Coisas da vida

- Entre terça e quarta-feira andei permanentemente enjoada e a tomar cortisona.
- Os dois factos estavam relacionados.
- Ontem fui ao pneumologista e brindaram-me com a seguinte constatação, logo à entrada: "está mesmo a precisar desta consulta". Não, era só para a riscar da lista de especialidades que ainda não visitei este ano.
- A quiche que o meu pai fez ainda piorou o enjoo. Não a trouxe para o almoço do dia seguinte.
- Tive que sair à rua para comprar comida, mesmo estando cheia de tosse, mesmo estando um frio de rachar.
- Comprei uma sopa no Celeiro. Estava azeda e estragada.
- O antibiótico, os dois anti-inflamatórios e o anti-histâminico que o médico me passou ajudaram-me a dormir sem tosse.
- Fiz uma distensão muscular na perna e passei a noite a acordar com dores, a cada vez que me mexia.

Um país a zelar por mim

- Bom dia! Vou querer um sumo de laranja fresco, se faz favor.
- Natural?
- Não, fresco.
- Natural menina, com essa tosse é o melhor.

Isto não está nada fácil

                                                                                                                    Elle Fanning

Muita tosse. Tanta que já não tenho forças para tossir. Fosse transparente a pele e já aqui garantia dois pulmões vermelhos, não de saudáveis, mas de esforço. Uma traqueia destruída. Talvez não uma garganta. Tem sido demais para a última. Vómitos de tanto tossir. Lágrimas nos olhos, porque não pára. Febre. Horas no centro de saúde, que o médico de família não estava nas urgências. Aerossóis. Cortisona. Casa. Muito frio, arrepios o tempo todo. Diz que para confirmar pneumonias e que tais amanhã deveria ir ao hospital, tratar de um raio-x. Não preciso de saber o que tenho para ser mais feliz. Ora se nem a médica sabia.  Só que estava mau. Estava tudo mau na respiração. Preciso apenas que pare. De preferência, já esta noite.

Não durmo bem há uma semana caramba. 
Haja piedade.

Comer ou não comer

A manhã de segunda começou com um Teste de Intolerância Alimentar. Tenho duas páginas de alimentos que devo evitar - na realidade, esta secção ocupa apenas meia página -, e mesmo retirar da minha vida para todo o sempre (todo o restante documento). Assim para já, preocupa-me essencialmente o peito de frango (posso comer perna, mas a perna não se desfia nas saladas e nas quiches da mesma forma), as tangerinas (eu como todos os dias, TODOS os dias), os ovos (essencialmente a clara), o fermento (oi? como é que como pão?), a abóbora (que vai sempre na sopa) e a sangria. Sangria é, praticamente, a única bebida alcoólica de que gosto. O médico ainda me lembrou que o vinho branco e o tinto estavam a salvo. Mas eu gosto deles é com a fruta, o açúcar amarelo, o pão de canela e a gasosa. Falando nisso, nada de água mineral com gás (embora com a Coca-Cola esteja tudo bem) ou de fructose. O leite meio-gordo também não. Gordo tudo bem. Magro sem problemas. Meio-gordo, que é o que há lá por casa, é que não. Posto tudo isto, estou a modos que tramada.

O lado positivo, para além de ter passado a ter mais conhecimento sobre o meu organismo em concreto, e não sobre o funcionamento do corpo humano em geral, como vem nos livros, é que, de acordo com a minha estimativa muito pouco científica, cerca de 80% das minhas intolerâncias são coisas a que eu não ligo, ou de que nunca gostei. É engraçado. Parece que temos tendência a afastar-nos, mesmo sem saber porquê. Tirando os pequenos grandes desastres acima referidos, a lista está repleta de alimentos que já não me despertam grande curiosidade há muito tempo, como a carne de porco, vaca e peru, o kiwi, a manga ou o feijão frade. Tudo coisas que eu adorava há uns anos, e que agora só toco se não houver mais nada. Não é que desgoste, mas não são a minha primeira escolha. Por outro lado, coisas como pipocas, marmelada, gengibre, morcela, favas ou salmonetes nunca fizeram parte do reportório. Menos mal.

