Sobre o Mestrado...

                                                       Sophia Bush

Cheguei agora a casa e foi porque saí mais cedo. As terças são as novas segundas. Adorei.

(Prometo, do fundo do coração, que um dia volto às frases completas. Só preciso de uns meses de férias antes, sim?)

Diários de segunda-feira #1

                                                        Katie Holmes


Não gosto de acordar de noite. Ainda não me apetece sentir o frio. Irritam-me os vidros do carro embaciados. Não tenho paciência para ouvir as mesmas músicas na rádio. A rotina dá-me a volta à cabeça. Apetece-me gritar. Quero ir lá para fora. Sento-me com elas. Sou uma lagarta ao sol. Não me convence. Continuo sem querer. Pondero aguentar. Mudo de ideias. Pondero ir às aulas. Decido anular a cadeira. Estou atrasada. Enviei tudo a tempo. Ainda não é hora do dia acabar. Falta pegar no relatório. Já não posso ver folhas de Excel. Entreguei o ficheiro de manhã. Ouvi um obrigada, e um obrigada é tudo. Reconhecimento. Quis sorrir, não consegui. Ouvi o silêncio. Olhei para o relógio. Veio mais trabalho. Houve crise e eu não detectei. As notícias não estão a funcionar a meu favor. São cinco. Casa-de-banho e olhar no espelho. Passo a cara por água. Não gosto das calças com que estou. Não volto a usar sabrinhas, fazem-me baixa. Apetece-me ir comprar roupa. Ainda não recebi. Nunca mais é fim do mês. Tenho que pagar o ginásio. Falta pôr gasolina. Não lhe respondi à mensagem. Gosto da foto de fundo do meu telemóvel. Gosto dele. Tenho frio nos pés. Estou cansada, sinto os olhos pesados. Adianto trabalho, quero deixar tudo pronto. Passo no 3 para deixar os papéis. Cruzo-me com ela que cortou o cabelo. Fica-lhe bem. 'A nova rapariga tem ar de má', deixo sair. 'É a minha melhor amiga', oiço de volta. Rio. Alcanço o carro. De volta ao conforto. Mão no telemóvel. Fiat vermelho da polícia. Trânsito. Devia ter ido à aula. A irmã não atende. Não tenho paciência. Não me apetece esperar. Estou farta de fazer o que esperam de mim. Exausta. Continuo o trabalho em casa.

Odeio as segundas-feiras, as palavras bonitas e os textos certos. Tanto quanto deles gosto. Segundas são começos, mesmo não se chamando primeiras. E é bom saber, que aconteça o que acontecer, o calendário marca os dias em que podemos (re)começar.

A vida é feita de escolhas difíceis...


                                                   Zara Woman

                                                                                                                   Zilian


...e este Outono não ajuda. Coisas bonitas em tempo de crise. Deviam ter vergonha.

'Miúda' de 13. Fala, chora e chove. Obrigada.


                                                                                       Kate Beckinsale, Pearl Harbor (2001)

Hoje acordei e o dia estava igual.

Hoje acordei e não pensei que algo de importante pudesse acontecer. Não me lembrei das coisas que tinha combinado, dos encontros que tinha planeado e da pessoa que tinha à minha espera. Não acreditei, nem por uma fracção de segundo, que algo pudesse ser diferente de todos os outros dias. Hoje acordei e notei que o tempo estava diferente. Acordei com a irmã do meio a fazer barulho e com o mau humor de quem é arrastado da cama antes do despertador tocar. Acordei sem saber em que dia estava a acordar, sem pensar no porquê de o fazer.

Vivemos fechados numa bolha, na nossa bolha de amores, amigos, família e carreira. Na bolha que construímos, cuidamos e preservamos por saber ser nossa e o que de melhor temos. Raramente nos apercebemos de que, ao fim do dia, não passa de água com sabão. Erguemos uma parede invisível atrás de um sonho de felicidade alcançável no seu interior; num espaço em que apenas nós, aqueles que nos são queridos e os que nos são quotidianamente próximos interessam. Mas há muito mais, há muito mais lá fora. Só nos esquecemos de continuar a olhar.

