Gente fina é outra loiça

Enquanto as malas se fazem, cá por casa, ouve-se directamente da TVI*:

Paula Bobone "Eu sou excêntrica porque eu sou pioneira em moda. Eu sou muito avant-garde e gosto da diferença. Aqueles chapéus que agora a Kate Middleton usa, já eu usava há muito tempo".

Isto, claro, dito aos gritos, como aliás decorreu toda a pseudo-conversa de uma rubrica que se intitula "Chá das Tias", em pleno programa matinal de televisão. Guincham, falam todas ao mesmo tempo, interrompem-se, não conseguem acabar as frases e gritam como se não houvesse amanhã, que compreendem que haja pessoas de outro tipo de classes - mais baixas - que digam prenda, e não presente, como é chique. Atira Bobone ainda para o ar, sobre o casaco que traz vestido "Isto é Chanel, vocês nem sequer teriam dinheiro para o comprar".

Que gente mais chique.

*Também, de que é que eu estava à espera? Foi mesmo a pedi-las.

Uma Páscoa com sabor a chocolate, amêndoa e família


Ficam os votos, os beijinhos e os miminhos, que eu, entretanto, vou rumando a sul.
Até para a semana!

Eu sempre gostei de amarelo. É a cor das brincadeiras.





Estou aqui à procura das sete diferenças entre a história do Telmo e as piadolas do Futre. Inacreditavelmente, só uma me ocorre: temo que o primeiro ainda esteja à espera de ser levado a sério.

Música para os meus ouvidos

Se eu pudesse, a minha vida nos próximos tempos seria só e apenas isto:



Ai é domingo? ou de como sou uma verdadeira fada do lar III

                                                                   Bolo de Banana e Canela

                                                                                 Mousse de Limão

                                                                          Gelatina de várias frutas

Alguém percebe de sonhos?


Sonhei com amores impossíveis. Com duas pessoas que nunca vi, em toda a minha vida. Com uma história tão forte, e tão triste, que fui incapaz de assistir de forma impávida e serena. Sonhei com a morte de um deles, e comigo a chorar junto ao rio, por baixo do prédio onde viviam. Eu estava sentada em cima de uma pilha de sacos de lixo e olhava para a água, que não tinha fim. O meu pai apareceu, abracei-o e continuei nisto.

Escusado será dizer que acordei de repente, lavada em lágrimas, como se tudo isto tivesse sido real, como se dois desconhecidos imaginários me pudessem afectar.

E afectaram, porque eu senti a sua dor. Mesmo sendo apenas um sonho.

Starbucks + Santini + Rodízio Brasileiro

                                                                                        Foto "roubada" à sobremesa do irmão

A partir de hoje, e para o resto da minha vida, nunca mais vou ter fome suficiente para voltar a comer.

Para a próxima penso duas vezes sobre a corrida matinal, às oito da manhã, quando ainda não há carros no parque e a t-shirt me faz sentir frio. Para quê, quando o dia tem mais 23 horas de estragos? Ao menos foram feitos enquanto se andava, subia e descia, de um lado para o outro, pela calçada do coração de Lisboa.

Coisas que eu tenho a dizer sobre a Blanco ter loja online, mesmo não vendendo para Portugal


... Agora demoro muito menos a escolher: assim que entro no Dolce Vita, já sei o que quero.

Ai hoje foi dia de greve?


De há quase duas semanas para cá que vou e venho a pé para o trabalho, fruto da graçola dos funcionários públicos do Metro de Lisboa. Hoje ainda ponderei regressar ao carro pelo subsolo, mas estava um dia tão bonito que aproveitei a companhia do sol na estrada.

Vai-se a ver e já nem preciso do ginásio: problema resolido. É que isto de nos armar-mos em manientos com o FMI à porta é coisa de gente maluca, e para andar ainda não se cobra taxa.

