Setembro


É Setembro. Em Setembro tudo muda, e tudo está a mudar. O Verão acaba e as arrumações que se fazem não são só de fim de estação. Troquei os trapos leves, frescos e cheios de cor pelas mangas compridas. Os dias têm estados cinzentos, mas eu não. Eu estou cor-de-rosa ou amarela, azul, verde e vermelha; conforme os humores. A preto e branco ficaram relações passadas e pessoas perdidas algures no meio do caminho. Já não há faculdade. Acabou o regresso às aulas. Foram-se os pequenos-almoços de bar e as pessoas que a eles pertenciam. Há sempre quem fique, porém, no geral, tudo muda.

Tudo muda, incluindo nós. E mesmo quando não mudamos, mas tudo à volta está diferente, sabemos que as coisas não vão mais ser iguais.

É tão fácil...

Ontém recebi uma sms da R. que dizia, única e simplesmente: "Porra, mandei mesmo". Não consegui não sorrir. Fiquei feliz por ela e apressei-me a responder-lhe. Ela, como qualquer outra mulher, já lidou com um ele. Ela, como muitas outras, já chorou, já riu, já gostou, já quis, já perdeu por e um ele. Ela já se engasgou quando não devia, já remoeu o que não queria e já sofreu por quem não merecia. Por isso, quando disse tudo o que sentia, só pode ter feito bem.

Estas coisas de relações, ou aspirações às mesmas, custam. Mais que isso, dão-nos nós na cabeça de tanta complicação. Mas no fim, quase sempre, são tão simples que até irritam. É tão fácil ser feliz que enjoa. Porque estamos convencidos do contrário, e quando não estamos, alguém se encarrega de nos dizer que não é bem assim, e que por acreditarmos somos ingénuos.
Eu acredito em princípios (e finais?) cor-de-rosa. Gosto de coisas românticas e depois? Elas andam por aí. A questão é: quantas vezes estamos dispostos a descobri-las? Tudo o que vale a pena dá trabalho, quanto mais não seja, o de abrir os olhos para o mundo à nossa volta e deixarmo-nos levar. Tão pateticamente básico quanto isso.

Não há nada que saiba tão bem como estarmos apaixonados. Não há nada tão delicioso como sentir borboletas na barriga e o coração a querer sair do peito só por ver alguém, o alguém. Não há saudade tão reconfortante como aquela que sentimos quando o alguém nos deixa à noite, para voltar na manhã seguinte. São coisas boas e devem (têm de) ser valorizadas. Porque se perdemos todo o tempo de um novo amor a pensar em como ele é difícil, o que nos resta dele, quando acaba, se não mágoa?

Há que disfrutar dos momentos para que se tornem boas recordações. O pior erro que podemos fazer é transformar as borboletas do estômago em bichos que nos roem e corroem por dentro. Vamos deixar que a vida corra e que traga com ela coisas leves e apetitosas. Porque ela traz, acreditem, sempre. Mesmo quando já não acreditamos, mesmo quando achamos que não é possível.

Acordares


Há qualquer coisa que eu gosto nos acordares, sobretudo naqueles sem pressa. O dia pode começar tarde, mas não deixa de ser um começo; e poder (re)começar sempre que abrimos os olhos é qualquer coisa de especial. Guardamos o que veio de ontem e que queremos continuar hoje. Mudamos a semana passada. Fazemos o dia de amanhã ser diferente. E no fim, quando só a lua ilumina o quarto, encaixamos a cabeça na almofada sorrindo pelo que passou, ansiando o que se vai passar, ou ainda contentes pelo que acabou.

Quando o sol nasce, é para todos; e amanhã volta a nascer.

Eu cá gosto mesmo é de dormir, mas já que acordo, ao menos que continue a fazê-lo ciente de tudo de bom que o dia me pode trazer. A minha dica é ter uma boa música no despertador. A seguir a isso, e melhor ainda, só mesmo não ter que acordar com despertador :)


"Ai como é bom assim acordar,

com o sol na janela e a magia no ar

Olhar nos teus olhos e ver coisas sem fim,

e voltar para casa com esta música, dentro de mim"


(Paulo Gonzo - Acordar)
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