Nove anos volvidos e um sorriso do passado. Foi o que bastou, foi o que foi preciso para relembrar os anos nos quais conseguia ver e distinguir as diferentes bolhas. Ele visitou-me e explicou-me que nunca deixou de espreitar para dentro da minha. Ele lembrou-me que eu tinha deixado de o fazer.

É difícil perceber, interiorizar e aceitar que somos capazes de mudar a vida de uma alguém sem fazer a mais pequena ideia. E é inacreditável como isso nos marca; como um olhar de gratidão e de sinceridade faz toda a diferença. Hoje foi posto em palavras um sentimento, com toda a coragem e honestidade que a acção existe. Hoje senti o coração transbordar. Senti-me irrequieta e inquieta. Fiquei zonza no depois. Falou-se de amores platónicos, de paixões alimentadas por uma recordação de criança, de esperança, alento e inspiração. E tudo o que eu ouvi foi que alguém que eu conheci, alguém com quem partilhei parte do meu percurso escolar, viveu e construiu a sua vida com base em pequenos momentos, pequenos gestos e pequenas palavras. E percebi que para ele não tinham sido pequenos. E não compreendi como é que num mesmo planeta, num mesmo país e numa mesma cidade a três ruas de distância, nunca nos tenhamos voltado a cruzar. Enchi a cabeça de "e's" e "ses". Não os mesmo que por muito tempo ele teve em mente. Todavia, "e's" e "ses" repletos de carinho, gratidão e muito, muito respeito. Porque hoje disseram-me das coisas mais bonitas que ouvi em toda a minha vida. Senti o olhar fixo e verdadeiro mesmo quando ouvi o aperto que lhe passava pela garganta e a saudade, nostalgia e amor que um dia lhe tinham passado pelo coração. Ouvi a minha voz tremer e não consegui dizer metade do que queria, não a alguém que já não conheço, a alguém com quem não estava por mais de quinze minutos há nove anos. E é muito tempo. É muito tempo em que eu falhei e não respondi às cartas, aos bilhetes, às flores, aos retratos, aos e-mails e aos sinais de que ele ainda estava por perto e à espera de uma resposta. É muito tempo para ter vivido fechada na minha bolha, achando que por não ver para fora, nada mais existia. Acreditando que por não o ver, não o magoava. Sentindo que, por não sentir, por não interferir com a minha vida, também não iria ter relevância para a dele. Mas teve. Alimentou uma esperança que se diz responsável por uma inspiração que o guiou e levou a ser mais e melhor, a ser digno da lembrança que tinha e um dia esperava poder vir a agarrar. Foi hoje o dia. 

No fim choveu, choveu muito e algo se renovou. No fim, ele foi para casa a pé, sob cada uma das grossas gotas de água que insistia em cair. No fim, chamou-me 'miúda' e deixou-me com uma rosa, um origami e um 'papiro' em branco. Explicou-me o seu simbolismo e eu jurei, em silêncio, guardá-los para mim, junto a mim. No fim, sem saber, deixou-me mudada. 

Girls night out

The Sweetest Thing (2002)

No rescaldo de uma noite que acabava em manhã, no banco de trás do carro, deitada e praticamente a dormir...

Eu estava no auge.
Estavas pois.
Não. Eu sou o auge.
És sim. Podes ter a certeza!
Não, esperem: eu não sou o auge. O auge quer ser como eu.

Risota geral.

Texto Oficial


Venho por este meio comunicar que a partir de hoje se encontram banidas do meu calendário semanal as segundas-feiras. De ora em diante, irei saltá-las como se nunca tivessem existido, vivê-las em 'modo máquina' e ignorá-las como se de criaturas menores se tratassem. São dias que não interessam a ninguém e nos quais eu tenho uma certa tendência para descobrir mundos paralelos, nos quais as pessoas, em geral, enlouquecem. Eles são maus condutores com tendência a bater-me no carro, ele é o meu mau sentido de orientação, elas são profissionais que ainda não aprenderam o significado da palavra...ichh..eu sei lá! Já para não falar do disparate que é não existir um dia para se descansar do fim-de-semana. Uma pessoa passa terça, quarta, quinta e sexta a adiar encontros, afazeres e limpezas para quando tem umas horas livres e depois, quando dá por si, elas já não existem outra vez, e lá vem a maldita.

