- Adormeci logo no início
- Tenho pena de ainda não poder comentar o desempenho de J. Franco (teria sido bom ficar acordada tempo suficiente para o ver. é sempre)
- Sem novidades nos premiados, tudo muito certinho e comedido
- Sem comentários em relação às fatiotas. excepto um: não consigo sequer eleger a menos má.
4 ii sobre a gala das estatuetas douradas...
Sei que estou de férias quando...
1. O pequeno-almoço é servido na cama.
2. A primeira coisa que vejo quando acordo não é a minha caixa de e-mail, nem os anúncios diários do Groupon que lá caem.
A pedido de muitas famílias...
...venho falar-vos da seiva. Ou, por outra, da minha experiência com ela.
A cura do limão, ou dieta da seiva - como preferirem chamar-lhe -, não é um método seguro e propositado para a perda de peso. Não na minha opinião. Se é para isso, é algo radical, e nem toda a gente estará preparada para o fazer. Quanto muito, porque implica uma sensação psicológica algo forte do "não uso os dentes para nada há já alguns dias".
Para quem não sabe em que consiste, aconselho uma pesquisa rápida pelo google, há muitos sites sobre o tema e todos eles vos irão prometer resultados fabulosos. Basicamente, o que acontece durante os dias em que nos submetemos a esta "cura", é a troca das nossas refeições principais por uma bebida constituída por um xarope, muito rico em vitaminas e nutrientes, misturado com sumo de limão e uma pitada de pimenta caiena. Todos eles terão as suas funções, unindo-se num composto que, por experiência própria, posso confirmar ser mais do que suficiente para nos mantermos saciados. Ora, é claro que não ingerindo qualquer alimento, ou muito poucos, iremos perder peso. Se não me engano, a seiva tem uma média de 340 calorias por cada 100 ml; o que na prática se traduz em nada. Contudo, o seu objectivo principal, e o que deve estar na cabeça de quem se submete a este tipo de aventuras, é a desintoxicação do organismo. Se o que se pretende é emagrecer, então recomendo mais idas ao ginásio e uma alimentação equilibrada. Até porque, é sim verdade que uma semana de seiva tende a igualar-se, facilmente, a menos cinco quilos na balança; mas duas semanas de volta aos antigos hábitos podem traduzir-se no recuperar dos cinco e no acrescentar de mais dois. É claro que também vai depender muito da pessoa em causa, e de quais forem realmente os seus "antigos hábitos". Eu perdi 5 quilos em Agosto, quando a experimentei pela primeira vez, e até hoje só recuperei um, mesmo com todos os bolos de mousse de chocolate e folhados de salsicha do domingo passado. Tem sempre algo a ver com alguma moderação, e com aquilo a que o nosso corpo está habituado, mas isso é como tudo o resto na vida. O que quero deixar claro, é que a seiva como método de emagrecimento, usada até se perderem os quilos desejados, é um erro. Nunca, de modo nenhum, se deverão ultrapassar as duas semanas.
O cabelo tende a ficar mais brilhante, a língua aclara, sentimos a pele mais macia, a barriga desincha (se for o caso), as unhas fortalecem, e tantos outros, que num outro contexto acharíamos impossíveis, acontecem. Li o livro que explica todo o processo e já falei com muita gente que o fez. A maior parte das pessoas conta que se sente mais cansada nos primeiros dias. Eu fiquei com mais energia. Não sei se é comum, mas aconteceu, mesmo sendo uma altura de muito trabalho e stress para mim. Dormia lindamente. Gostei da experiência e é por isso mesmo que hoje inicio o seu segundo ciclo. Conto passar a fazê-lo duas vezes por ano, uma no Inverno, e outra no Verão; mas sei se muito boa gente que o faz, por exemplo, todas as segundas-feiras, obedecendo a uma desintoxicação de todas as porcarias que comeu e bebeu ao longo da semana anterior. Nem toda a gente tem os mesmos resultados, ou se sente da mesma forma. Quanto a mim, tem muito a ver com o rigor e seriedade com que fazemos as coisas. Optei sempre por manter uma refeição diária. Na altura, foi o jantar, porque era o único momento do dia em que estava em casa, e fazia-me confusão não entrar na cozinha. Comia cereais, Corn Flakes sem açúcar e com leite, e sabiam-me pela vida. Mas sei que se habitualmente encho uma tigela, naquela altura enchia meia, e sentia-me cheia. Ao longo do dia, petiscava uma bolacha de água e sal, ou uma maçã. Bebia uns cházinhos pelo meio. Tive sempre muito cuidado com os açúcares e as gorduras - não há como limpar nada se estivermos constantemente a ingerir lixo. Talvez por todos estes pequenos detalhes, por não me ter atirado de cabeça e consumido única e exclusivamente litro e meio de mistura de seiva, tenha conseguido manter a minha sanidade mental e não cometer excessos. Pela mesma razão, quando acabei não estava desejosa de me atirar a uma sandes de queijo e presunto, foi tudo muito normal e, inicialmente, em pouca quantidade. Não me custou não mastigar mais, nunca senti fome e ao fim do primeiro dia estava mais do que habituada ao sabor - não é muito mau, é até agradavél agradável e fresco, por causa do limão.
