Ainda sobre o facebook

                            Michaela Watkins e Jennifer Lopez, em The Back Up Plan

Não me interpretem mal: eu adoro o facebook. Sou fã assumidíssima, embora hoje em dia seja mais fixe dizer que não presta. Visito frequentemente e, sim, confesso: várias vezes mais do que uma vez por dia. Mesmo assim, mesmo partilhando (quase) de um entusiasmo típico de viciado, ainda não consegui entender as pessoas que vivem através de um ecrã. É que, vejamos, há pequenos detalhes que nos separam. Poucos, mas bons:

1. O meu facebook não é a agência lusa. Pode até haver quem lá paire em busca de informação, contudo, como sou do contra, não o actualizo ao minuto. Nem à hora. A maior parte do tempo, nem ao dia. E quando o actualizo é (quase) sempre com uma qualquer música que me apetece no momento. Sim, sou oficialmente chata e desinteressante.

2. Nunca me deu para escrever sobre as vezes que acordava, que me deitava, que lavava os dentes e que fazia xixi. Bem sei que é gravíssimo e uma coisa completamente impensável. Que fazer? São manias, defeito de fabrico...

3. Não tenho um corazãozinho que indique que estou numa relação. Vá, é agora que podem apedrejar-me.

4. Só tenho na minha rede pessoas que conheço. Que CONHEÇO. Para todos os outros as definições de segurança e privacidade têm as máximas restrições. Porquê? No Natal de 1988 fui visitada pelos fantasmas do passado, presente e futuro e o último alertou-me para a existência do facebook e de monstros que lá poriam fotos e que nos poderiam perseguir na vida real. Na altura não acreditei, até porque tinha meses de vida; mas tendo em conta que a primeira parte se concretizou...

E em traços gerais é isto. Esta loucura de só contar da minha vida o que quero, a quem quero e quando quero. Talvez, por isso, nunca me tenha chateado com ninguém por causa do facebook. Pelo contrário. E quem diz facebook, diz hi5's, orkuts ou qualquer outra rede social online. São produtos que temos à nossa disposição. A utilização que deles fazemos é apenas da nossa responsabilidade, pelo que usar e abusar diz respeito a cada um. Portanto, se optam pelo exagero, assumam-no e não se venham queixar depois. Depois de visitarem a páginas dos(as) ex-namorados(as) vezes sem conta, dos(as) actuais (verificando, de modo obsessivo, os comentários que trocam com qualquer homem/ mulher), depois de darem as interpretações que querem a tudo o que lêem sem falar com a pessoa em questão e tantos outros exemplos que me farto de ouvir de boca aberta; depois não se venham queixar e dizer que a culpa é do facebook, que se apoderou da vossa vida e acabou com a vossa privacidade.

E já que estamos numa de comixões, sou quase tão alérgica a quem usa e abusa e depois se queixa, como a quem diz que odeia sem nunca ter experimentado. Então se for oriundo de um curso de comunicação, sobe-me logo a mostarda ao nariz. Na minha cabeça, as pessoas estudam aquilo que gostam. E, neste caso, gostam tanto, mas tanto de comunicar, que depois se dizem avessas a tudo o que envolva a internet (um meio de comunicação, pasmem!). Vá, sejamos francos, a tudo o que envolva um computador, em geral. E eu acho bem. Acho perfeito, aliás. Fiem-se na virgem e não corram, fiquem sentadinhos à espera de um cargo num jornal. Quanto mais tempo insistirem nessa ilusão, melhor. Dizem que quem espera sempre alcança, e enquanto vocês esperam, eu alcanço.
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