Dou por encerradas as segundas-feiras. Se perguntarem por mim, vou estar a hibernar.

Interlúdio

Caderno de música #7

                                                    La Roux - I´m Not Your Toy

Descobertas recentes. Não aconselhável a pessoas que facilmente ficam com as 'músicas na cabeça'.

Eu é que sei


Leighton Meester as Blair Waldorf in Gossip Girl

Segunda começam as aulas e, se tudo correr como habitualmente, vou parar a uma sala errada, logo a seguir a passar por uma data de corredores estranhos. Vou entrar e não conhecer ninguém, porque é assim que as coisas funcionam quando decidimos que a nossa vida não está suficientemente preenchida com um trabalho que nos deixa constantemente com os nervos em franja e optamos por fazer um mestrado numa faculdade desconhecida, com um bando de novas caras, manias e ensinos. É assim que as coisas funcionam e é assim que, com a minha sorte e incrível aptidão para me orientar nestas situações, aposto que o carro vai ficar no lugar mais distante vs proibido (as the last time) e que a cabeça, essa, nem vem; esgotada ainda do fim-de-semana. (Sou só eu a achar que preciso sempre de descanso por sábado e domingo?)

Por mim, teria marcado segunda-feira próxima no calendário como o início da hibernação outonal. Mas não, nada poderia ter sido tão simples. Foi muito mais inteligente e pertinente ter decidido voltar a estudar, quatro vezes por semana e de noite. De facto, sou brilhante. 

De volta aos 90´s

                                                                         Romy and Michele's High School Reunion, 1997

Há sempre qualquer coisa de terrivelmente magnético num encontro com alguém de quem já não sabíamos há muito: somos atraídos para a gabarolice como o hímen para o frigorífico. É aquela necessidade de parecermos bem, aliás, melhor, e que só ocorre em duas situações. A primeira, mais fácil de identificar, tem muito a ver com aquele sentimento bonito e produtivo que é a inveja. Ou é porque é uma ela que era mais gira, mais alta, mais popular e com um cabelo mais brilhante, com as roupas que queríamos e com os pretendentes que namoriscávamos; ou é porque cheira a ele, a um ex-ele - e convenhamos, ninguém gosta de estar em má forma à frente de um(a) ex-namorado(a). É sempre muito mais construtivo para o nosso ego se estivermos num melhor emprego, numa melhor relação e de preferência com muito melhor aspecto.

E é então que começamos a sentir o tempo sugar-nos, voltar àquele momento em que usávamos jardineiras cor-de-laranja-quase-florescente como quem veste Oscar De La Renta (sim, calculo que esta parte tenha sido só eu). Deixamos o pensamento recuar à altura dos bilhetinhos, dos telefonemas que nos aceleravam o batimento cardíaco e das cartas de amor de que não mais voltaríamos a ver. Permitimo-nos retroceder e perceber os sorrisos, os olhares, as convicções; a facilidade em ser feliz. Lembramo-nos da escola, dos professores, dos colegas e das parvoíces. Lembramo-nos de ler a Bravo e treinar beijinhos em laranjas. Lembramo-nos de que ele(ela) foi a nossa primeira paixoneta; daquelas que dava dores de barriga só por se passar perto da casa do(a) respectivo(a).

Depois, devagarinho, voltamos ao agora. À construção de uma carreira, ao alcançar de certos e determinados objectivos profissionais. À construção de uma relação, ao alcançar de certos e determinados objectivos pessoais. À família, ao círculo de amigos, à conta bancária. E, inevitavelmente, à imagem. Tropeçarmos num ex despenteados, envergando um fato treino suado e com a boca a cheirar a alho não será, de todo, a melhor das hipóteses. Felizmente, ela só ocorreu na minha cabeça. Felizmente, há tempo de preparação. Podem passar os anos que se quiser, que vamos continuar a querer sair como os mais bem-sucedidos da conversa. Vamos continuar a querer que ele(ela) saia a pensar em como teria sido espectacular a sua vida se tivéssemos ficado juntos -ainda que não fizesse, nem faça, parte dos nossos planos. É apenas gula. Vontade de saborear um momento que nos vai permitir virar as costas e sorrir. Sorrir de vitória a um jogo que só nós poderíamos ganhar, e no qual um sorriso desses é um primeiro lugar indiscutível.

