Não, o Jumbo é que não!


Seja no Pingo Doce ou na mercearia da esquina, a decisão de simplesmente retirar um direito aos consumidores, o da liberdade de escolha, é um absurdo. Ou decidem não disponibilizar MB, de todo, o que não me parece fazer qualquer sentido num supermercado, ou não se estabelecem limites mínimos de forma aleatória e completamente descabida porque é uma chatice pagarem-se as taxas (como se 20 euros fosse mínimo de coisa alguma). Se a ideia do cartão é tornar tudo mais prático, mais seguro e mais cómodo, mas se de repente tudo se lembra que seria melhor se não o usássemos para compras pequenas, (afinal isto é por causa das taxas ou para que haja bolos maiores no recibo?) então serve para quê? Alguém me perguntou como é o meu dia-a-dia? Quantas vezes faço compras que não pequenas? Creio que não. E com isto vem logo uma onda da frente oposta, que se indigna como se falássemos de um caso de vida ou de morte, porque, dizem eles, esta é uma medida exemplar e que se lixe a SIBS. 

Fixe para eles.

Pois se as cadeiras chegaram à conclusão que não é assim que querem gerir o negócio, que pode ser mais rentável de outra forma e que isso até pode permitir mais promoções para o cliente, muito bem; nada contra. Não há aqui monstros e cada um sabe de si. Mas também não há coitadinhos, pobrezinhos, vitimazinhas. É que a mim, que ainda por cima sou forreta (e ainda assim), parece-me muito mais lógico dizerem-me que a partir de hoje se quiser optar por pagar com cartão terei que pagar também a sua taxa de utilização, do que limitarem-me as opções e obrigarem-me a agir de acordo com as escolhas de outros.

É a mesma coisa com os sacos das compras já desde há uns anos para cá. E ninguém na altura se lembrou de dizer que só teríamos direito ao saco se comprássemos mais de 20 produtos.

*Esta coisa do Jumbo ir também na cantiga faz-me pensar que a guerra não é bem connosco, embora lhes seja muito favorável que achemos que é. Isso e ficarmos piursos, assim mais ou menos como eu fiquei.

O meu pai não gosta nada desta história da carteira sem trocos


Eu, forreta de apelido, aqui manifesto o meu desagrado face a uma das medidas mais parvas dos últimos tempos. Eu, que ando com dinheiro na carteira quando o rei faz anos ou quando o arrumador assim o exige, não me lembro da última vez em que entrei num supermercado e paguei com uma nota. Aliás, os sítios sem MB acabam por ficar quase que excluídos dos meus programas e é preciso gostar muito, mesmo muito, e não ter outra alternativa, para ir levantar dinheiro e ir àquele lugar em específico. Porque faço compras que nem sempre me exigem ter 10 euros na mão (a maioria das vezes). Porque entro para pagar duas pêras e uma garrafa de água. E se sei, se sonho, que antes tenho que ir à máquina (que nem sempre está perto e dá uma trabalheira desgraçada andar de um lado para o outro) para comprar 2 ou 3 itens, é certo que ou desisto, ou escolho outra opção. É por isso que compro lanche no celeiro mais facilmente do que em qualquer outro lugar, que gosto dos CTT do El Corte Inglês e não dos de Loures, que não como um Llao Llao todos os dias nem penso em entrar num café para comprar pastilhas, um bolo ou uma bebida. E nada disso me faz a mínima falta. Mas se Mr. Jerónimo acha que não aceitar pagamentos com cartão para compras inferiores a 20 euros é uma medida espectacular, força nisso. Só na minha área de residência há dois Continente, um Lidl e um Minipreço a um raio de míseros quilómetros do Pingo Doce. Já não era a minha primeira escolha mesmo, agora só passou a ser uma mais remota opção.

Não gosto de andar com dinheiro, pronto. Ele desaparece sempre, e eu nunca sei como. 

"Monstros" são quase duas mãos de letras

                                                                       Marilyn Monroe

2. Sono mau, opressivo.
3. [Figurado]  Pessoa ou coisa importuna; importunação.


Sabiam que carta em inglês são letras? (letters)
Dizem que os torturados escrevem melhor, que os desgostos de amor criam génios, que não há artista sem drama. Na realidade, não sei quem o diz, mas não me lembro de pensar de outra forma. Mais real ainda, todavia, é o facto de não notar absolutamente nada. Tento pensar em palavras elaboradas, quero convidá-las a entrar no texto, na frase adequada, atrás de ponto e vírgula ou depois de dois pontos. Seja como for, que venham determinadas e que dêem azo a discussão. Tudo o que me ocorre, porém, são banais "esdrúxulas" e "desamores", como se nelas residisse algum desafio. Escrevo igual, com a mesma presa de deitar o pensamento para fora, embora com uma vontade mais urgente de o fazer. Será isso? Os torturados produzem textos de madrugada com se tivessem acabado de acordar num caldeirão mágico de coca-cola? Parece-me de dia, mas ainda não dormi. Fechei os olhos e desacelerei a respiração, imaginei um papel em  branco, forçando a mente a um apagar literal. Não resultou porque as dúvidas estavam lá. As perguntas todas, as conversas baralhadas, os discursos pouco coesos e com necessidade de orientação. Abri os olhos, assustada e ofegante, como quem vem de um pesadelo. Nunca me explicaram que entre papão e ponto de interrogação havia mais em comum do que uma rima. E por isso fui apanhada de surpresa quando as letras se juntaram para ecoar repetidamente, fazendo-me recordar. Fui apanhada de surpresa quando percebi a imensidão do alfabeto, dos sinais e da eternidade de espaços entre eles. 

São horas de dormir, mas ele acordaram todos. 
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