2 Days in New York

Sabem aqueles momentos nos filmes em que tudo fica em câmera lenta, mesmo antes da imagem congelar e entrar alguém que, por cima de uma grande confusão - agora em modo pausa - começa a refletir sobre o que se passa atrás? A minha vida está assim. Não o meu dia-a-dia em modo geral, mas esta tarde com uma decisão entre mãos. E quando há três escolhas, mas só duas são realmente possíveis, tudo fica mais complicado. Delete e play só têm um símbolo no seu símbolo (faz sentido?). Andar para a frente, porém, já é outra história; são dois triângulos paralelos, quando já um dá trabalho. 

A energia da madrugada

Não me apetece dormir, não com uma noite destas. A brisa corre a uma velocidade perfeita, harmoniosa e que refresca, em vez de fazer frio. O céu está escuro, como se quer; e as dores de cabeça passaram. O calor que me deixa com tonturas cansou-se, por hoje, de andar para aqui a chatear; e com ele foi o barulho do dia. E é tão fácil ficar deitada, com os cobertores para baixo, a janela aberta e a música em repeat para me perder no meu mundo e nos meus pensamentos...Às vezes, não é preciso quase nada para sermos absolutamente felizes por um momento. No meu caso, foi uma água com gás, duas pedras de gelo e uma saqueta de chá frio de morango e framboesa. Soube-me pela vida, por aquela que me faz por aqui ficar entretida, entre memórias e previsões.

Para quê complicar quando somos capazes de sonhar acordados?

Adenda: depois de tudo isto, às 5 da manhã lá estava eu a acordar para fechar a janela, porque estava a chover por cima de mim.

Como a música muda tudo


Sentei-me no chão da sala e comecei a remexer nas prateleiras mais baixas. Tantos CDS esquecidos e preteridos pelo MP3, rápido, e com música feita à pressa, de batida igual a tantas outras. Liguei a aparelhagem. Será que tinha pó? E começou a noite de discos pedidos. A televisão estava desligada e até o irmão ficou atento. O pai resmungou enquanto a música não parou. Estás a deixar-me louco, não me deixas ouvir nada até ao fim. A mãe cantarolava, mesmo que de outra divisão, e eu...bem, recuei até outros tempos, em que as melodias faziam parte do meu dia-a-dia, servindo como banda sonora ao meu crescimento. Sei Suzanne Vega do início ao fim; trauteio Andrea Bocelli sem dificuldade e até as harmonias dos Vangelis estão presentes, como se as tivesse ouvido ontem, pela primeira vez. Apoderei-me de todos eles e meti-os ao bolso. Só eu sei o quanto gosto de conduzir de vidros abertos, sob as estrelas, e poder cantar em plenos pulmões o que me vai na alma. Fiquei a ouvir Richard Clayderman - na minha cabeça, que o CD está perdido - presa em memórias que sabem bem, e subi, para o quarto, de sorriso rasgado e coração cheio. 

Pensar que poderia ter sido mais uma noite de novelas e séries repetidas, isolados em divisões diferentes, sem o mesmo respirar.
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