The real devil wears Prada*, D&G, Channel and so on. Coisas do verbo ser.

                                                                        The September Issue

A ficção imita a realidade e qualquer teoria em contrário é pura ilusão. Nisto, naquilo e em qualquer outra coisa. Quanto mais não seja porque é preciso que sejamos para que inventemos, é preciso que sejamos para que pensemos, e para que distorçamos e para que criemos. E se somos, existimos. Vimos do que é real.

*Filme 'O Diabo Veste Prada' (2006). A história, que resulta da adaptação de um livro ao grande ecrã, é por muitos considerada um retrato fiel de Anna Wintour, directora da Vogue americana e a mais influente mulher a nível mundial no panorama da moda.

Só me apetece ligar a TV, ver as 'Marés Vivas' e seguir para a praia*


Sou só eu que estou a dormir com a janela aberta a meio de Setembro? Já perdi a conta às vezes que virei a almofada ao contrário para ficar com a cara no lado fresquinho.

*Pena ser de noite.

From Portugal with love


"Queres que te passe os camarões?
Não.
Porquê? Tu adoras!
Dão muito trabalho a descascar e não me apetece sujar as mãos.
Abre a boca vá, toma.
Ohh! Obrigada!
Já te dou mais uns, és mesmo preguiçosa.
Sabes...enquanto me descascares camarões vou ficar contigo".

Nem às segundas, nem às terças

Manual para caloteiros - Parte I

                                 Kate Walsh em Private Practice

Há dias em que não devemos sair da cama.

Se os ouvidos nos doem e a garganta está tão áspera que achamos não ser possível falar; se nos sentimos cansados mesmo depois de quatro dias de férias; se o quarto começa às voltas quando nos pomos de pé; bem, se todos os "ses" se cumprem é um bom indicador para que percebamos que estamos perante um desses dias. A tendência é sempre para piorar. Hoje acordei assim, sem o abraço ao qual já estava habituada; sem o pão quente que ele ia buscar enquanto eu ficava na preguiça. Hoje acordei e devia ter percebido que ainda não estava preparada para abrir os olhos e enfrentar o dia. Às vezes, e só às vezes, uma segunda-feira não é só uma segunda-feira; é a pior das segundas-feiras. E é claro que o desenrolar do espectáculo a que fui assistindo ao longo das horas desta segunda poderia ter acontecido a uma terça, a uma quarta ou mesmo a uma quinta, mas não teria o mesmo impacto, nem seria tão dramático como quando acontece a uma segunda; a uma segunda que ainda não estamos prontos para viver. O que eu não sabia, o que eu ainda não poderia adivinhar quando deixei a luz do dia entrar pela janela, era que nesta segunda-feira em particular o mundo iria estar a funcionar ao contrário.

Sempre ouvi falar das queixas das pessoas bonitas - quanto mais dotadas forem mais se acham amaldiçoadas por as abordarem frequentemente com base na sua aparência e lhes oferecerem uma vida de coisas grátis e favores fáceis. É claro que compreendo as pobres coitadas - obviamente, é um dom de que partilho e sei como é difícil viver assim. Horrível, para dizer a verdade. Não que alguma vez tenha passado pelas situações que costumam descrever, o que é, com toda a certeza, um lapso do universo; porém, simpatizo com a causa.

Mais giro ainda que tudo isto são as maldições dos que têm um bom cabelo, dos que nascem com muito dinheiro, dos que são famosos, dos que aspiram ser, dos que têm talento; dos que são inteligentes, competentes e bons no que fazem. O mundo está feito para os prejudicar. É um ultraje.

