Compradora virtual júnior (since 2011)

Pelamordedeus, quando é que a Primark lança uma loja online? Ir até lá é sempre tão cansativo.

Um impulso fútil por dia

E ao terceiro nascer do sol, depois da primeira noite bem dormida, a ideia caiu sobre mim. Creio que nem que fosse muito, muito, muito, muito, muito rica, compraria uma coisa parva todos os dias, só porque sim. Pronto, talvez se fosse muito, muito, muito, muito, muito, muito rica. Mas conhecem aquelas frações de segundo em que olhamos para uma coisa e pensamos Uau, a minha vida com isto seria espetacular; e na realidade, por quase sempre ser algo absolutamente inútil, a única coisa espetacular seria a rapidez com que o saldo do cartão diminuiria  Pois bem, acho que esses momentos devem ser preservados, quanto mais não seja, para que chegue a 2014 e veja a quantidade de coisas parvas que eu já quis. Ou para que ajude alguém, no momento de presentear de forma original. Não lhe vou chamar de rubrica, porque acredito piamente que só por milagre isto se mantém durante algum tempo. Mas para já, por hoje, existe.

O impulso fútil desta quinta-feira é uma máquina de muffins. Eu vejo-a assim, azul e cor-de-rosinha, e só me apetece ir comprar sacos de pasteleiro para passar o fim de semana a decorar cupcakes. Depois volto à minha secretária e recordo-me que nem sequer sou grande apreciadora de mini-bolos. Ou que, muito menos, estou disposta a dar mais de 50 euros pela traquitana. Assim sendo, fica apenas registada por aqui, que da minha cabeça já (quase) se evaporou.

Ora então, 2013

Este ano não houve texto com sugestão de prendas, posts sobre a consoada, um feliz natal ou desejos de boas entradas. Dezembro passou a correr e com tanta coisa ao mesmo tempo que chamar-lhe de "mês" parece piada. Não vou dizer que não houve tempo. É claro que houve. Mas eu estive demasiado ocupada a vivê-lo, a dormitar sobre as horas ou a devorar os livros que vinha a acumular desde o verão. Dezembro incluiu passagem de ano a bordo, com fogo de artifício duplo, boa companhia e muita música. Um olá às Astúrias, com os irmãos, natal - que é sempre, e que eu sempre gosto -, e os dramas próprios (já não da idade, mas da cabeça - da minha e da de outros, ranhosas e peculiares). Dezembro foi um autêntico misto de emoções, com dias maus, os piores, e dias bons, para equilibrar a coisa. Dezembro acabou, e com ele 2012, o maldito, e ainda bem. Foi tarde, mas a tempo. Vamos sempre a tempo.

As passas ficaram por comer, que eu não gosto. E a cueca azul esquecida, no meio das preparações para a ceia. Tal como no ano passado, assim como nos anteriores. Foi-se a sorte que vem de fora, paciência. Entregue a mim, em 2013, sou o melhor talismã que me poderia ter reservado. Porque não acredito na conversa da crise, embora a veja, sinta e cheire; ou porque já me cansa o pessimismo, que não é meu, e nunca foi. Durante o que passou, viajei mais, investi mais, cresci mais, trabalhei como nunca e tornei-me numa maior profissional. Porque independentemente das burocracias, escrevi uma tese pelas madrugadas de 2012; defendi ideias e ideais, implementei-as e vi-as resultar, enquanto os dias passavam; e deixei que todos os pedaços de mim se fossem colando e regenerando, pelos intervalos. E se assim foi, no pior dos piores - apenas porque vi encher de más notícias e sofrimento os meus e os de todos aqueles que me rodeiam (como é que é possível?) - que razão tenho eu para desacreditar 2013? Pois, nenhuma.

Para já, o coração salta de cada vez que planeio mais uma escapadela. Londres revisitada, que à primeira foi com os pais, mais nova e com pouco juízo. O avião parte a 25, um mês e um dia depois da última passagem pelo aeroporto; mais de três meses a contar da data de reserva da viagem, para apanhar os melhores preços, as melhores opções. Porque o dinheiro, como tudo um pouco na nossa vida, passa muito por uma questão de organização. E com disciplina, e muita vontade (essencialmente muita, muita vontade), só não conseguimos o que não queremos. E eu, em 2013 quero ainda passar por Paris, que me traz saudades apenas à pronuncia do seu nome. Defender a minha dissertação (finalmente), inscrever-me em um ou dois cursos de curta duração, que sinto como picadas no coração, de cada vez que surgem e, mais uma vez, não é o momento certo para os frequentar. Rodopiar por alguns workshops de escrita. Ler mais. Ok, ler ainda mais. Escrever pelo menos igual.  Aqui, mas não só. Poupar mais. Ok, poupar ainda mais. Arrendar casa a partir de junho. E cuidar de mim. Cuidar muito mais de mim porque, qual L'Oréal, eu mereço. De resto é o costume, com mais força ainda: muita, muita saúde. Venha ela, que a partir daí, é apenas connosco.

Falando em 2013, este é um texto cheio de "mais". Parece-me bem.
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