É claro que deveria ter começado este post por explicar de que raio estou eu a falar: um Teste de Intolerância Alimentar é uma ferramenta que nos permite descobrir que alimentos interferem com o nosso sistema digestivo. Só e apenas. Não desvenda alergias. Não mede os nossos níveis de açúcar no sangue. Serve para o seu propósito e ponto final. E qual é o seu propósito? Ensinar-nos a ler os alimentos de acordo com a relação bioquímica que têm com o nosso organismo. Independentemente das calorias, que já nos habituámos a reconhecer e a usar para rotular os alimentos de bons e maus, como me lembraram hoje. Com este teste, mais do que isso (embora essa nota não deva ser descurada) sabemos quais os que são bons e maus sim, mas para nós, para o nosso corpo. Eu, por exemplo, não posso comer alface frisada.

Fiz o teste na Clínica em Forma, em Lisboa. Antes que se assanhem, posso garantir-vos que este não é um blogue suficientemente fixe para receber patrocínios, por isso se estou a publicitar algo, de alguma forma, é apenas porque me apetece falar sobre o tema. E se refiro o espaço, é somente porque é o único que conheço, um em que fui bem tratada, e uma referência que acredito ser de qualidade e que possa ser útil para quem queira experimentar. O que eu fiz, foi por biorressonância. Sentei-me numa cadeira, durante aproximadamente 50 minutos, e o médico que me acompanhou ia tocando com uma caneta na ponta dos meus polegares, alternadamente. E foi só. Vimos 29 grupos de alimentos, e entre cada um, lá me foi explicando que intolerâncias e sensibilidades eu tinha. No fim, o relatório foi impresso e veio comigo no bolso. Existe a alternativa através de análises sanguíneas (300 euros, 1 mês para os resultados). O que me explicaram foi que, hoje, a fiabilidade já é muito equivalente. O custo deste teste é de 120 euros e a informação é imediata.

E o que é que provocam os alimentos a que somos intolerantes? Ora bem, atuam em três vertentes: 1) desencadeiam processos inflamatórios do nosso organismo para os expulsar - e essas inflamações são terreno fértil para desenvolvimento de outras doenças; 2) contribuem para a oxidação do organismo e, portanto, para o seu envelhecimento precoce e 3) irritam o intestino, que é onde reside grande parte do nosso sistema imunitário. Por outro lado, pensamos que estamos a ter uma alimentação correta - se realmente assim o for - quando não estamos a ingerir sequer os nutrientes que planeámos. E depois podemos sentir de tudo: inchaço abdominal, enxaqueca, dor de cabeça, obstipação, entre vários outros. Pior é quando não sentimos nada. Ou quando sentimos, dias depois, já sem conseguirmos relacionar a nada. A intolerância está lá e pode ser tão ou mais forte do que aquela que já identificámos. Para quem quiser perder peso, é também uma grande chatice. Se o corpo não absorve...

Agora vou ali deprimir um bocadinho e pensar que, muito provavelmente, deveria tornar-me vegetariana (esqueci-me de mencionar a enorme lista de peixes intolerantes?).

Info aqui: http://nutricao.emforma.pt/intolerancia-alimentar.html

Hoje aprendi que não compensa ser honesta



No Jumbo, à hora de almoço. Sandes e bebida, dois euros e noventa e nove. Diz que é promoção, menu gastronomia. Trago lanche também. Chego à caixa, daquelas em que passamos nós os artigos, para ser mais rápido. Então e agora? A sandes tem o código original, um euro e noventa e nove. A bebida, um autocolante grande a tapar as barras. Boa tarde, desculpe, como é que se passa esta bebida? Faz parte de um menu. A resposta, tremida de apressada, e de quem está pouco confiante: Basta passar a sandes. Ora então, mas se a sandes é menos um euro que todo o menu, a quem pago a outra moeda? Esperta que sou, lá chamei a senhora à atenção. E foram vinte minutos, vinte minutos de telefonemas, patinadores, colegas que não atendiam na gastronomia, e outras que vieram de outras caixas, para ajudar. Vinte minutos para passar a porcaria de um código. E para pagar mais. Um euro a mais.

E eu nem queria mesmo a Coca-Cola. Trouxe porque sim, porque fazia parte do menu e estava fresca.