Faz quem sabe e quem não sabe e quem faz bem fica a fazer. Fica quem vale e quem não vale e quem não vale menos faz. Depressa e bem há quem; e existindo deve preservar-se. Para sempre, porque é raro. Beneficie-se quem não sabe, quem não faz, quem não teve tempo de saber, nem de fazer. É assim, para que os outros não desconfiem. Fechemos quem bem faz numa caixa para durar mais tempo; que se atire com sal para melhor conservar. O importante é manter entre palas quem não é burro, antes que disso se aperceba. E se pelo meio se pratica uma ou outra injustiça, se pelo caminho se passa por cima de um ou de outro; se a solução é o remendo e não a roupa nova, que assim seja. Assim se lucra, assim se cresce. E é também assim que custa aprender.

Sou jovem, imprudente e idealista. Deixem-me. Sou jovem, imprudente e idealista demais para deixar de o ser, para medir os meus passos, palavras, olhares e movimentos; para comprometer os meus valores e aquilo em que acredito. Deixem-me. Deixem-me vir para a janela gritar, deixem-me levar as mãos à cabeça, deixem-me quieta e perplexa, mas deixem-me. Porque um dia, um dia também eu vos deixo, para gritar, levar as mãos à cabeça e ficar quieta e perplexa com as mudanças positivas que irão ocorrer na minha vida. Um dia eu deixo de pensar no que é fixo, agarro numa mala e procuro aquele mundo que eu conhecia, aquele em que as coisas não eram ao contrário e no qual eu ganhava barbies quando merecia. E eu sabia merecer, sempre soube, sempre quis saber. O que nunca aprendi foi a ser feita de parva. Nem a ver quem está à minha volta passar pelo mesmo.

Saldos e mais saldos


i'm lovin' it

Ressalva para a desumanidade, mas apoio ao 'preferível'

Não sei quem é inocente, quem é culpado, quem é condenado injustamente e quem nem sequer é apontado. Não estive dentro do tribunal, não ouvi, não investiguei e não testemunhei. Não sou juíza de praça. Mas sou irmã mais velha, sou prima; sou daquelas que fica doente, mal disposta e seriamente agoniada só de pensar em abusos sexuais e outros que tais. Portanto, e porque cada um vai puxar a brasa à sua sardinha e no fundo ninguém viu, ninguém gravou e ninguém pode contar imparcialmente, a palavra de uns vai valer contra a de outros. E se é para que a injustiça prevaleça - de uma forma ou de outra-, se é para que no fim tudo funcione mal, por mais horrível que seja, que fique o inocente preso ao invés do pedófilo solto.

A praga do Panhonha Pro versão 575740853'453'059 - Panhonha & Burro



Há coisas na vida com que ainda não aprendi a lidar. A inércia é, talvez, a que mais me preocupa. Se aliada a uma boa dose de burrice, então, é coisa para (quase) me tirar o sono. É que, parecendo que não, há por aí disso aos pontapés. Na rua, ao virar de uma esquina, ao balcão de um café, à secretária de uma empresa, à frente de uma multinacional...Eles são tantos que contá-los seria perda de tempo - daquelas irrecuperáveis. Ora, o problema grave no meio disto tudo, é que esta é uma espécie em evolução. Cada vez que surge um novo modelo vem aprimorado: mais burro e mais inerte. E pronto, está feita a coisa e nascido o panhonha.

Tenho conhecido alguns panhonhas ao longo da minha vida, e não posso deixar de notar - com algum fascínio - a melhoria de que têm sido alvos. Quando penso que conheci o panhonha mor, logo outro aparece com o nariz empinado como quem quer dizer "Eu consigo fazer ainda melhor" (ou pior, dependendo da perspectiva). São conhecidos por certas e determinadas características e têm invadido o nosso planeta com um afinco e determinação que me aflige - penso que vieram para ficar. Proponho, por isso, que fiquem atentos aos elementos que os identificam para que, assim como quem não quer a coisa, os possamos eliminar, um a um:

1. Podem ter um ar engraçado, tímido e até simpático, mas sempre que lhes é feita uma pergunta mais específica, o semblante evolui para uma expressão perdida, confusa e solitária.

