(ainda) Há diferenças entre futilidades e parvoíces


Todos os dias leio notícias estranhas. Todos os dias, e em meios generalistas. Ora são presidiários de Sintra em greve de fome porque querem uma Playstation 2, ora polícias que atacam violentamente um carro porque o condutor não usava cinto. Isto, claro, sem esquecer a descoberta de nova forma de consumir droga – através da música (como se precisássemos de mais).

Pois eu, que acho tão bem que se escreva e que se diversifiquem os temas, que sou totalmente a favor de uma notícia mais soft e das próprias publicações – porque é que havemos de saber apenas o que se passa ao nível da justiça, violência e mercado? – não compreendo certos e determinados conteúdos. Ontem, no site da Sábado, que parece determinada em substituir o “24 Horas”, estava um vídeo sobre “A Dança dos Pénis partidos”. Pelos vistos, prática corrente, ainda que proibida, na Jamaica. É o tipo de peça que não informa, entretém. Eu que o diga, que aqui no escritório, enquanto Agosto passa e o mundo pára, não há muitas formas tão eficazes de acelerar o relógio até à hora de saída como consultar e descobrir estas pérolas. Mas é o tipo de coisa que suscita um “Ah!”, às vezes um ou outro comentário, e morre. E o tempo volta a passar devagar. Há dias em que temos a sorte de encontrar umas atrás das outras; outros nem por isso.

Posto isto, pergunto-me: se um dos critérios noticiosos é o interesse, e se este interesse é tão breve quanto o cair de uma gota água, será que alguma vez estivemos realmente interessados? Se nos surpreende e/ou incomoda? Com toda a certeza. Se nos intriga e nos deixa com a pulga atrás da orelha? Não me parece. Lembro-me muito mal de uma ou outra vez em que quis saber mais sobre isto ou aquilo. Não aconteceu com os polícias agressores, com os prisioneiros inconformados ou com os pénis danificados. Talvez com as músicas que dizem provocar os mesmos efeitos que as drogas mais conhecidas. Talvez. O cerne é que estamos para aqui a confundir tudo, porque se fala de interesse e critérios noticiosos quando a notícia passou a entreter em primeiro lugar, e a informar em segundo. Estas, pelo menos. Passou o tempo de julgar pela mesma pauta produtos que nasceram pela mesma raiz, porque é isto, e apenas isto, que de comum lhes resta. É como quando se acha que os gémeos se devem vestir de igual para toda a vida, só porque nasceram no mesmo dia. Está mal.

Eu, que ainda nada sei, votaria numa mescla bem constituída de entretenimento com interesse. Há disso por aí sim, que já eu já vi, com estes olhos que a terra há-de comer. Mas isso sou só eu.
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