Black Friday

Se há coisa que eu gosto é de comprar online. Roupa, móveis, maquilhagem, tachos. O que for. É um conforto tremendo. E sim, claro que muito me agrada tocar nas coisas, sentir os tecidos e os materiais, experimentar, visualizar e tudo mais. Mas são experiências completamente diferentes que não podem ser comparadas e – na minha ótica – nem sequer substitutas uma da outra. Hoje, por exemplo, queria muito aproveitar os descontos (mínimos) do dia para comprar um casaco que já experimentei centenas de vezes, escolher uma mala e deitar olho aos ténis que tenho andado a namorar. Inversamente, vontade de me perder no caos das lojas estava pelas horas da morte. Sobretudo quando há um fim de semana cheio de planos pela frente. Há dias em que a tenho. Há dias em que preciso do barulho, da música alta, das luzes estranhas e de toda a confusão. Outros em que me apetece sentar no sofá, descalça, e navegar pelos sites num momento de puro lazer.

Há riscos. Depois não se gosta, ou não fica bem (no corpo, na cozinha ou na sala). Não é como se esperava, afinal entretanto vimos algo melhor. Por isso mesmo, compro quando conheço as políticas de devolução e/ou troca e faço delas o uso que eu quiser, e ao qual tenho direito. Se me chega algo a casa que não está bem, ou por defeito, ou para mim, resolvo num cómodo prazo (habitual) de 30 dias. Se tudo estiver do meu agrado, é maravilhoso poder – sobretudo no que toca a roupas – experimentá-las logo no nosso quarto, com os nossos espelhos e todos os conjuntos que realmente usamos.


Também há momentos em que compro onde nunca comprei e não faço bem ideia de como as coisas podem funcionar face a situações menos positivas. Nesses momentos arrisco tudo, em pequenas quantidades financeiras, e seja o que a loja – e os correios – quiserem! Creio ser precisamente pela descontração que nunca me desiludi. Pelo contrário. 

Em modo inspirado

Há dias em que não sei porque faço o que faço. Se fui eu que escolhi esta profissão ou se, por circunstância e oportunidade, foi ela que me escolheu. Há muitos dias em que me sinto embalada por uma vida comum, estável e que se faz com um despertar todas as manhãs, à mesma hora. E depois há outros, em que todo este mundo da comunicação me fascina tal e qual criança em noite de Natal. Em que chego a casa com o bichinho no estômago e as ideias na cabeça. Em que me deixo entusiasmar por completo por uma coisa que já vi e ouvi dezenas e dezenas de vezes. Dias em que penso: "Eu nunca poderia fazer outra coisa que não isto". 

Eu nunca poderia conceber uma vida sem escrita. Sem palavras e sons. Sem a pressão, tantas vezes ingrata e tão pouco reconhecida, da produção de conteúdos completamente díspares nos mesmos 60 minutos. Sem o esforço mental de conseguir mudar rapidamente para outro assunto, manter a criatividade e cumprir o objetivo do texto. Nunca poderia conceber uma vida na qual não lidasse, de forma tão próxima, com outras pessoas. Com o público da minha empresa ou projeto. Com aqueles singulares que tantas vezes fazem mais barulho do que qualquer multidão; aqueles que estão do outro lado e que são quem eu realmente quero ouvir.

Ter o privilégio de fazer tudo isto num momento da história em que as formas de comunicação estão em mudança permanente, e em que o paradigma digital chegou de assalto para derrubar as outras plataformas, é incrível. Nasci com computadores pessoais ainda em fase embrionária. Quase três décadas depois, escrevo mais rápido num teclado do que com uma caneta. Cresci a redigir blogues, abandonando cedo os diários. A ver o planeta através da Internet. A aprender, enquanto utilizador final, como funcionavam as primeiras redes sociais. Hoje, é delas que me sirvo para passar as informações que quero. Mas há ainda tanto por descobrir, há ainda tanto para testar, compreender e aprimorar que as possibilidades são infinitas. É que, mesmo num ecrã de computador, é o comportamento humano que estudamos. E eu não poderia ser mais grata por o poder fazer no meu dia-a-dia e chamar-lhe de "trabalho". 

Difícil, difícil...


Estamos a 50 euros e a uma permissão para destruir a parede da sala de alugar um apartamento. Porque é que nesta dança das imobiliárias nada é tão simples assim? Na dúvida, trai-se o agente que já conhecemos há um ano e optamos por aquele que nos consegue o preço que queríamos? Não estava preparada para a guerra quando fui chamada ao espetáculo do arrendamento. E ainda nem passei para o round dos programas do Estado. 

Isto está bonito.
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