O Galo da capoeira

Ficaram para trás os tempos em que as mães-galinhas eram a praga deste mundo. Foi toda uma temporada repleta de apertares de bochechas incomodativos e buzinadelas em frente à escola que constituíam o pavor de qualquer criança a partir dos 10 anos (já estou a ser simpática na idade tardia). A verdadeira bactéria, daquelas que custam a passar e que eu, infelizmente, desconfio ser crónica são os pais, galos por excelência. Podem ter estado adormecidos e/ou ocupados na recolha da maior quantidade de milho possível ou em lutas que acham "de macho" (mas que na realidade são verdadeiros espectáculos de comédia) durante uns tempos; porém, mais tarde ou mais cedo, acabam por se revelar. Basta deixarmos de brincar com bonecas e passarmos a achar piada aos bonecos para quase os ouvirmos rosnar (sim, eu sei que quem rosna são os cães, mas os pais são um bicho esquisito).
Sei de um, longe de mim dizer nomes, que é perito em dar com as filhas em doidas. Tenho cá para mim que o seu passatempo de eleição é afugentar-lhes os namorados. Depois há todas aquelas tretas que não é difícil conhecer os pais das meninas. Não que não é! Ainda bem que não nasci com uma pilinha, eu cá, que fujo das sogrinhas como o diabo da cruz, é que não queria ter que passar por isso.

E continuando nesta pseudo análise masculina, que não é de todo exagerada, não poderia deixar de realçar a última do chefão. Reforço que a minha intenção não é comprometer a privacidade de ninguém, pelo que será absolutamente impensável, se não impossível, que vocês, queridos leitores, adivinhem de quem poderei estar a falar. Não há muito tempo, há coisa de uma semana para ser exacta, o galo-mor saiu-se com uma destas:

Galo-mor: Oh A., podes chegar aqui? Chamas-te A. não é? É que eu costumo chamar-te Ambrósio, por isso nunca sei.

(Explosão de riso feminina vinda da cozinha. Entenda-se que a gargalhada veio aliada a mentes escandalizadas com a enorme lata do galo).

A (o namorado da filha): Sim, chamo-me A.

Horas mais tarde.

A.: Olha lá, o teu pai chama-me Ambrósio?? (O coitado, traumatizado, ficou a pensar nisso).

Namorada: Pois, sabes, ele tem dessas coisas. (O que é que se há-de dizer numa situação destas?). Mas não ligues, é na brincadeira.

A.: Oh, é normal que ele não saiba o meu nome, quase nunca me vê.

Namorada: Super normal, afinal tu só frequentas a minha casa há seis meses. Como é que ele se podería lembrar??

No dia seguinte.

Galinha: Então tu vais chamar Ambrósio ao rapaz? Oh galo, francamente!

Galo (num tom ingénuo que não engana ninguém): E qual é o problema? Não é pejorativo.

Portanto, de hoje em diante vou arranjar um nome igualmente bonito para o Galo, um diferente do seu, claro; porque não sendo pejorativo posso chamar-lhe o que quiser. Não que eu o conheça, obviamente, estou só a supor coisas. A galinha dele (que também não faço ideia quem seja) costuma dizer que é igual ao Steve Martin, em "O Pai da Noiva". Eu cá não nego.

Morte às siglas e afins


Quem manda às grandes empresas terem nomes que baralham? Quem lhes disse que era boa ideia? É que entre NMN ou MNM uma pessoa fica confusa. E eu, distraída, distraída, sou perfeitamente capaz de enviar uma carta de apresentação, bonitinha que só visto, a acompanhar o CV catita, e depois errar o nome da própria empresa. E pronto, se uma coisa dessas hipoteticamente* acontecesse, o meu palpite seria, não sei bem porquê, o de uma não resposta. 

Vou mas é ali à farmácia comprar Cerebrum (é assim?) e já volto.


*Compreendam que de hipotético pouco ou nada há nesta situação.

Tenho um pássaro na mão, mas quero dois a voar...


Em primeiro lugar, tenho a dizer-vos que são todos bem melhores do que eu na árdua tarefa de cruzar os dedos e torcer por mim. Assim que assumi o cargo foi um piscar de olhos até assistir a um desmoronar lento e cruel de qualquer possibilidade que ambicionasse. Cheguei às meias-finais do processo de recrutamento de uma multinacional. Fiquei foi por aí.

Esta sexta-feira vai trazer cheiro de fim de estágio consigo e, independentemente de ser  ou não possível, tenho que decidir se o quero prolongar ou bater asas para outra freguesia. A verdade é que face a uma hipótese que me oferece alguma segurança financeira durante 12 meses ainda há dúvidas porque este, sem qualquer desprimor para a instituição, não é, nem nunca foi, o meu emprego de sonho. Há muita coisa em jogo, repleta de "ses" que trazem melhores oportunidades ou, por outra, de esperança em oportunidades que poderão não vir. E tudo acaba por se resumir ao mesmo: dinheiro ou paixão? Nenhuma e as duas, na minha opinião. Num mundo ideal, coexistem; e ainda sou daquelas pessoas que acredita profundamente que irá encontrar o seu espaço nesse mundo. Mas para já, ou depois? Ganhar agora e sonhar mais tarde, ganhar mais tarde e sonhar agora?

Sei que me irei a arrepender caso queira e caso não. Sei que me vai custar que daqui a um mês apareça algo melhor e eu esteja presa num estágio profissional que me obriga a um ano sem interrupções ou desistências, com a certeza de que caso aconteçam, lhe perca o direito. Sei que me vou recriminar se nada vier e eu muito tiver recusado. E com tudo isto, e tanta coisa que já sei, nada é sabido, nem sequer o que fazer...
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