A culpa não é minha, é da claustrofobia

                                                                                                  Anne Hathaway

Não me importo de ficar fechada num elevador onde só há espaço para mim e, nos dias mais modestos, para o meu ego. Horas e horas e horas. Não é coisa que me pareça fazer confusão, então se tiver comigo um livro - o costume - o tempo passa sem que eu dê conta. Viajo no porta-bagagens com a maior das tranquilidades, e o meu único dilema são as curvas apertadas que me fazem balançar. Em pequena, escondi-me entre o guarda-fato e parede durante mais de uma hora. Acham que me incomodou? Nem por isso.

O que me faz comichão, confusão e alergia, aquilo que verdadeiramente me dá voltas ao estômago e me faz sentir os nervos à flor da pele, são contratos de fidelização com entidades que não conheço de lado nenhum. Pois que eu ainda agora mudei de ginásio, ainda agora me comecei a habituar a uma nova realidade e a implementar novas rotinas, e logo me espetam com um casamento de um ano, sem anel ou pedido de noivado. E eu gostava tanto do meu namoro anterior, ali pertinho do Parque das Nações, com piscina e espreguiçadeiras para aproveitar o verão, antes de passar à sala das máquinas. Ainda estava a recuperar da separação quando decidi conhecer um outro, mais perto do novo trabalho e com lugar sempre vago à porta. Lá terá que ser, pensei. Entrei para me inscrever e logo me deixei deslumbrar pelas instalações atractivas e a simpatia dos colaboradores. Sou uma vendida. Bastou oferecerem-me o mês de Abril para correr a agarrar na caneta e assinar os primeiros papéis. Asneira, claro.

Comecei a perceber no que me metia quando me pediram o NIB. Essa é outra: arrasto para a relação o pobre do banco que nada tem a ver com isto. Eu fico obrigada a um período de fidelização de doze meses?, quis saber. Sim, exactamente! Mas não se preocupe, tem quinze dias à experiência e pode sempre mudar de ideias. Vim mais descansadita para casa, ciente de que nada estava perdido. A máquina multibanco não funcionou, só por causa das coisas, assim como quem emite um sinal para eu não entregar já números compridos a perfeitos estranhos. E pus-me a pensar, a esforçar, a mentalizar e a tentar. A sério que pus. Cherry, este tipo de contratos é normal. Toda a gente os faz! Olha a L., que lá anda. Achas que tem algum problema com isso? Vê se cresces. Assim como assim o mais provável é estares lá um longo período de tempo, mesmo. Quando não puderes, por algum motivo, cancelas. Não querias um ginásio, não sentias falta? Aqui tens, aproveita - É isto desde ontem à noite. É isto o tempo todo. Estavas mal habituada, era o que era. Ginásios bons, baratos e sem mensalidades obrigatórias. Ingénua. A achares que isso alguma vez poderia durar para sempre.

Fui lá treinar às sete da manhã. Mais umas horas e estou de novo lá caída, quando o sol ainda não nasceu. Tenho quinze dias, quinze dias apenas para deixar de ser uma anormal e mentalizar-me a ficar. Mas não me parece, não me parece de maneira nenhuma. Gosto muito da minha vidinha inesperada e das decisões de última hora. Ainda que racionalmente saiba que nada me impede de desistir e de dar baixa no banco assim que quiser, basta-me recordar a minha assinatura num papel que autoriza terceiros a ir buscar dinheiro à minha conta, durante um ano, para ficar cheia de urticária.

Estou aqui estou a perder mais 40 minutos por dia e alguns litros de gasolina por mês para voltar ao grande amor. Aquele que me permite pagar apenas os meses em que vou, porque sabe que, por exemplo no Verão, prefiro correr ao ar livre, nadar na praia ou andar de patins. É tudo muito diferente, ele já me conhece...

