Creio ter sido a forma que encontrou para me dizer que hoje deveria, mesmo, ter ficado em casa.
Setembro e o medo
Kate Winslet por Mario Testino
De há 3 anos para cá, setembro traz-me apenas más notícias. É daqueles meses que nos põe à prova, e não apenas porque o verão terminou. Costumava gostar do regresso e da sensação familiar da rotina. Hoje, sei que mais facilmente reencontro o inesperado. Um destes setembros trouxe a notícia de uma doença grave. Não minha, mas suficiente próxima para ter mudado a minha vida. Entre empregos e desempregos, preocupações familiares e estilos de vida reformulados, tudo passou a ser diferente do que era até então. Tudo ficou marcado por uma vida que não volta mais.
Lembro-me muito bem de no ano passado ter começado o mês assustada. Pensava muitas vezes que os dois anteriores tinham sido os mais dificeis de sempre e não queria voltar a passar pela mesma angústia sem estar preparada. Em vão, tentei pintar todos os cenários e assegurar que poderia controlar o rumo de tudo. Esperei, consciente. Esperei, esperei e esperei. Nada. Um arrufo de namorados pelo meio, quando já não contava. Mesmo assim, nada - repito - que possa caraterizar sequer perto do nível de choque dos outros. E pronto, outubro chega e a ideia da maldição de setembro fica enterrada comigo a dançar por cima da campa.
Hoje, setembro como eu o conheci nos últimos anos voltou, quando eu já não o antecipava, quando eu já o iniciei sem qualquer lembrança passada a marcar os meus dias. Não voltou com a mesma dor, não da mesma forma direta, mas com todo o mesmo sofrimento de muitos dos que me rodeiam. E custa na mesma, sentir através daqueles de quem gostamos. Oh se custa. O trabalho ficou para trás, a cabeça já não estava lá mesmo, e o dia foi dedicado a tornar tudo um bocadinho menos difícil.
Em 3 setembros, 4 com o de hoje, recordo apenas um sentimento comum. Quer nos dias malgrados, quer na sua antecipação: o de cansaço. Um cansaço extremo que não passa. Talvez porque saiba que tenho que recomeçar, e é um recomeço muito mais batalhador do que o de quem volta ao escritório do costume. É um recomeço, mais uma vez, de uma nova forma de estar na vida.
Conversa de chata
Estou em pulgas pelo lançamento oficial do IOS7. Quero ver também o iPhone 5S e, sobretudo, saber se vem realmente um 5C. Em qualquer outra marca, poderia conquistar-me, mas com as cores garridas que se prevêem, ter um iPhone neste modelo é o mesmo que anunciar ao mundo uma escolha plástica e de baixa qualidade, só porque é mais barata. Um bocadinho na lógica de “não tenho o a sério, mas diz iPhone na mesma”. Para isso, porque não um outro smartphone qualquer, com o mesmo custo e melhores caraterísticas? Só porque não vai ter a maçã? Estou de pé atrás e pronto, ainda que curiosa e expectante numa apresentação que destrone estas convicções.
O IOS7 vem com novo design. Também me chateia um tanto ou quanto. Sou relativamente casmurra e avessa a (este tipo de) mudança. Parece bonitinho e funcional. Mais clean. Vamos dar-lhe o merecido benefício da dúvida. Até porque com a marca, pelo menos na era de Jobs, nenhum pormenor foi pensado ao acaso.
Em termos de funcionalidades, estou particularmente ansiosa por pôr à prova o sistema multitarefa que apregoam.
Vamos lá ver, vamos lá ver. Rápido, por favor.
Isto é mesmo conversa de chata, bolas.