Tenho alguma tendência a enjoos, enxaquecas e dores de cabeça fortes. A dores de garanta, muitas, também. Coincidência ou não, nada disso nos tempos que se lhe seguiram. Acredito que reforce as nossas defesas, é quase como se bebessemos centrum durante vários dias, e várias vez ao dia. Não é uma fórmula milagrosa, não transforma as pessoas em modelos e não cura todas as doenças de que padecemos, mas faz-nos sentir bem, saudáveis e fortes. A mim, fez. É por isso que hoje se inicia mais uma semana disto. Cheira-me que vai ser mais difícil agora - no Verão tudo o que era fresco me sabia bem -, mas já sei que não é impossível, e gosto de como me sinto no fim.
Limpeza: parte II
Nos altifalantes: mix romântico feito pelo namorado dos 14 anos.
Por outro lado, há todo aquele conjunto de memórias que vêm ao de cimo e nos fazem agarrar a cada pedaço de papel guardado, ou suspirar pelas coisas que já nem sabíamos que tínhamos. É assim, são-nos tão importantes que não notamos minimamente a sua falta no dia-a-dia, mas depois ficamos a olhar para tudo, como se as descobríssemos pela primeira vez. E lembramo-nos de todos os momentos a que dizem respeito.
Resultado: aquilo que se poderia fazer numa hora, passa a levar a tarde toda e, quando damos por ela, o sol já se pôs e ainda falta aspirar.
A verdadeira razão
Eu até gosto de limpar: aspirar, eliminar o pó, passar os olhos pelas coisas que já não me fazem falta e pela tralha acumulada. É uma festa que só visto. Só não o faço com mais regularidade porque, hoje em dia, até limpar sai caro. Ainda só comecei há uma hora e já preciso de uma sapateira, de um espelho e de novas caixas organizadoras.
A tarde é no IKEA.
Qual é a coisa, qual é ela, que pede calças pretas e t-shirt amarela?*
*e um dia marcham uns destes. já faltou mais para o mealheiro dos ténis novos.
O meu equipamento de corrida, pois está claro.
Porque é isto que se faz num primeiro dia de férias: levanta-se o rabo da cama às 09h00 manhã e ala que se faz tarde (sempre quis escrever isto), rumo à pista de terra batida mais próxima.
Ai é domingo? ou de como sou uma verdadeira fada do lar
Bolo de mousse de chocolate, com recheio de leite condensado, avelã, baunilha e mais chocolate, cobertura de natas e morangos.
Bolachas de chocolate, com pepitas de chocolate e o recheio do bolo anterior.
Patê de atum com pickles e folhadinhos de salsicha. O pão e o ice-tea não são obras minhas (desta vez).
Hoje deu-me para isto.
A surpresa da semana
Mais alguém ficou tão encantado quanto eu? Cheira ridiculamente bem! Só não gosto do frasco, nem um bocadinho.
Quando dizemos adeus
Sophia Bush
Nos altifalantes: John Waite - Missing you
Se pudermos chamar-lhe despedida, então é porque valeu a pena. Nem sempre pela experiência em si, mas pelas pessoas, pelo que aprendemos ou por quanto crescemos. Quase sempre pelas pessoas, pelo menos para mim. E como não há despedida sem saudade, porque mesmo as temporárias deixam algo para trás, já sinto a falta. Sinto a minha ausência lá, nos dias que ainda não vieram, nos momentos que já não são meus. E podia ser triste, sim, mas não é. É só novo.
