Eu cá não vou em cantigas


O dia não tem 24horas? Não mas continuam a dar, mesmo em tempo de contenção de custos? Enquanto não pagarem imposto, vou aproveitá-las como puder.

Foi mais ou menos este o pensamento infeliz que tive esta semana. Não estava, claro, à espera que sair de casa às 5h30 para regressar 17 horas depois fosse apenas comparável com passar o dia a correr atrás de um cão, numa praia. Não que eu alguma vez o tenha feito, mas consigo imaginar a dificuldade da areia e do animal, e da embrulhada que seria. Amanhã lá saio de novo ainda o sol não pensa em nascer. Para o regresso, porém, prevê-se um voo antecipado. 

Spinning, 7h20

Ainda estou por descobrir como é que vou fazer a tese este ano


Aos poucos e poucos, porém, começo a organizar-me. E por muito que eu seja a pessoa mais desarrumada do mundo, sempre achei que colocar as coisas nos sítios certos era a chave para um caminho de sucesso. O meu quarto pode estar um caos, mas há que ter um dossier com índice, divisões por capítulos, quadros de planeamento de fases e tantos sublinhados que os textos mais parecem um arco-íris. O mais difícil sempre foi pensar na estrutura, definir tudo ponto por ponto, e mentalizar-me que assim o iria fazer. Porque depois, bem, depois é "só" escrever, e aí a praia é a minha. Falta um resumo passado a computador no fim de cada texto e uma dose gigantesca de paciência para isto. É que às vezes não é só gostar, não é só ter muita vontade de fazer e querer fazê-lo. É preciso ter dedicação, coragem e cabeça para chegar a casa às dez da noite e não ceder ao comando da televisão (coisa que, obviamente, nem sempre tenho feito). Imagino que seja assim, mais ou menos como um casamento: não apetece todos os dias, mas já que nos metemos nisto com coração, vamos até ao fim.

No pain, no gain



Gosto mesmo muito de saldos. Regra geral, mesmo ao longo do ano, fico feliz é quando trago para casa verdadeiros achados a preços que ninguém acharia ser possíveis. Gatafunho nas lojas, espreito tudo, comparo as mesmas marcas em diferentes espaços e uso e abuso do melhor que o comércio de rua tem para oferecer. É incrível como se encontram coisas realmente semelhantes e, por vezes, de qualidade superior, muito mais baratas por não possuírem o mesmo nome na etiqueta. É claro que compras assim ocorrem 1 em cada 1000 vezes, mas é exactamente por isso que sabem tão bem. Misturar o novo com o usado, o de hoje com o que já tem alguns anos e aquele elemento especial, que nos custou o olhos da cara, com a peça em promoção, é aquilo que permite a existência de combinações simplesmente perfeitas.

Por essas e por outras, gosto ainda mais dos segundos saldos, moda dos últimos tempos, atrás da crise e mesmo rente aos preços mínimos para a subsistência dos espaços. É claro que que sim, que é muito mais complicado arranjar algo, que já está tudo escolhido, que as pessoas parecem loucas e que o que sobra serve a duas e três de nós ao mesmo tempo. A paciência, contudo, é a moeda de troca que mais falta faz na carteira nesses dias, e aquela que melhores compras permite. E digam o que disserem: só apanha a correria, loucura e desarrumação quem quer. Estar à porta do centro comercial logo às 10 da manhã pode não ser a melhor opção para um sábado, ou sair do trabalho e passar por lá, mesmo à hora de jantar, é coisa que não apetece a todos. Mas a verdade é só uma: eu nunca ando aos encontrões, chego à caixa e tenho no máximo uma pessoa à frente para pagar, experimento sem confusões e se não há o meu tamanho, quem me está a atender consegue perfeitamente tentar ajudar, porque não tem mais duzentos pedidos iguais.

Das pessoas com muita lata


A falta de respeito é uma coisa que me deixa fora de mim, seja para comigo, seja para com alguém que me é querido. Frequentemente, e sobretudo quando se tratam de pessoas que nos são próximas, tem origem na falta de sensibilidade, que é tão ou mais grave do que a primeira. Uma coisa é "não ter jeito" para lidar com determinada situação, outra, completamente diferente, é não ter paciência, trabalho ou dedicação para o fazer. Se a felicidade fosse fácil estava agora em saldos nas lojas, como o resto dos trapos. 

Aviso à Nação

                                                                                                                 Blake Lively

Quero apenas que fiquem cientes de que de hoje a 4 meses faço anos. É tudo.

Parágrafo?

