lucky lucky me | Coisas que só a mim acontecem

                                                                                                Annalynne Mccord

1. O banco do pendura do meu carro engole os objectos que lá coloco: há um mês foram os óculos, a semana passada foi a caixa do novo par;

2. Hoje, durante mais de vinte minutos, pus 3 pessoas à procura do meu telemóvel cá em casa. Evaporou-se, sem ninguém ter percebido como. Ameacei os presentes com a minha ausência de disposição para cozinhar o jantar caso não me ajudassem. Ao fim de um tempo, depois de ter andado tudo de rabo para o ar, dei com ele no meu bolso;

3. Há coisa de cinco minutos estava ao telefone com ele, enquanto limpava  as lentes dos novos óculos, tão pouco usados que ainda cheiram a novo. A meio da conversa, e disposta a dar descanso à vista, abri-os para os colocar na cara. Fiquei com a haste direita na mão - coisa estranha que coincidentemente acontece logo após os ter mandado apertar.

Ora, se não é sorte, ainda não percebi que mais possa ser. Se há vida cheia de emoções é a minha.

Não sou ninguém se o quarto não se encher já de melgas.

[agora no campo amoroso] Ainda sobre traições

                                                                                        The Romantics, 2010

Pois que são filmes, e filmes trazem banda sonora e bons actores. Mas este é um grande filme, e uma prova do grande ecrã de que nada é tão linear quanto possa parecer. Ficção? Sim. Todavia, com uma mesma conclusão que a trazida do real: a aceitação do que aconteceu não vem do perdão, mas do medo de perder.

Nunca digo nunca, mas nunca o faria

                                                                                                      Emma Watson

Acredito piamente que é necessário gostar muito pouco de quem somos para suportar e compreender uma traição.

Não falo de perdões, que isso, como tudo na vida, é coisa que vem com tempo e paz de espírito, e nada deve ter a ver com a continuação de uma relação, seja ela de que cariz for. Acaba aí. É claro que nos filmes as coisas assumem sempre outros contornos e, quase sempre, acabamos a torcer por ele, ou por ela, que puseram a pata na poça, mas que são queridos, românticos e estão arrependidos. São filmes, pois está claro, mesmo obedecendo a cópias fiéis do que tantas vezes acontece na rua, não deixam de ser filmes, a beneficiar da banda sonora e da cumplicidade dos actores. "Nunca" é demasiado forte para uma existência que é finita, mas "sempre" é exactamente o tempo certo para a pulga atrás da orelha, e ninguém deve viver assim. Confiança é sentimento para levar uma vida a construir e cair no minuto seguinte, talvez por isso seja uma base que não deve, nem pode, ser quebrada. Não sou ninguém para condenar, e o que para mim hoje é "nunca", um dia poderá vir a ser "uma vez", só o momento o dirá - esperemos que não, mantendo profundas convicções de que mais se aproximará de um "adeus". De qualquer das formas, também não sou boneco e exijo de quem gosto o mesmo respeito que por eles demonstro. Se, para mim, a traição é condenável - independentemente do seu âmbito -, idem para quem a exerce. Ainda assim, o que mais me arrepia, o que mais me complica o sistema nervoso, é quem a aceita.

É por isso que quando ouço histórias aqui e ali, de traições que ocorrem não uma, não duas, nem três vezes, mas repetidamente, fico cheia de comichão e muitas dúvidas sobre o tipo de pessoas que lhe fecham os olhos, como se nada fosse. Porque é impossível não saber, é impossível não desconfiar, não ter sinais, não sentir, não notar, não se permitir acreditar no que se vê. E é muito triste que assim seja.

Estou careca de dizer que O amor não pode ser tudo.

Dramas de uma recém-apaixonada*

                                                                                                                      Jennifer Aniston

 Problema #2 - A anulação da personalidade

Quase sempre pela hora de almoço, conta-me ela que a vida ainda não vai certa, que a relação teria tudo para resultar, mas que, por algum motivo, não dá. Ora é ele que não a deixa pôr um ponto final, ora é ela que se perde entre o gostar, o não gostar e o não querer voltar a ficar sozinha. Diz que não sabe o que lhe aconteceu, e balança dividida entre a vida de hoje e a vida que tinha, que não era, contudo, satisfatória na altura. Houve sempre uma parte em falta, e ela achou ter encontrado essa parte; talvez por isso se tenha deixado anular em função de um desejo antigo.

Não é de hoje a conversa dos amigos que se perdem em relações, daqueles que conhecemos, que deixam de ser quem são para, de repente, viverem um para o outro. "Hão-de ficar sozinhos quando acabarem, afastaram tudo e todos à volta". E quanto mais assim se pensa, mais assim se ouve pensar, mais desejamos que assim não seja. É preciso sermos sempre dois, mesmo enquanto um. Qualquer outra conta, deixa de ter volta a dar. Por muito que se goste, por muito que haja cumplicidade, carinho e conforto: se nos habituámos a ser as pessoas que outrora criticámos, se não nos reconhecemos na nossa rotina e se, acima de tudo, estamos muito conscientes desse facto, então não vai resultar.

Ninguém permanece igual e indiferente. Não somos imutáveis, e criar laços será sempre a antítese dessa ideia, quanto mais não seja porque nos disponibilizamos a fazê-lo, abdicando de outras partes de nós, de que nem sequer sentimos falta. O problema é quando damos conta, como ela; é quando estamos perfeitamente cientes que abdicámos demasiado.

* Esta rubrica é inspirada na vida real. Não na minha, que nestas coisas é mais pacata; mas em uma ou duas outras, cheias de deliciosas peripécias.