Gostar: do lat. gustáre, «tomar o gosto a»
The Notebook, 2004
Não gosto todos os dias dele. Não acho humanamente possível fazê-lo; gostar sempre de alguém, todos os dias e da mesma forma. E a história é a mesma para o comentário do "agora zangaram-se, mas gostam muito um do outro". Não gostamos. Quando grito com alguém, quando fico tão fula que não quero mais falar e me fecho em sete copas; quando choro, quando berro, quando sofro e quando só me apetece atirar tudo ao chão, não gosto. Desgosto, muito. Não discuto porque gosto dele, discuto porque ele é importante. E quem diz ele, diz ela, a mãe, o pai, o irmão ou o periquito. Não nos zangamos porque gostamos, zangamo-nos porque nos importam. De resto, sim, ignoramos, não queremos saber, estamos fartos e passa-nos ao lado. E isso não é mau porque deixámos de gostar - deixamos de gostar muitas vezes - é mau porque deixámos de nos importar e, quando isso acontece, o gostar já não volta.
Gostar não é fácil, linear ou pacífico. Mas sei que gosto dele, dela, do pai, da mãe, do irmão e do periquito, porque vou gostando muitas vezes, de várias maneiras e com diferentes intensidades. Tenho muitos bocadinhos de "gostos" na minha vida. E gosto disso. Não sempre, mas muitas vezes.
Pelo meu lugar ao sol
Dizem que arriscar em contexto de crise é coisa de gente maluca. Que a estabilidade é o que mais se pode desejar num emprego. Que quando há contratos sem termo o melhor é deixarmo-nos estar, agradecermos aos céus por nos pagarem mal ao fim do mês e ir felizes para casa porque "já há tanta gente nas ruas da amargura que não sabemos a sorte que temos". E que devo ouvir de quem sabe, de quem está nisto há mais tempo; que trabalho bom é aquele que é para toda uma vida. De vez em quando, ouço coisas destas.
Pois bem, nunca conheci outro contexto que não este. Entrei no mercado de trabalho quando já diziam que tinha escolhido a profissão errada, quando a comunicação “já não dava nada”. Comecei de pé direito nos primeiros estágios, e cansei as solas de um lado para o outro, que dinheiro para o combustível era pouco e patrocinado pelos pais. Já recebi 150 euros por mês para “ajudas de custos”, já trabalhei sem receber. Mas nunca agradeci. Tirei o maior proveito que consegui, fiz e aprendi o máximo que pude, levei trabalho para casa, passei noites sem dormir e andei com ar de múmia durante demasiado tempo. Estou grata pelas pessoas que me acompanharam, orientaram e ensinaram nesses momentos, pela confiança que depositaram em mim, pela liberdade que me deram. Mas não pelos moldes nos quais tudo se desenrolou, não por pagar para ir trabalhar e fazê-lo à conta de muita paz de espírito e do descanso necessário para nos mantermos sãos e saudáveis. “É a vida”, mas não é vida para se agradecer. Fazê-lo, só quando for a vida que pedimos, quando for a vida que merecemos. E achar que investir na nossa educação, criar projectos na nossa cabeça, definir objectivos e ter sonhos é coisa que se enquadre num louvar de maus salários e oportunidades diminutas, é dizer que não a tudo isso, é admitir que afinal, talvez, não mereçamos mesmo, porque não estamos dispostos a lutar por isso. E aí, o problema passa a ser nosso, e não da crise.
Não seria capaz de trabalhar para uma mesma empresa toda uma vida. Não seria capaz de exercer as mesmas funções sempre, e para sempre. Mas isso sou eu, que ainda sou irrequieta e não tenho feitio para ficar parada. Isso sou eu, que estou no primeiro ano do Mestrado e já tenho uma pós-graduação na mira para fazer a seguir. Sou eu, que acabei de me despedir e aceitar um novo emprego, mas já estou a pensar num prazo de 2 a 3 anos para me fazer à estrada e ir passar uma temporada ao continente americano. E também estou em crise, também tenho a carteira vazia, e também pago todos os sonhos com os ordenados que vou recebendo e subindo, pouco a pouco.
Feitio é coisa que não se compara, não se mede e não se define como melhor ou pior. Porém, dele deriva a atitude e essa é a parte que nos distingue e caracteriza. Sobretudo quando não a temos, para nada.