Dramas de uma recém-apaixonada*

                                                                         Zooey Deschanel 

Problema #1 - Os jantares de aniversário dos amigos

Diz ela que mesmo sabendo uma relação como um todo, tudo o que a define está na parte. Que são únicos e divisíveis, em personalidade e compromissos. Ainda, que não tem de gostar do mundo dele, nem arrastá-lo para o dela, onde quer rir, estar e falar como sempre fez. Isto, claro, num contexto de festa de aniversário/ jantar de convívio, que é como quem diz, quando surge o convite da praxe, no qual se acrescenta a vírgula da relação, com uma nuance ou outra à expressão: "é claro que também é para o/a X vir".

Pois que acha a protagonista, tal como tantas outras mulheres - quiçá homens - que não deveria ser convidada para os jantares do namorado, assim como nenhum dos seus contactos mais próximos deveria estender-lhe o convite. Toda uma lógica de educação a move a convívios de que não faz parte, e vice-versa, quando, para si, tudo seria mais fácil se fosse dada a cada cabeça apenas o que dela é de direito. E há muita razão por aqui, muita matemática e resultados esperados. 1 + 1 é sempre igual a 2. O problema é que não há dois "uns" iguais, e tentar somá-los será sempre conta de ilusão (ou de romance, dependendo da perspectiva). Ora, percebê-lo e interiorizá-lo já não é novidade. Pensar sobre isso é legítimo. Todavia, insistir no raciocínio, é coisa de quem ainda não se habituou a fazer parte.

Se eu acho que dois só podem ser dois, sempre e em qualquer momento? Não. O espaço, tal como o silêncio, são bens preciosos. Mas dois juntos respeitam-se e vêm-se como tal. É por isso que o convite do exterior, de quem gosta, conhece e tem dois dedos de testa, surge em dose dupla. Não para um jantar de amigas/os ou para um café mais rápido. Porém, para o convívio de grupo, para os ajuntamentos de gente que vem para comemorar ou lembrar algo, faz sentido. Não é coisa em dose intíma, é festejo de segunda família, daquela que se constitui com as pessoas que connosco não partilham laços de sangue. E se entre elas existe alguém que escolheram para ter ao seu lado, naquele momento particular da vida, então só poderá ser bem-vindo. E ainda que assim não seja, é bonito e de quem é bem-criado, estender o convite.

O contra-argumento volta, cheio de indignação e defesa de todos os aniversariantes que colocam "estranhos" à mesa de jantar, só porque passaram a ser apêndices dos amigos que querem ter por perto. Vem a lógica da felicidade de um dia especial, que só deve ser partilhada com quem se conhece. E a história é a mesma: o que une duas pessoas não tem necessariamente - ou quase nunca - que ser lógico; e, feliz ou infelizmente, todos os que nos rodeiam isso sentem e disso se apercebem. É por coisa assim que fica bem trazer para o nosso mundo o amigo da namorada, ou a namorada do amigo.  Não que dela/dele tenhamos invariavelmente a melhor opinião: por vezes podemos simplesmente querer intoxicá-los sem dar nas vistas; mas é assim que as relações, num universo civilizado e de compaixão se processam.

Toca a cada um decidir ou não ir. Como em tudo na vida, o bom-senso quer-se vivo e de boa saúde. Se nos sentimos mal, se não nos encaixamos ou se, muito basicamente, não estamos com vontade, então temos que ter voz para dizer que não. O que não acontece, nem pode acontecer, é o questionamento de terceiros sobre as opções malucas de serem bem-educados e chamarem para o convívio alguém com quem estamos.

Somos únicos e divisíveis numa relação, em personalidade e compromissos. E isso, isso é coisa que nos cabe gerir em conjunto para um melhor resultado individual.

 
* Esta rubrica é inspirada na vida real. Não na minha, que nestas coisas é mais pacata; mas em uma ou duas outras, cheias de deliciosas peripécias.
© POST-IT AMARELO 2014 | TODOS OS DIREIROS RESERVADOS

PARA MAIS INFORMAÇÕES:
♥ dopostit@gmail.com
♥ https://www.facebook.com/postit.amarelo
imagem-logo