Difícil, difícil...


Estamos a 50 euros e a uma permissão para destruir a parede da sala de alugar um apartamento. Porque é que nesta dança das imobiliárias nada é tão simples assim? Na dúvida, trai-se o agente que já conhecemos há um ano e optamos por aquele que nos consegue o preço que queríamos? Não estava preparada para a guerra quando fui chamada ao espetáculo do arrendamento. E ainda nem passei para o round dos programas do Estado. 

Isto está bonito.

A saga das casas



Há sensivelmente um ano descobri a casa na qual queria viver. Por um bom tempo, pelo menos. Tinha arrumação para mim e mais dez. Uma casa de banho que parecia um salão de baile e uma sala ampla, com uma kitchenette completa e de ar moderno. Adorei-a. Foi a única casa (penso) que fiz questão de mostrar aos meus pais. E esse foi meio caminho andado para não ficar com ela. Enquanto eu e a minha mãe babámos para os mil armários embutidos nas paredes a cada corredor, o pai e o namorado viam a ausência de janelas (sim, eu sei que parece grave, mas vocês não sabem como era maravilhoso o apartamento). 

Setembro de 2014 e eis que o mesmo senhor, com a mesma disposição para a conversa de há 12 meses atrás, e perfeitamente lembrado da minha família, me mostra um novo T2. Não fiquei apaixonada, nem nada que se parecesse, mas muito inclinada para o aluguer. Porque o sítio é o ideal. Com estacionamento em abundância e o jardim mais bonito de Lisboa no fim da rua. E a casa beneficia de uma luz exuberante em todas as divisões, uma pintura de cara tão limpa que faz o velho parecer novo e um café mesmo em baixo, daqueles com cadeiras sobre o passeio e euromilhões em cima das mesas. 

Imagino-me a viver lá. Imagino mesmo. Mas depois pergunto-me se as paredes entre as quais quero ir dormir não deveriam arrebatar-me como se diz que os vestidos de noiva fazem. Especialmente porque já o senti. Chata da casa que não tinha janelas.

A minha máquina desapareceu

Passei quase dois anos a querer comprar uma máquina fotográfica. Quem me conhece, sabe que é uma das minhas obsessões. Namoro-as até ter a certeza que é para casar. Mas, quase sempre, as aquisições são na realidade fruto de um amor à primeira vista. Desconfio sempre. Espero o preço baixar. Rondo, sondo e aguardo até ter mesmo, mesmo a certeza. A mesma que tinha desde que lhe pus os olhos em cima. Aguardo sempre, embora saiba bem o que quero, assim que vejo. 

Depois de quase dois anos a querer esta máquina específica (com outras a entrar pelo meio - são todas diferentes, fazem todas fotos diferentes, não me venham com histórias), comprei-a. Dei-lhe todo o meu amor, carinho e dedicação. Graças a ela, criei o blogue de culinária que há tanto queria. E tirei fotos como sempre quis. E fomos felizes, como eu sempre soube que íamos ser. Era uma relação perfeita, em plena harmonia, mesmo sem qualquer manual. Era uma relação que hoje terminou, sem que eu ainda tenha aceite que é o fim.

Os últimos dias foram de evento. Passei o sábado e domingo com ela ao ombro, para lá e para cá, no escritório improvisado lá na arrecadação do MEO Arena. Deixei-a à solta, sem bolsa, e aos saltos no carro. Ontem, larguei-a em cima de uma pilha de roupa no quarto, sem qualquer tipo de equilíbrio. A antecipar a sua queda a qualquer momento. Reforcei o espaço com uma almofada para a amparar, e fui dormir tranquila. Hoje, saí com ela para o trabalho. Achava que sim. O pai diz que viu, acha o mesmo. Cheguei, porém, ao trabalho sem máquina. Dei logo pela falta. Achei estar maluca e ter deixado em casa. Não está em casa, nem no trabalho, nem no carro.

A modos que só me apetece ter 4 anos outra vez para poder chorar baba e ranho por um objeto sem qualquer tipo de censura.
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