Aquelas peças que nunca vamos usar até usarmos





Já as vi de todas as cores e feitios, com saltos altos e coordenados cor-de-rosa de princesa, ou ténis-bota descontraídos com uma camisa de ganga. Há-as conjugadas com sweatshirts ou blusões masculinos; curtinhas, pelo joelho ou a chegar aos pés. Gosto de todas. Quero todas. Para dançar no hall de casa, ou para me fingir estrangeira pelas ruas da Baixa de Lisboa. Para usar com crop tops de manga comprida ou sem costas.Tanto faz. 

Só preciso de saber: onde raio arranjo uma? 

Sexta-feira

Sabem quando o dia ainda nem sequer começou e já estamos cansados? Quando sonhamos com uma manta, um sofá e uma caneca gigante de chá e é tudo o que queremos para o nosso fim de noite? É mais ou menos nesse estado que estou - há uma semana. Mas é dezembro e há jantares a toda a hora, com os amigos de sempre, os habituais e os que só revemos nesta altura. E com isto não me lembro de chegar a casa sem ser com todos a dormir, ainda com pedalada mas sem ninguém para me responder. 

Depois, há também um apartamento novo pelo meio, que eu visito todos os dias religiosamente para verificar como se encontra. Como se tivesse vida própria e pudesse fazer asneira durante a madrugada. Falhei a quarta-feira e fiquei com saudades. Há uma mudança iminente, à espera do meu ok para acontecer, e tantos, tantos planos por terminar. E há muita curiosidade, de todos os que ainda não conhecem e querem conhecer. Por isso mesmo, sem mesa de sala ou cadeiras, os jantares vão-se fazendo entre quatro paredes-novidade, com gargalhadas em banda sonora e regados a vinho e boa disposição. Que é o que me volta a esperar hoje. E eu sou uma ingrata de meia tigela por reclamar de falta de tempo para fazer nada, quando tudo o que vem, e tudo o que acontece, é tão bom.

Black Friday

Se há coisa que eu gosto é de comprar online. Roupa, móveis, maquilhagem, tachos. O que for. É um conforto tremendo. E sim, claro que muito me agrada tocar nas coisas, sentir os tecidos e os materiais, experimentar, visualizar e tudo mais. Mas são experiências completamente diferentes que não podem ser comparadas e – na minha ótica – nem sequer substitutas uma da outra. Hoje, por exemplo, queria muito aproveitar os descontos (mínimos) do dia para comprar um casaco que já experimentei centenas de vezes, escolher uma mala e deitar olho aos ténis que tenho andado a namorar. Inversamente, vontade de me perder no caos das lojas estava pelas horas da morte. Sobretudo quando há um fim de semana cheio de planos pela frente. Há dias em que a tenho. Há dias em que preciso do barulho, da música alta, das luzes estranhas e de toda a confusão. Outros em que me apetece sentar no sofá, descalça, e navegar pelos sites num momento de puro lazer.

Há riscos. Depois não se gosta, ou não fica bem (no corpo, na cozinha ou na sala). Não é como se esperava, afinal entretanto vimos algo melhor. Por isso mesmo, compro quando conheço as políticas de devolução e/ou troca e faço delas o uso que eu quiser, e ao qual tenho direito. Se me chega algo a casa que não está bem, ou por defeito, ou para mim, resolvo num cómodo prazo (habitual) de 30 dias. Se tudo estiver do meu agrado, é maravilhoso poder – sobretudo no que toca a roupas – experimentá-las logo no nosso quarto, com os nossos espelhos e todos os conjuntos que realmente usamos.


Também há momentos em que compro onde nunca comprei e não faço bem ideia de como as coisas podem funcionar face a situações menos positivas. Nesses momentos arrisco tudo, em pequenas quantidades financeiras, e seja o que a loja – e os correios – quiserem! Creio ser precisamente pela descontração que nunca me desiludi. Pelo contrário. 
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