                                                                            Ed Westwick and Leighton Meester

Nunca é fácil falar de relações. Somos bichos tão difíceis que até enerva. E mesmo quando as menosprezamos, quando achamos que são uma parte secundária da nossa vida cheia de sonhos e aspirações pessoais, é no momento em que estão em baixo que tudo desmorona e que o drama começa. Não é a primeira vez que ouço a mesma história: homem conhece mulher - mulher dá a volta à cabeça do homem - homem deixou de ser homem e passou a ser namorado. Mulher gosta, homem sufoca. E isto dá para os dois lados, e em tons de vice-versa, que mulher encantada por homem, e a babar enquanto ele passa, não é coisa que por aí falte. O ponto, todavia, não é esse. Falo de duas pessoas que estão juntas, de um casal que se habituou a assim o ser, até que um dia, um ou outro se assusta e se lembra de que se esqueceu de ser antes quem é. Parece teoricamente fácil e prático encontrarmos o equilíbrio entre ambos, e não é utópico fazê-lo. O problema, mais ou menos como nas grandes crises, é quando algo dá para o torto e nos lembramos, de repente, de tudo o que não foi feito, de tudo o que se deixou de fazer e do rumo que foi seguido, já não se sabendo bem porquê. 

Lembro-me muito bem de uma chamada que recebi há uns meses, dela, assustada e com medo de se ter perdido numa relação que já punha em causa. Veio-me logo à cabeça quando, há pouco tempo, ouvi a mesma conversa, desta feita no masculino. A minha reacção foi a mesma. Aprendi, com a primeira vez, a manter-me mais afastada no futuro, mas não consigo deixar de pensar da mesma forma. Não dou palpites com a mesma regularidade, já me basta todo o esforço das ultimas vezes para depois voltarem aos braços um do outro como se nada fosse. Mas acredito, como sempre acreditei, que nenhum deles me está a dizer que se sente perdido por ter abdicado demasiado. Estão, antes, a convencer-me, porque assim se convenceram, que é esse o problema. Não é. O grave é sentirem que isso aconteceu, e não ter acontecido. E a partir desse momento, por muito que se esperneie e dê voltas à cabeça, as coisas acabaram. É, na realidade, isto que dizem quando já o sentem tão alto que o têm de contar a outra pessoa, seja ela quem for. É um ponto final, com a desculpa de que custa e de que não se apercebem bem do que está a passar. Ora porque lhes parece repentino, ora porque gostam da pessoa. E é normal que assim seja, porque todos temos (ou deveríamos ter) graves problemas em encerrar capítulos da nossa vida que envolvem, ou já envolveram, sentimentos muito fortes. O que eles ainda não sabem é que dizê-lo é a parte mais difícil. Conseguir admitir que algo não está bem, e fazê-lo em voz alta, é o que mais coragem requer.

Não dá para voltar atrás e fingir que nada acontece. Não se abranda, de repente, o ritmo de uma relação porque temos dúvidas, queremos ir descobrir o mundo primeiro ou porque nos apetece voltar a sair à noite em vez de ficar no sofá. Mas há muitas que renascem a partir daí, quando ambos estão, finalmente, conscientes do que querem e dos erros cometidos. Não sou de acreditar em milagres, mas eles são como as bruxas. É "só" preciso garantir que a outra pessoa compreende o que se passou, e não apenas que diz compreender para recuperar o que perdeu. É "só" preciso garantir que estamos dispostos a tentar de novo, mesmo sabendo que, desta vez, já sabemos perfeitamente no que nos estamos a meter. É "só" preciso assegurar que nenhuma das partes ficou irremediavelmente magoada. E "só" fundamental ter a certeza de que, agora, as coisas vão ser diferentes. Porque se assim não for para o ser, à segunda irá custar ainda mais, e à terceira mais ainda. Cumprindo todos os requisitos, porém, as coisas só podem ficar mais fortes. E quando assim o é, cheira a história de encantar, daquelas que nos aquecem o coração, porque assumem contornos reais.

Gosto tanto!



Se ao teu lado eu me engasgo, é para o teu bem
pois eu dissesse o que eu acho..bem...
o que tinha por não mentir era um estalo
e um deixa-me em paz.

Tão profunda e tipicamente verdadeiro. E o videoclip é um máximo.

Ossos do ofício


Então cá vai: está aí a chegar uma mega campanha de uma marca muito querida pelas portuguesas (os homens ainda não o admitem com a mesma facilidade). Vai ser jovem, divertida, criativa e muito, muito apaixonada. O que eu preciso de saber é o seguinte: há por aí alguém que tenha um blogue e que queira receber em casa, em primeira mão, uma espreitadela do que se vai passar? Vem recheada com agradáveis surpresas em tons de vermelho! É só deixar um comentário por aqui, que eu entro em contacto convosco para apontar moradas. 

Cor-de-rosa para meninos!


Mostraram-mo agora e não poderia deixar de partilhar.

Lamento, mas não gosto. Para saber quão trágico é o mundo, leio um jornal.

