É mais ou menos assim
E quando é preciso um filme para explicar o que insistimos em achar não compreender? Gostei muito. Tanto que me apetece espetar agulhas nas mãos por cada ano que perdi sem o ver - é de 2007. Não é uma história de amor; são dois irreais dias de descoberta do que de mais irreal existe no ser humano: a sua capacidade de pensar e reflectir sobre quem é e sobre quem é quem o rodeia. Com os seus exageros e momentos de graça, cenas à filme e asneiras em francês. Para depois acabar com uma introspecção estilo comédia romântica para adolescentes, que aqui, e só aqui, faz um sentido desgraçado.
There's a moment in life
where you can't recover anymore from another break up.
And even if this person's bug you, 60% of the time,
well...you still can't live without him.
And even if he wakes up you everyday by sneezing up right in your face,
well you love his sneezes more than anyone else's kisses.
- Marion*
* 2 Days in Paris
O último domingo
Este é o último domingo do verão, porque verão oficial é apenas em agosto. Embora as férias tenham já terminado faz duas semanas, o cheiro dos fins-de-semana fora e o tom quente da praia teimavam em continuar a fazer-se sentir. E eu, claro, pouco ou nada me incomodei com isso. A semana passava a correr, entre a preparação da rentrée e a contagem decrescente para os dois melhores dos sete; o sábado já nascia em terra diferente e o domingo soava a tardes perfeitas, de moleza e de regresso. Novos dois, daqui a cinco, também eles preenchidos e planeados há já muito. Mas chegam com outro sabor, sem a mesma descontracção. As cores são diferentes - nada de manicura cor-de-rosa e azul, tudo ao mesmo tempo -, as reuniões são uma realidade e o sábado e o domingo tornam-se refúgios, e não um prolongamento. Chegam-nos cansados e nós com vontade de descansar, descomprimir e esquecer. A rotina, maldita.
O meu verão ainda não acabou. As escapadelas com as amigas estão agendadas, os concertos e dias de praia marcados, e o sol parece querer ajudar. As roupas continuam fluídas e frescas, e vontade de sair e respirar o dia não ganha vergonha na cara. Vem aí música e celebração, romance e diversão, mas vem também setembro em força e, com ele, a dura presença da consciência do tempo.