Horas de almoço semanais

Trabalhar em Lisboa e não fazer compras é tão frutífero quanto impedir Adão de comer a maçã.
Ainda por cima abrem-me uma Blanco no Chiado. Não há quem aguente.




Já que não há maneira de acordar depois das 6h00, a partir de amanhã começo a aproveitar a aurora para a corrida matinal

Hoje já dei um pulo à Fnac e trouxe de lá um leitor de MP3 jeitosinho, minúsculo como se quer e com bracelete de exercício. Faltam-me é as musicas para a playlist. Sugestões? Nada que me faça voltar para a cama...!

Ainda por cima, eu dei-me ao trabalho de vir aqui deixar bem claro que por estas bandas se pedia apenas tranquilidade...

                                                                                                  Angelina Jolie


...ora, reboques e sustos de roubo parecem-me exactamente o oposto.
Há quatro noites que não prego olho. Há vários dias que acordo com o sol a nascer. Dou voltas na cama, lembro-me de coisas que já vão longe e ando angustiada não sei bem com quê. Fico com os olhos muito abertos, ainda com a cabeça na almofada, sem conseguir voltar a fechá-los, e todavia sem saber em que pensar. E entro naquele momento branco, em que não durmo, nem acordo, não penso se não que não estou a pensar, e lembro-me que hoje, só hoje, devia ter respostas, mesmo sem perguntas. A juntar, pois está claro, uma vitória do PSD que eu ainda não compreendi. Se me continua a sair tudo assim, meio ao lado, já não tarda muito para ganhar corcunda.

Há coisas do diabo...

                                                                                Natalie Portman

Ando há meses para deixar no porta-luvas os papéis do seguro do carro. Há tanto, tanto, tanto tempo que me convenci de que ainda não os tinha guardado e que continuavam em casa, cá pelo escritório. Por isso mesmo, quando hoje saí para o trabalho, vinda de uma noite mal dormida, daquelas em que acordo várias vezes a pensar nas coisas que me faltam fazer e a sentir pontadas de ansiedade; fui todo o caminho a pensar que qualquer dia ainda era apanhada pela polícia, que me devia deixar de brincadeiras e desafios à sorte e que à noite, assim que chegasse a casa, tratava de tudo. Fiquei preocupada, andei o dia a pensar nisso. Foi manhã e tarde de cisma sem explicação, sem motivo ou razão.

Pois que assim que voltei ao estacionamento, decidida a chegar a tempo ao Mestrado e a aproveitar a última aula da cadeira, fiquei zonza, quieta e semi-parva no meio da estrada, a olhar para um lugar outrora ocupado pelo meu carro. E olhei, pensei que estivesse confusa, esquecida e baralhada - não é, de todo, algo impossível - e andei às voltas, à procura de algo que sabia que não iria encontrar. Porque hoje lembrava-me, lembrava-me perfeitamente de onde tinha deixado o carro. Dei 20 cêntimos a um homem que apontou o espaço no estacionamento, a um homem que eu nunca vira por lá, que não é zona onde costumem aparecer arrumadores a pedir moedas. Ele riu-se, eu desejei-lhe bom dia, estendi-lhe o dinheiro e não olhei mais para trás.

Talvez assim compreendam como consegui ficar minutos a fio a olhar para um espaço onde agora estava outro carro. Talvez assim se perceba que me tenham vindo perguntar se algo se passava. Só assim se pode registar o meu espanto e emoção quando voltei a ver o meu pequenino, preto, cheio de batidelas, sem um "S" no modelo e com as manias que só ele sabe ter. Ainda ontem o meu pai dizia que só se dá valor ao que já não se tem. E é bem verdade. Eu nem quis saber do que o polícia dizia, só parei para ouvir quando me atirou um papel para a mão, pediu que assinasse e me deixou ir à garagem buscar o carro. Isto tudo porque, afinal de contas, tinha os documentos todos em dia e, sem me lembrar, até já os tinha colocado no porta-luvas. De outra forma, viria para casa a pé. Não muda o desenvolvimento da história, nem foi nos moldes de operação stop que previa, mas a verdade é que passei o dia a pensar nos papéis, convicta de que algo poderia hoje acontecer. Estranho, certo?

Nota: Quando o vosso carro desaparecer, sem deixar aviso, pista ou morada de devolução, telefonem para os reboques. É certo e certinho: quase sempre estão por lá mais de cem euros à espera de vos serem cobrados.

por aqui pede-se tranquilidade, ar puro e alguma magia

Chamam-se eleições

Significa que podemos eleger.
E eleger implica uma escolha.

Mas há tantos que ainda não o fazem e outros mais que desistiram de o fazer. E depois ouvem-se comentários que exprimem um "tanto faz, um ou outro é igual", porque se pensam em caras, simpatias e empatias. Faltou o voto no partido que se quer, e que deu antes lugar à cruz do contra. É a mesma história de quem não é verde por preferência sportinguista, mas de quem se diz anti-benfica.

E essas coisas dão-me a volta ao estômago. Porque mudar de rumo não é necessariamente mudar de rosto; e porque os rostos não são todos iguais. Para onde é que foram as leituras dos programas dos partidos, a reflexão ideológica e o pensamento sobre os diferentes tipos de política? Não foram, com certeza.
© POST-IT AMARELO 2014 | TODOS OS DIREIROS RESERVADOS

PARA MAIS INFORMAÇÕES:
♥ dopostit@gmail.com
♥ https://www.facebook.com/postit.amarelo
imagem-logo