                                                                                                               Angelina Jolie

Aqui há uns tempos, fui seleccionada para ir a um casting de um anúncio para a Coca-Cola. Um dia conto por aqui a experiência, mas posso desde já deixar claro que depois de ter passado uma tarde inteira perdida por Lisboa, quando finalmente encontrei o local, já de noite, vivi alguns dos momentos mais estranhos da minha vida. É claro que não deu em nada. Mas isto tudo para dizer que, por essa altura, e para que soubesse mais ou menos ao que ia, recebi um vislumbre de qual seria a próxima campanha publicitária da marca. Adorei, logo desde a primeira espreitadela. Lembro-me de pensar que para se ser criativo não é preciso ser-se espectacular, mas antes ser-se atento. A ocasião faz o ladrão, e a crise um grande anúncio. Não sendo ele um exclusivo português, mas uma adaptação do que já se vê por Espanha, Brasil e EUA, é absolutamente bem-disposto, e encaixa, na perfeição, na onda de esperança que deveria começar a nascer, um pouco por aqui. Pelo menos, assim o senti. 

Irrita-me ligeiramente que seja preciso estarmos na situação lamentável em que estamos para aparecer alguém (seja ou não por trás de uma marca) a dizer-nos que temos algo de positivo. É, todavia, mais ou menos como a história da responsabilidade social, de que ontem ouvia falar num seminário: a hipocrisia maior é condenar as empresas que o fazem só para terem mediatização, ou fingir não compreender, desde logo, que o objectivo principal de uma organização terá sempre que ser o seu lucro? Como pensar um negócio sem uma troca favorável  para as duas partes? Se condenássemos toda a política de responsabilidade social que é feita com "segundas intenções", por parte de uma empresa, que responsabilidade social sobraria? É um bocado assim, esta coisa das lembranças positivas quando já não temos para onde nos virar. Pois que irrita, mas que continua a ser preferível à sua inexistência. Porque isso é coisa para me tirar do sério. É a critica, a mesquinhez, a avareza e o maldizer do vizinho. É disso o dia todo, um pouco por todo o país. E custa-me muito acreditar que é assim o povo a que digo pertencer, porque nunca me senti da mesma forma. Porque andamos todos zangados com a vida, cada vez mais egoístas e desconfiados do mundo. Olhamos para dentro de casa e esquecemo-nos de que pertencemos a mais do que quatro paredes, que somos produto de uma aldeia global que cabe numa esfera, pequena e insignificante, num universo que se julga infinito. Estou a dispersar?

Quando vi o anúncio na televisão, pela primeira vez,  não pude deixar de esboçar um sorriso. Está lá muito bem que seja propaganda, que apareça alguém com uma garrafa no fim e que de publicidade não se gosta, porque é coisa feia e manipuladora. Mas, caramba, eu gostei mesmo! Uma coisa era saber da história e das imagens, outra era ouvi-las com aquela música que nos enche de alegria e pensamentos positivos. Fiquei contente, mesmo sendo preciso estarmos em crise (financeira e de valores) para sermos lembrados das cores que não deixam o mundo permanecer negro. E achei, sinceramente, que mais dia, menos dia, o cantarolar seria constante, e o burburinho, em torno da coisa, também. Oxalá inspirasse alguém a acreditar numa vida melhor! Bem sei que sou menina e que é uma visão demasiado romântica, mas não há nada a fazer comigo. Qual não foi o meu espanto ao perceber que sim, que realmente inspirou alguém. Infelizmente, o português de hoje é cada vez mais especializado e talentoso na arte do espezinhar, e como no que se faz bem não se mexe, temos mais do mesmo a toda a hora. 

Não tiro o mérito aos autores, estão ali coisas a que eu até poderia ter achado graça. O problema foi estarmos no fim/ início de um ano, foi ter ficado satisfeita com a versão original, foi ter achado que era preciso mais daquele espírito e que já chegava do resto. Aqui, os criativos também souberam aproveitar o momento, e foram brilhantes. Só tenho pena que o sejamos sempre com o mesmo tipo de discurso. É como se nos sentíssemos bem assim, a ter algo de terrível a acontecer à nossa volta para podermos contestar, criticar e repetir à vontade que tudo é miserável. Não que não seja verdade. Não que não se queira um povo com voz, garra e espírito de mudança. Não que esteja aqui a apelar a ursinhos cor-de-rosa e a potes de ouro no fim do arco-íris, só porque são mais bonitos do que o resto. Parece-me, contudo, que estamos a ficar tão habituados a este tipo de atitude que já não conseguimos ver, ouvir, ler ou desfrutar de uma mensagem positiva, seja ela qual for. E bandido seja o diabrete que a emite! Quer vir para aqui tapar-nos os olhos com balões e músicas engraçadas. Era só o que faltava! Vamos lá logo pegar no que é demasiado feliz e criar versões realistas.


                                                                                                                   Vídeo original



                                                                                                Versão 1



                                                                                                           Versão 2

Verão a 10 graus

                                                                                                          Anne Hathaway

Há dias em que o abraço dele nos aquece o coração, ou as palavras do avô, a comida da avó, as gargalhadas dos pais, as parvoíces com os irmãos, as visitas dos tios e a mais simples troca de impressões com aqueles amigos que nos compreendem sem termos de falar muito. Mas há outros, há outros dias em que mesmo com o ar mais frio, daquele que faz o nariz ficar vermelho e gelado na ponta, nos sentimos bem e aconchegados, pelo calor que nos chega de quem diz que gosta de nos ler. 
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