L´amour
Em dia de coisas fofinhas e filmes-cliché, ficam as dicas:
No Strings Attached
Ri-se. Dá-se umas valentes gargalhadas. Natalie Portman a vingar num registo diferente. Ashton Kutcher em mais do mesmo - para quê mudar, se é assim que gostamos de ti? É a história da carochinha, da menina que não acredita no amor, mas que acaba seduzida. Não é preciso ser um grande génio para perceber. Mas vê-se bem, sai-se bem-disposto e não se dá por desperdiçada a última hora e meia da nossa vida. É comédia romântica, sim. Porque tem isso que ser depreciativo? Diálogos bem estruturados, interessantes e, sem dúvida, muito engraçados. Só não me deixei convencer pelo fim, demasiado óbvio, demasiado forçado e quase colado a um filme que de piegas tinha pouco. (Contém spoilers) - É que, quando ela finalmente se declara, já de uma forma muito óbvia e claramente lamecha, e ele fica quieto, calado e pensativo, pensamos vir daí uma fala com um toque de ironia. Ou um soco, retribuindo a sua reacção quando foi ele a proclamar o amor. Mas não. Nada disso. Ouvimos um "espera! tenho que te avisar que se deres mais um passo eu nunca mais te vou deixar ir". Não será exactamente assim, mas a ideia é essa. Forçado até mais não. Tão habitual nas longas metragens do tipo que achamos que ninguém mais se vai lembrar de repetir, ou pelo menos ter coragem de o fazer. Mas têm. E é uma pena.
Lembro, ainda, a maravilhosa tradução do título original para "Sexo sem Compromisso".
Lembro, ainda, a maravilhosa tradução do título original para "Sexo sem Compromisso".
Love and Other Drugs
Diferente e nem tão diferente assim. É ela que não quer, não pode, não vai envolver-se. É ele que tenta, luta e consegue. Todavia, com doenças à mistura e laboratórios farmacêuticos pelo meio. E há coisas que, por muito que achemos serem exageradas, são tudo menos fantasia. O bom dos filmes é fazer-nos acreditar que acabam no ecrã. Nem sempre é assim. Não é uma abordagem ao mundo médico ao estilo de "Fiel Jardineiro", não se expõem bodes expiatórios, nem se desmascaram ensaios clínicos fatais, mas temos uma dose light, bem-humorada e mais realista do que à partida se poderia pensar, de toda esta indústria. E o fim está enquadrado em todo o filme, ao contrário do anterior.
O meu Valentim chega hoje
Brad Pitt e Angelina Jolie
Anne Hathaway and Jake Gyllenhaal
Porque Dia dos Namorados à segunda-feira seria cansativo até dizer chega. E, na realidade, não precisamos mesmo de um dia para jantar fora, estar juntos e ir ao cinema. Ou para ver o Black Swan (estou em pulgas, tudo serve de desculpa!). Gosto da data e de tudo o que a ela se associa - sim, acho bonito um dia para celebrarmos os beijinhos, a companhia, a amizade, para se namorar muito e andar de mãos dadas-, mas se calha a 11, 12, 13 ou 14 não poderia querer saber menos. Já sei que não é preciso um calendário para assinalar a coisa. Honestamente, cansa-me mais a história do "ai que horror, parece que tem que haver um dia que nos obrigue a dizer que gostamos" do que toda a propaganda e corações vermelhos das lojas. Ninguém obriga ninguém a nada. É como o dia do pai, da mãe ou da criança. Não precisamos deles para gostar dos que nos rodeiam, mas é bonito fazer-lhes algo de especial também nas efemérides. É porque são tão importantes, fazem-nos sentir tão bem, e são-nos tão queridos, que merecem ser celebrados.
E pronto, é só isto. Gosto do Natal, da Passagem de Ano, do Dia dos Namorados e preparem-se, o Carnaval vem já a seguir.
A animação é por conta delas ou de como temos de começar a celebrar os aniversários na garagem
Sex and the City promo photo
E eu adoro estas coisas. Não os momentos em que penso arrastar-me para baixo da mesa ou arrastá-las para o porta-bagagens mais próximo. Mas todos os outros, todos aqueles que resultam da mesma loucura e que garantem diversão mesmo no mais entediado, sem-graça e rígido espaço.