2. Costumam acertar nas coisas sem ter a mais pequena noção do que estão a fazer.

3. Dão mais trabalho a quem os rodeia quando trabalham do que se não fizessem nada.

4. Por muito que se lhes explique uma coisa, não aprendem e ainda nos olham como se estivéssemos a reinventar o Teorema de Pitágoras.

5. Têm por hábito demorar tanto tempo a pensar como a agir. Quando decidem fazer uma coisa - mesmo que não percebam bem o que é - é para ser mal feita e com toda a lentidão possível.

6. Costumam achar que têm razão quando chamados à atenção. Nunca, claro, em demasia. Depressa voltam ao estado de inércia.

7. Não aprendem, não percebem e não conseguem. Todavia, sempre que podem, ensinam.

8. Não têm consciência das suas limitações - insistem em ignorá-las.

9. Fazem as coisas mais estranhas, mas vêm nelas um sentido. Ex.: Fotocopiar um papel antes de o enviar por fax para o poder devolver (O panhonha A acreditava piamente que quando um papel entrava no fax não voltava e partia directamente para o seu destino); Arrastar um ficheiro para a Caixa de Entrada do Outlook para que possa chegar ao e-mail do destinatário (Notem que o panhonha B nem sequer colocou o e-mail de quem deveria receber o anexo. Partiu simplesmente do princípio que já chegámos à Era da Máquina Inteligente. Ele arrasta um ficheiro que insiste em não ficar no programa - sabe-se lá porquê - mas que se por um algum acaso ficasse, o computador seleccionaria automaticamente a pessoa que o deveria receber).  

10. Temos tendência para simpatizar com eles em primeiro lugar, e para nos enervarmos em segundo, terceiro, quarto, quinto...

Tenho alguma experiência com panhonhas, é verdade. Ainda não percebi muito bem como é que, de um modo eficaz, poderemos proceder à sua extinção. Para já, divirto-me a olhar fixamente para eles quando estão atrapalhados: a pressão é o seu pior inimigo. Trazem ao de cimo o que de maléfico existe em mim (sou um anjo) e, por muito que queira, não consigo controlar-me. Imagino-me a abaná-los até funcionarem ou a bater-lhes com um martelo de plástico daqueles que apitam. É mais forte do que eu. Diz, quem assiste às minhas interacções com as criaturas, que fico com um olhar assustado. Não desminto: a ignorância gratuita assusta-me. Sobretudo porque não vejo qualquer intenção de mudança; qualquer vontade de saber mais ou, no seu caso, de apenas saber. Explicam-me que, por muito que tente respirar fundo e contar até 10 em silêncio para não me lançar aos seus pescoços, acabo por deixar transparecer um tom irritado, quando falo com eles muito devagar, quase silabando as palavras, como se algum atraso de compreensão comprovado tivessem. E eu tento, a sério que tento ser uma pessoa melhor, mas quando me respondem abrindo a boca para deixar sair disparate, só me apetece abrir-lhes a janela e desejar-lhes boa viagem.

Sim, eu sei. Vou daqui direitinha para o inferno. E por mim tudo bem, desde que não nos voltemos a cruzar.

O que tiver que ser, será...

Leighton Meester

Das duas uma: ou eu amanhã acordo sem dores e vou para a rua arejar as ideias e aproveitar o domingo, ou quem fica doente é a minha conta bancária. A sério, vocês já viram os botins que para aí andam? Quero três da Blanco e dois da Zilian.

Assim, não há quem aguente.

Ao menos desse alguma coisa de jeito na televisão, que isto da internet só nos faz mal à cabeça!

Oxford shoes?

Só se forem estes!

Nova colecção - Zara. É oficial: não posso ficar na cama com o computador à frente.