O dia depois de ontem

Ontem não podia comentar, não podia vir para aqui contar. Ontem, ele poderia ter lido e a surpresa deixaria de o ser. Eu sei que não é fixe gostar do Dia dos Namorados. Mas sei lá, eu gosto. Dá-me mais uma desculpa para estar com ele, que não vive ao virar da esquina. E é uma data que me traz boas recordações, daquelas que valem ouro, porque nos fazem sorrir. Da infância, dos primeiros anos da adolescência e pouco mais. Dos miúdos encavacados e dos peluches que diziam i love you em grandes corações vermelhos. Eu sei que é uma pirosada. Mas é a minha pirosada, que está guardada no armário e me lembra dos amigos de outrora. Das vezes que eu corava, dos risinhos estridentes e de como me sentia a rainha da escola, com um saco cheio de bilhetinhos, canecas e ursos, ao final do dia. E as cartas? Mesmo aquelas que não chegaram com a efeméride. É assim que eu as guardo dentro de mim: como pequenas partes do Dia dos Namorados. A maioria perdi. Foi fora, junto com os bichos do papel que inundam os sótãos. Gosto do dia, não porque goste mais dele, porque não discuta, não bata o pé ou de repente viva num mundo encantado. Gosto porque gosto e pronto. É fofinho. E eu sei que fofinho não é um termo muito adulto. Mas miminhos, abracinhos e beijinhos também não. E eu também gosto é deles assim, com os diminutivos todos. 

Ontem não podia comentar, mas estava de hotel marcado. Porque uns tempos antes tínhamos lá encontrado família dele, e achámos piada ao sítio. O preço era em conta, e havia a piscina, a sauna, o banho turco... Foi como um chamamento. Passei os dias seguintes no vai-não-vai-reservo-não-reservo. E pouco importava a data. Agradava-me a ideia de sair do trabalho e cinco minutos depois estar numa piscina aquecida. De dormir numa cama gigante que eu não tive de fazer e de poder sair e deixar tudo desarrumado. De voltar à minha vida, e à rotina, como se não tivesse passado as últimas horas em sensação de férias, descanso e abstracção absoluta. Mas faltava pagar as propinas da faculdade, tirar dinheiro para a poupança, levar o carro à revisão. Telemóvel, combustível, ginásio e todas as obrigações, que estão primeiro e que este mês, pareciam calhar todas juntas (como sempre, claro). Ainda por cima, a irmã faz anos (hoje!). Mês planeado, valores já acordados e nem foi tarde nem foi cedo. Segunda-feira o carro saiu da oficina. Terça marquei o hotel. É Dia dos Namorados quinta? Melhor. E pronto, foi assim, tudo muito simples, tudo sem grandes floridos, tudo resultado da cedência a um impulso que conseguiu ser pensado. E lá fomos. Ele não sabia, mas veio agarrado a uma boneca que eu queria (sim, uma boneca). Eu pedi a ajuda da mãe, que foi cumplicie do plano, cumprindo, brilhantemente, a tarefa de enfiar no carro da criatura uns chinelos e um fato de banho, assim como quem não quer a coisa (não podia, simplesmente, dizer-lhe para os trazer). A noite foi tranquila, e o despertar melhor ainda - que pude dormir mais, muito mais do que se tivesse ficado em na minha habitual morada. Coisa que me conduz sempre e, inevitavelmente, à mesma questão:

Mas de que é que eu ainda estou à espera para arranjar uma casinha (inha) em Lisboa?

Humor de carnaval laboral #2

Em Dezembro, o nascimento de Cristo. Em Fevereiro, a morte do feriado. Só para alguns, claro. De qualquer das formas é Natal. Pelo menos nas estradas.

Humor de carnaval laboral

Não me lembro de não estar doente em 2013 exceto alguns dias. Já cansa.

Feeling blue


Pode também ser por hoje ser segunda. Por me doer os ouvidos e a garganta. Por estar fechada quando os meus irmãos estão de férias. Por não me mascarar este ano. Por estar cansada e só me apetecer enfiar dentro da cama e dormir a tarde toda.

Ou então é só mesmo porque ainda não sei o que quero ser quando for grande.
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