Uma pessoa nem se dá conta. O dia amanhece igual aos outros (pelo menos, às sete da manhã). A noite foi na mesma de edredom. As roupas são as que poderiam ter sido no dia anterior. O ar condicionado ainda não vem ligado. A empresa é fresca, sem qualquer necessidade de ventoinhas. Mas depois sai-se, à hora de almoço, em plena magnitude solar, e damos por nós no supermercado a trazer gelados, beterrabas, alfaces e meloas, porque tudo o resto até parece que já nem sabe. E ao contrário dos outros dias, em que a comida fica a aguardar o fim do dia no carro, temos de trazer tudo para dentro e guardar no frigorífico, porque damos por nós, e só trouxemos frescos.
Coisas que eu não compreendo
Marcas (que eu até gosto bastante) que se dão ao trabalho de enviar e-mails que não dizem absolutamente nada. Não são coisas que não nos interessam, são coisas que, por virem escritas de forma absolutamente inútil, não sabemos sequer se nos podem interessar. Mais ou menos assim:
"Estimado sócio (a),
Nesta altura de Verão, poderá finalmente incentivar a sua companhia a treinar no nosso clube.
Temos uma excelente campanha de Verão e apenas algumas vagas disponíveis.
Aproveite!"
Apetece perguntar: e que campanha é essa, senhores? E pronto, perguntei.
Pai, mãe, porque me fizeram sem gostar de café?
Decididamente, não sou a pessoa com mais sorte do mundo.
Ontem lá decidi que iria dormir a noite toda, custasse o que custasse. É certo que cheguei a casa, passava já da hora da Cinderela. Mas portei-me bem e fui direitinha para o sofá. Pensei "para quê perder tempo a ir até ao quarto? Prioridade ao sono!". E por ali fiquei. Até às 4 da manhã, pois está claro, quando fui acordada, não por insónias, mas por um bando de melgas raivosas que me atacavam como nunca havia sido. E quando eu me refiro a ataque, quero dizer que fui picada em dois indicadores, um mindinho, no peito de um pé, junto ao tornozelo no outro, num cotovelo e num pulso, várias vezes nas pernas e ao fim das costas. Aguentei uma hora disto, até ter decidido mudar de divisão. Na cama, a saga continuou. Não percebi bem se as melgas me seguiram, ou se a comichão agudizou. Seja como for, até às seis e meia da manhã foi uma festa. Até que decidi, por fim, acender as luzes, voltar a arrastar-me e procurar um creme de menta. Besuntei-me toda, à falta de melhor, e depois cobri todos os pedaços de mim que ainda respiravam: robe por cima do pijama para tapar os braços, e meias por cima das calças, para nem haver ideias. Lá dormi quarenta minutos, até o despertador tocar. Desliguei-o e, heresia das heresias, voltei a fechar os olhos. Acordei meia hora depois, completamente aflita, a sonhar que tinha ido tomar banho e que tinha decidido fazer da banheira cama...até à hora do jantar!