Surprise, surprise.
Leighton Meester
Dizem que as coisas boas acontecem quando menos esperamos, ou que recebemos sempre o que damos ao Universo. Ora, eu sempre fui boa pessoa, talvez demasiado dona do seu nariz e das suas razões - únicas e indiscutíveis - durante algum tempo, mas boa pessoa. Fiz sempre a cama, em pensamento claro, arrumei o quarto de todas as vezes que pude e tornei-me uma boa filha, e uma boa irmã. Fui das que tirava boas notas e tinha um grande grupo de amigos, das que nunca chegou a casa bêbada ou escondeu um namorado no guarda-fato. Portanto, acho que estava mais do que na hora do Universo fazer o seu papel e retribuir.
Se há menos de uma semana falava de indecisões profissionais, hoje sei de um novo rumo.
I see dead people
Anatomia de Grey
A propósito do último post...
Patati, patatá, aiaiai que são mortos, e ai que vai ser um nojo, e que vou ter pesadelos, e que vai cheirar mal e que não sei onde me estou a enfiar...uma desilusão. Mortos mais vivos não haverá, que a Faculdade de Ciências Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, cuida dos seus cadáveres como ninguém. Aquilo era uma coisa que nem o cheiro incomodava, a mim pareceu-me mais desinfectante que um outro qualquer odor. E os oito mortos todos tapadinhos, até ao pescoço, com as cores praticamente intactas. Estavam melhor conservados que muito boa gente que por aí anda.
Fiquei a saber que o nosso cérebro está mais perto do nariz do que qualquer um de nós pode imaginar. Tanto, que é importante que os futuros otorrinos se apercebam disso, não vão descobri-lo, sem querer, numa cirurgia de nariz partido, ou de redução de adenóides. Bem que mas queriam cortar em criança, mas a minha mãe deve ter suspeitado dos riscos enormes e impediu a operação. É isso e podermos ficar cegos. É com uma facilidade...zás, traz e nunca mais vês. E é assim que os senhores (só vi homens), mesmo depois de terem ido desta para melhor, continuam a ser úteis à sociedade, possibilitando uma aprendizagem correcta in loco. Toda a gente sabe que dizer e fazer não é bem a mesma coisa.
E pronto, é tudo. Nada tão excitante como seria de esperar. Uma tarde e oito cadáveres depois e eu saio para comer um folhado misto como se tivesse estado a dar uma volta na praia. Estavam bem embalsamados, é verdade, tão bem que um dos médicos responsáveis admitiu tratar-se de um segredo, fruto de uma investigação de 15 anos. Talvez por isso não tenha havido nada de pés brancos a saírem debaixo dos cobertores, ou de cheiros capaz de agoniar um elefante. Tudo muito limpinho, tudo muito tranquilo. O momento alto, da aula prática, foi eu ter trocado o meu casaco preferido por uma bata esverdeada que nem sequer me favorecia. Gostei da touca e das protecções de pés: um bocadinho de água e teria achado que estava de volta à natação. Ao menos faltavam-lhes os olhos, não fossem os dois buracos negros no cimo da cabeça de alguns e teria tido alguma dificuldade em manter-me concentrada.
A Anatomia de Grey é muito mais chocante. Se eu soubesse disto há mais tempo, teria ido para cangalheira. Ou médica. Médica soa melhor.
I can´t wait for the weekend to begin
Para já, ainda me arrasto pela casa com a caneca de chá, enquanto espero pelas torradas. Amanhã, bem, amanhã será outra a conversa. Já tinha saudades destes raios de sol.
"Mudança de perspectiva" ou "Miss Cherry, a caseira"
Antes adorava as quintas-feiras, porque quinta que era quinta, era quinta com festa e gala universitária, arraiais e jantares. Agora gosto ainda mais, porque as noites de quinta me cheiram a sexta e me lembram que só falta mais um dia para poder passar a manhã na cama, sem me preocupar com o que vou vestir, com a comida que vou levar ou com o trânsito que já se faz sentir. Agora, chega a quinta à noite e eu deito-me, debaixo dos cobertores, como quem não quer a coisa, e devoro filmes, livros e séries. Tem o seu quê de anti-social, mas sabe bem para caramba.
