Ao primeiro dia de maio...

É o sol que me acorda. O despertador toca, é certo. Não sabe que é feriado, está programado para todos os dias úteis. Que é isso de um dia útil? Já por mim passaram dezenas de segundas-feiras sem cumprir esse requisito. Saio da cama como se fosse domingo. Daqueles que eu tinha quando era pequena, com os desenhos animados a passar na TV. Está a dar o Bambi 2. Tentei acompanhar e apercebi-me que o primeiro não foi um filme que me marcou. À parte daqueles que eu considero ser os bonecos mais giros da Disney (desenhos bem conseguidos), é dos poucos filmes cujas falas não memorizei, cujas cenas não sei de cor. Vi duas vezes na vida, se tanto. Vezes dez passaram todos os outros. 

Demorei-me a comer Chocapic. Até entornar leite no cobertor e encerrar o pequeno-almoço da preguiça. Fiquei pelo sofá, mais um pouco, a ver as séries que tinha deixado pendentes. Não vai ser um dia de descanso. Sem preocupações ou trabalho para deixar fechado. Mas eu não consigo deixar de sorrir na mesma. Talvez seja realmente do sol que me entra pela janela. Talvez seja do mês que começou. Da contagem decrescente para Londres, mais uma vez. Do fim-de-semana que já planeei. Das coisas que queria comprar há algum tempo, e que agora fazem sentido. Do meu carro que voltou e do medo que, ao contrário do que eu antecipava, desapareceu. De alguém do passado que quer regressar. Talvez seja do conjunto de todas essas coisas, não sei. Aquilo de que tenho a certeza, é que é um sorriso de esperança, daqueles que vem cheio de planos e traz consigo a vontade inexplicável de uma limpeza de primavera para um recomeço total. 

Até me apetece arrumar o quarto. 

Muda de vida se tu não vives satisfeito*

Quanto mais coisas faço, mais coisas saparecem para fazer. Renovar a imagem deste blog foi também uma oportunidade para reler alguns dos últimos posts e perceber que, claramente, sou chata. Simples assim. Os últimos meses de 2013 foram dedicados a reclamações exaustivas do tempo que teimava em escassear. Em 2014, nem cá pus os pés. É coisa de filha aluada, não visitar a casa. Até aqui tudo bem. Mas regressar para fazer queixinhas é chato. E, no entanto, cá estou eu de novo. 

Quando me perguntam se sei o que vou fazer, não posso responder que sim. Sei que é o que quero fazer, e isso é suficiente. Precisava de mudar. Precisava de querer escrever sobre coisas menos chatas. De vir desabafar com o word sobre todos os projetos que não passaram disso. Não estava à procura de um emprego novo. Queria uma vida nova, e o desafio veio de arrasto, como não poderia deixar de ser. Ainda não tive tempo para ficar nervosa. Não vou ter como pensar muito nisso. Acontece tudo esta semana: amanhã, com um fecho para o qual sei que posso contar com a ajuda dos colegas; sexta-feira, num início que acontece apenas pelos meus pés, e de cabeça erguida. 

Pelo meio, o desejo é o de dormir toda a quinta-feira. Ficar de pijama, sem qualquer tipo de compromisso, e não sair da cama se não em casos de absoluta necessidade. Ver séries o dia inteiro. Por mim, começo quinta a acompanhar - finalmente - a Guerra dos Tronos, e só largo quando o dia (ou os episódios) terminarem. Escrevo e sinto-me a salivar, qual Silvestre para Tweety. Parece absolutamente inatingível e, no entanto, com toda a sua simplicidade, é tudo o que eu quero. 

Já por agora, a promessa é outra: a de que este será, durante um bom tempo, o último post sobre as poucas 24 horas do relógio. 

Exercício

2013 não foi um bom ano. Teve momentos espetaculares, é certo, mas foi, em geral, um ano muito, muito difícil. E terminou, fazendo jus aos meses anteriores, da forma mais atribulada de que se lembrou. 2013 foi o ano em que, pela primeira vez, aceitei a desistência. Acho que nunca antes tinha desistido de nada, e admiti-lo, mais até do que o fazer, foi uma guerra comigo mesma, durante tanto tempo que nem gosto de pensar. Foi um ano em que perdi alguém que me era querido – e, pior do que isso, querido a uma das pessoas mais importantes da minha vida. Por mais vezes do que que desejaria, em 2013, deixei também fugir a esperança. Dezembro, e o calor das festas que lhe é caraterístico, e que eu vivo e apregoo aos quatro cantos do mundo, traiu-me no dia em que não o poderia ter feito. A véspera de Natal, a chuva e aquele lugar concreto foram, desta vez, apenas amontoados na minha memória, de um acidente que eu tentei, durante segundos que me pareceram uma eternidade, evitar. E, por isso, a ceia não teve o mesmo sabor. Nem o dia seguinte, em que tudo me pareceu banal, apesar de todos os momentos alegres, animados e de aquecer o coração com as famílias (a minha e a emprestada, dele).

2013 não foi um bom ano, e eu já queria que tivesse acabado há muito tempo. Em maio/ junho, ouvia o meu pai dizer o mesmo. Ainda assim, foi um ano em que fui também muito feliz. Em que tomei decisões que, ainda que por motivos vários não tenham mudado a minha vida, vão mudar, em breve. Em 2013, ri muito mais do que chorei. Fiz muito mais do que disse que iria fazer. Ofereci finalmente as prendas que queria oferecer. Superei-me profissional e pessoalmente em situações e desafios com que, há uns tempos atrás, não teria sabido lidar. Foi o ano em que ele acabou o curso, e essa era também já uma meta minha. Cozinhei mais e melhor, envolvi-me em 100 projetos extra, vi o meu tempo desaparecer e tornei-me mais serena, mesmo com o aumento de todo o stress e ansiedade exteriores. 2013 acabou finalmente, e ainda bem. Agora é, literalmente, tempo de fazer as malas, que a próxima viagem está agendada para dia 10, e mete aeroporto..

Para 2014 as resoluções ficaram escritas a dois, nas notas do telefone, em viagem. Não as levo muito a sério. Não me levo, a mim, muito a sério.

(Redigido a 02.01)
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