Hoje vão ser só lamúrias

Kitty (Calista Flockhart) e Sarah (Rachel Griffiths), Brothers & Sisters

Tenho um historial de amigdalites e otites no Verão tipo recibo de compras para o mês inteiro num hipermercado: nunca mais acabada. Já me massacraram com injecções de penicilina mais vezes do que gostaria. Já aprendi o nome dos antibióticos. Este ano, estava a estranhar. Era o lado positivo de trabalhar nos meses do calor: pouca praia, água e mergulhos = poucas dores de ouvidos e raras dores de garganta. Uma pessoa pode sempre tentar viver na ilusão, mas um  dia a realidade bate à porta. É assim que, apenas com quatro fins-de-semana de praia, fiquei doente. Todos os domingos à noite, em viagem de regresso para Lisboa, lá vinha eu a queixar-me do ouvido, mais e mais. Fui deixando de me atirar de cabeça para as piscinas e no último já nem molhava o cabelo fora da banheira. Não resultou.

Agora juntem-lhe uma semana de trabalho, daquelas que nos lembram que Setembro regressou: relatórios para terminar, clientes novos, entra e sai de pessoas... Acrescentem ainda uma semana inteira sem dormir, a descansar mal e a deitar-me muito tarde. Misturem-lhe notícias inesperadas, nem sempre positivas. Mexeram tudo muito bem? Pois, também eu e posso garantir-vos que é uma receita péssima.

É claro que chega o sábado e estando eu a fazer manhãs de trabalho este fim-de-semana volto a levantar-me da cama a horas que considero completamente indecentes. E depois, depois de acabar tudo e ter finalmente um momento de paz, começa a agitação cá em casa: os arrastares de móveis (sabe-se lá porquê), a loiça a bater na máquina, os telefones a tocar e toda a gente aos gritos uns com os outros. Onde é que eu estava com a cabeça quando disse que não iria gostar de viver sozinha? Hoje, tenho-a prestes a explodir. Apetece-me ficar de baixo dos cobertores o dia todo. Apetece-me fechar os olhos. Junto alguma energia, desço as escadas e peço menos barulho - é óbvio que não só estou doente, como maluca, porque logo alguém responde:

Mas isto é alguma casa de repouso?

...


Quando tudo à volta parece desmoronar, sem razão e sem aviso, a única coisa a fazer é deixar que os olhos voltem a abrir, que as pernas voltem a mexer e que a cabeça se mantenha de novo em pé.

O pior já passou.

É como mostrar o doce à criança e arrancá-lo logo a seguir. Não se faz

                                                                                     Ashton Kutcher

Há coisas que me continuam a intrigar no universo masculino. Interagir com um dos seus espécimes, num dos seus momentos de crise, é uma experiência verdadeiramente fabulosa. Entenda-se, por crise, qualquer coisa assim mais ou menos como comprar algo para oferecer a uma mulher. Cai o Carmo e a Trindade e está o caos instalado.

Ao telefone...

A - Estou a ver um anel mesmo, mesmo giro para ti. Espera, vou desligar e enviar-te uma foto (o maravilhoso mundo das novas tecnologias).
Cherry (pensando para com os seus botões) - Deve ser, deve. Mais outra pinderiquice.

Bip, bip...

Cherry (esboçando um sorriso) - É tãooo giro!

Ao telefone...

A - Então, gostaste?
Cherry - Gostei, gostei mesmo! Adorei, aliás! É mesmo giro.
A - Pois, mas olha, é muito caro.
Cherry (novamente em diálogo com os botões) - O que é que ele quer dizer com "é muito caro"?

Uns dias depois...

A - Lembraste daquele anel que vi para ti?
Cherry (Como não????) - Sim, vagamente. Era giro.
A - Estive mesmo para o comprar, mas era muito caro e ias perde-lo.
Cherry (tentando controlar a raiva) - Não ia nada!
A - Perdes os teus todos.
Cherry - Porque os compro a um euro!! Não ia perder um anel mais caro. E não perco nada todos.
A - Pronto, está bem. De qualquer forma eu avisei-te logo que era caro.

Ah, então está bem. Assim fico muito mais tranquila e feliz da vida. Quando um homem nos diz, espontaneamente, que está a ver uma coisa para nós; faz questão que a vejamos e gostemos e depois dá logo o toque que não vai comprar é tudo muito mais espectacular. Até porque faz todo o sentido perguntarem se gostamos tendo já decidido que não vale o dinheiro. "É um anel".

(Depois desta já foi mais outra com os mesmo moldes, e em curto espaço de tempo).
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