Ossos do ofício da insatisfação
Nem sempre soube o que queria fazer da vida. Ainda hoje, vou descobrindo, todos os dias, e das formas mais inesperadas, novos interesses e novos desejos de novas experiências e novos conhecimentos. Ou então, lembro os algos que deixei para trás, por vezes com saudade. Sei das aspirações de menina, que queria ser educadora de infância. Ou da adolescente, que achou que só estaria bem a escrever todos os dias. A indecisão foi sempre tal que, na hora de optar pelo agrupamento a seguir, no ensino secundário, não consegui escolher entre letras ou ciências, acabando por optar pelo desafio da economia. Sabia que artes era a única vertente fora do meu alcance. Por muito que tenha tentado, estive sempre tão disposta a compreender o que é uma perspectiva cavaleira, como a ter que desenhar um cavalo: quase nada, portanto. A matemática, à qual eu dedicava todo o meu ódio interior, e para a qual eu direccionava as minhas birras, acabou por me obrigar a ser mais e melhor, a esforçar-me e a aprender que ser bom é fazê-lo, em primeiro lugar, naquilo que não gostamos. Quase toda a gente se sai bem a trabalhar no que já sabe, gosta e conhece. E eu acho perfeito. É, aliás, coisa para almejar. Sobretudo se aquilo que gostamos nos pode garantir um lugar ao sol. Mas nem sempre a vida começa certa, e quase nunca o caminho começa pelo fim.
Finda a economia de 12.º ano, eis que volto às letras e enveredo pela comunicação social. Se queria seguir jornalismo? Talvez. Há poucas coisas que não considere aliciantes na profissão. O que eu não sabia, nem poderia saber, era que ao entrar para a faculdade, na área em que o fiz, estava a descobrir, por fim, um mundo que me deslumbrava. E percebi que não era só o jornalismo, nem só a comunicação organizacional, nem só a parte cultural, ou o marketing e as relações públicas. Era tudo um bocadinho. Sem saber como, perdi-me num universo que de tão vasto, pouco em concreto acaba por ter. Talvez por isso me tenha deixado levar quando a primeira proposta de estágio, em organização de eventos, surgiu. Ou quando o departamento de comunicação e imagem daquela faculdade me chamou para redigir um boletim institucional e enviar os primeiros comunicados de imprensa. Estive um mês em casa, desempregada e a sentir que a minha vida tinha acabado e que nunca mais iria arranjar trabalho, até aparecer o anúncio daquela agência, na qual comecei a exercer funções, logo na semana seguinte, e onde até hoje permaneço. Assim me fui deixando ir, experimentando aqui e ali, aprendendo a conhecer-me e a perceber o que realmente gostava de fazer. Já quis muito afirmar de boca cheia, e sem hesitações, que o descobri. Agora, de pés mais assentes na terra e olho no mundo que me rodeia, começo a desvalorizar as certezas incontestáveis.
Mestrado em Gestão Estratégica das Relações Públicas para preencher a lacuna empresarial que me fazia falta. Possível pós-graduação à vista em Consultoria de Imagem. Vontade de substituir a tese por projecto em terras brasileiras. E pouco mais de duas décadas de vida para poder vir para aqui fincar o pé e dizer o que quero fazer para todo o sempre. Não que tenha algo contra a quem o sabe, pelo contrário: tenho uma tremenda admiração e várias pontadas de inveja por aqueles que nunca hesitam, não têm dúvidas e fazem o que for preciso para chegar onde querem. Mas o que eu quero é ser feliz, escrever um bocadinho, divertir-me enquanto posso, e gostar realmente do que faço. Continuar a ler, a estudar, ganhar algum dinheiro, para uma vida sem preocupações, e ser profissionalmente reconhecida. Fora isso, venha o que vier, eu recebo com um sorriso e dou o meu melhor. Quem sabe não descubro se não é o que sempre quis...
Como boa portuguesa, só venho aqui pedir coisas
Não há Dia dos Namorados, casamento ou relação que resista à fraqueza da bomba. Por isso, se fizerem o obséquio, vão a http://www.dianacionalmortesubita.com/ e assinem a petição da Associação "Bate Bate Coração" para instituir o Dia Nacional da Prevenção da Morte Súbita. Prometo rebuçados virtuais para todos aqueles que se derem ao trabalho de perder um minuto da sua vida na ajuda a tão nobre causa.
Obrigada.





















